Cannabis medicinal na veterinária traz prêmio a brasileira
Veterinária brasileira Karla Pinto é reconhecida em Portugal por sua pesquisa em cannabis medicinal na veterinária. Saiba mais sobre sua trajetória na UTAD.

Cannabis medicinal na veterinária traz prêmio a brasileira
- A veterinária Karla Pinto recebeu o CannaPortugal Award 2026 por suas pesquisas com cannabis medicinal na veterinária pela UTAD. O reconhecimento destaca a busca por evidências científicas, dosagens seguras e avanços no uso de canabinoides em animais.
A veterinária Karla Pinto venceu o CannaPortugal Award 2026 por sua pesquisa com cannabis medicinal na veterinária pela UTAD. O prêmio reconhece a busca por evidências científicas, uso responsável e segurança no tratamento com canabinoides em animais. Karla Pinto foi distinguida com o CannaPortugal Global Cannabis Award 2026 por sua contribuição para o desenvolvimento da medicina veterinária canabinoide em Portugal.
O prêmio chega em um momento em que a área desperta cada vez mais interesse, mas também exige cautela, pesquisa e profissionais preparados para separar evidências científicas de promessas ainda sem comprovação.
Veterinária brasileira une clínica e pesquisa para avançar com a cannabis medicinal na veterinária
A trajetória de Karla Pinto começou muito antes do reconhecimento internacional. Com 26 anos de experiência nas áreas de dor, cuidados paliativos e reabilitação, a veterinária acompanhou pacientes para os quais as ferramentas terapêuticas convencionais nem sempre ofereciam respostas suficientes.
Foi dessa experiência que nasceu seu interesse pelo sistema endocanabinoide.
“Cada pergunta que levo para a pesquisa nasceu de um paciente real, e cada resposta que encontro, eu levo de volta para o consultório”, conta Karla.
Hoje, a veterinária brasileira desenvolve seu doutorado em Ciências Veterinárias na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Portugal, investigando a expressão de receptores canabinoides em determinadas condições patológicas e seu possível papel como alvo terapêutico.
Para ela, a conexão entre clínica, formação e pesquisa foi fundamental para sua trajetória. “Acho que foi exatamente essa combinação que me trouxe até aqui.”
Cannabis na veterinária ainda precisa de mais evidências
Apesar do interesse crescente de tutores e médicos-veterinários, Karla ressalta que a medicina veterinária canabinoide ainda está em construção.
Segundo a pesquisadora, já existem evidências pré-clínicas e clínicas relevantes sobre a cannabis medicinal na veterinária, principalmente relacionadas à dor crônica e a algumas condições neurológicas, como a epilepsia. Porém, os dados disponíveis ainda são mais limitados do que aqueles encontrados na Medicina Humana.
Para avançar, ela defende estudos clínicos mais bem estruturados, com grupos-controle, número adequado de animais e acompanhamento de longo prazo.
Também é necessário compreender melhor as diferenças entre espécies, doses, formulações e possíveis interações com outros medicamentos.
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Veterinária brasileira alerta para uso responsável
Um dos pontos destacados por Karla é que a utilização de canabinoides em animais não deve reproduzir automaticamente protocolos desenvolvidos para seres humanos.
Cães, gatos e outras espécies apresentam diferenças fisiológicas que precisam ser consideradas na definição de dose, formulação e acompanhamento.
A composição dos produtos também importa. Concentração, proporção entre CBD e THC e biodisponibilidade são fatores que podem interferir na segurança e nos resultados de um tratamento.
“Não são detalhes, são o que separa um tratamento seguro de um risco”, afirma.
Para a pesquisadora, outro desafio está justamente na formação dos profissionais.
É preciso preparar médicos-veterinários para avaliar criticamente as evidências disponíveis e reconhecer a diferença entre resultados científicos, relatos individuais e estratégias de marketing.
Nesse cenário, o paciente deve permanecer no centro da decisão.
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Pesquisa pode aproximar Brasil e Portugal
O reconhecimento também joga luz sobre uma possibilidade que Karla considera importante: ampliar a colaboração entre pesquisadores brasileiros e portugueses.
Brasil e Portugal compartilham a língua e enfrentam desafios semelhantes relacionados à formação profissional e à produção de evidências clínicas sobre canabinoides na medicina veterinária.
Para a pesquisadora, essa proximidade pode facilitar a troca de metodologias e dados e contribuir para uma base científica lusófona mais forte.
“É esse tipo de rede que vai levar a medicina veterinária canabinoide ao próximo patamar”, afirma.
O que vem pela frente?
Ainda finalizando o doutorado, Karla prefere não antecipar resultados de sua pesquisa. O objetivo, neste momento, é compreender melhor a biologia dos receptores canabinoides e contribuir para o conhecimento que poderá sustentar futuras aplicações terapêuticas.
Para a veterinária brasileira, o prêmio representa, portanto, mais do que uma conquista pessoal.
“Recebo o prêmio como um incentivo para continuar investindo onde realmente importa: ciência de qualidade.”
Em uma área que ainda busca respostas, talvez esse seja justamente o reconhecimento mais importante: lembrar que o caminho entre uma possibilidade terapêutica e um tratamento seguro com cannabis medicinal na veterinária passa, necessariamente, pela ciência.
Fontes e referências
- Entrevista com Karla Pinto concedida ao Portal Sechat, 2026.
- Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).
- CannaPortugal — Global Cannabis Award 2026.
- Literatura científica sobre sistema endocanabinoide e fitocanabinoides na medicina veterinária.
