UFRN inicia cultivo de cannabis para pesquisa científica

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) tornou-se a primeira instituição do Brasil autorizada pela Anvisa a realizar o cultivo controlado e o processamento da cannabis para fins de pesquisa científica. O plantio ocorre em sistema indoor no Instituto do Cérebro (ICe-UFRN), com foco em estudos sobre epilepsia, autismo, dor, sono e outros distúrbios neurológicos

Publicada em 16/02/2026

Laboratório do Instituto do Cérebro da UFRN inicia cultivo controlado de cannabis autorizado pela Anvisa para pesquisa científica

Instituto do Cérebro da UFRN inicia cultivo controlado de cannabis após autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). | Crédito: Williane Silva – Ascom/Reitoria

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) tornou-se a primeira instituição do país a conquistar autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o cultivo de cannabis para pesquisa científica.

A autorização permite à universidade importar, armazenar, germinar sementes e cultivar a planta em sistema controlado, na modalidade indoor (ambiente fechado).

Na manhã desta sexta-feira, 13, o reitor José Daniel Diniz Melo visitou o laboratório do Instituto do Cérebro (ICe-UFRN), responsável pelos projetos de avaliação da eficácia e segurança de combinações de fitocanabinoides.

Atualmente, o ICe-UFRN mantém mudas plantadas com diferentes séries de fitocanabinoides. O professor Claudio Queiroz explicou que o processo envolve plantio, podas para clonagem do vegetal, floração e posterior extração dos compostos, que serão analisados em pesquisas científicas nos campos da epilepsia, zumbidos, autismo, distúrbios do sono e dor.

Para o reitor Daniel Diniz, o momento representa um marco institucional. “Após passarmos por um rigoroso processo junto à Anvisa, ver o início do cultivo da cannabis acontecendo no Instituto do Cérebro representa um passo importante para o avanço da pesquisa desenvolvida na UFRN e um marco histórico para a ciência brasileira”, afirmou.

Além do reitor, participaram da visita a pró-reitora de Pesquisa (Propesq-UFRN), Silvana Zucolotto; o diretor da Agência de Inovação (Agir-UFRN), Jefferson Oliveira; e a chefe de Gabinete da Reitoria, Magda Pinheiro.

 

Histórico

 

Em 2020, a UFRN iniciou o processo para liberação do cultivo controlado e processamento da cannabis junto à Anvisa.

O ICe-UFRN conduz projetos pré-clínicos para avaliar a eficácia e segurança de combinações de fitocanabinoides no manejo de sinais e sintomas associados a distúrbios neurológicos e psiquiátricos.

O avanço da UFRN também dialoga com os debates nacionais sobre regulamentação, ciência e inovação no setor, temas que estarão em destaque no Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal. O evento conta com o módulo Agro e Tech Cannabis, dedicado às discussões sobre cultivo controlado, tecnologias aplicadas ao plantio indoor e outdoor, genética, rastreabilidade, boas práticas agrícolas, automação, controle ambiental e desenvolvimento de insumos voltados à cadeia produtiva da cannabis.

O módulo reúne pesquisadores, agrônomos, especialistas em tecnologia agrícola, startups e representantes da indústria para apresentar experiências práticas, modelos regulatórios e soluções técnicas aplicadas ao contexto brasileiro.

O congresso está com submissão aberta para envio de trabalhos científicos, permitindo que pesquisadores apresentem estudos relacionados ao cultivo, inovação tecnológica, aplicações terapêuticas e regulamentação da cannabis no Brasil.

 

Fonte: Williane Silva – Ascom/Reitoria

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