Camila Nocetti analisa a "farmaceutização" e o potencial de exportação do mercado brasileiro

Em entrevista ao Deusa Cast, a CEO da Conecta Cann detalha como as novas resoluções da Anvisa impõem padrões industriais e por que o Brasil se posiciona como hub global de IFA

Publicada em 25/02/2026

"Camila Nocetti CEO da Conecta Cann analisando o mercado de cannabis medicinal no Brasil e oportunidades de exportação de IFA"

Camila Nocetti, CEO da Conecta Cann, analisa o mercado de cannabis medicinal e exportação de IFA no Brasil. Crédito: Sechat

 

O mercado de cannabis medicinal no Brasil atingiu maturidade regulatória suficiente para iniciar uma nova fase de consolidação industrial. Esta é a visão de Camila Nocetti, CEO da Conecta Cann, em sua participação no Deusa Cast #57. Com 10 anos de experiência em negócios internacionais, Nocetti ressalta que o país superou debates ideológicos e se tornou um case de segurança jurídica para investidores.

 

A Era da Conformidade e o “Ambiente Farma”

 

Segundo Nocetti, o setor caminha para uma farmaceutização irreversível. A transição das regras de importação para as novas normas de fabricação e cultivo comercial (RDC 1015) exige que empresas operem sob rigorosas Boas Práticas de Fabricação (GMP).

  • Impacto nas operações: Players sem estrutura de compliance enfrentarão barreiras. Nocetti alerta que o mercado atual é “para poucos”, referindo-se a empresas com capacidade financeira e técnica para atender à Anvisa.
  • Associações: O setor associativo precisará se adaptar aos padrões industriais, com investimentos estimados em R$ 1 milhão para adequação fabril, acelerando a profissionalização dessas entidades.

     

O Brasil como Exportador de IFA

 

A executiva destaca a inversão da balança comercial do setor. Enquanto países europeus, como Alemanha, Polônia e Reino Unido, enfrentam lacunas regulatórias, o Brasil oferece normas claras e consolidadas.

"O Brasil tem total potencial para ser referência global na produção de IFA. Já acompanhamos as primeiras movimentações de exportação, posicionando o país como fornecedor de tecnologia e insumos de alta qualidade", afirma Nocetti.

 

Verticalização e oportunidades B2B

 

A cadeia produtiva brasileira cria novas janelas de negócio:

  • Infraestrutura: demanda por bancos de sementes, maquinário agrícola e tecnologias de extração.
  • Serviços especializados: marketing, jurídico e farmacêutico com foco em cannabis.
  • Pesquisa clínica: exigência de dados de segurança para registro de produtos impulsiona P&D nacional para a próxima década.
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Perspectivas para 2026

 

Nocetti projeta que a sobrevivência das empresas dependerá de estratégias de Go-to-Market assertivas e da capacidade de investimento para cobrir custos regulatórios. “A limpeza natural do mercado vai favorecer operações estruturadas com evidência científica e responsabilidade fabril”, conclui.



Veja o Deusa Cast na íntegra: