Da história aos perigos atuais: explorando o mundo dos canabinoides sintéticos 

Entenda as diferenças, riscos e benefícios destas substâncias criadas em laboratório

Publicada em 28/09/2023

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Os canabinoides sintéticos, conhecidos por nomes como K, especiarias ou até mesmo "erva dappou" no Japão, são substâncias químicas criadas pelo homem que interagem com o sistema endocanabinóide do corpo de maneira semelhante aos canabinoides naturais encontrados na planta de cannabis. No entanto, é importante destacar que, apesar do nome, eles frequentemente têm efeitos imprevisíveis e, em muitos casos, podem ser perigosos e até mortais. 

Ouça a explicação da farmacêutica Géssica Miranda, especialista em toxicologia clínica e forense com amplo conhecimento em cannabis:  

História dos canabinoides sintéticos 

Géssica Miranda

Segundo Géssica, a história dos canabinoides sintéticos remonta à década de 1960, com o desenvolvimento do primeiro deles, a Nabilona. Desde então, várias outras substâncias sintéticas foram criadas e utilizadas em alguns fármacos. Contudo, fabricantes frequentemente modificam as moléculas para contornar as leis e regulamentações, tornando ainda mais difícil prever seus impactos. 

Entre os canabinoides sintéticos mais comuns estão o HU-210, o JWH-018 e o 5F-ADB. O JWH-018, em particular, é considerado três vezes mais potente que o THC, o principal componente psicoativo da cannabis, o que o torna popular, mas também perigoso. O 5F-ADB, por outro lado, é associado a diversas mortes e graves efeitos colaterais, incluindo confusão, colapso e perda de consciência. 

É importante ressaltar, no entanto, que existem versões legais de formas sintéticas do THC, como o Dronabinol, utilizado para aumentar o apetite em pacientes com a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) e a Nabilona, usado para tratar náuseas, vômitos e falta de apetite causada pela quimioterapia em pacientes que não respondem ao tratamento convencional. 

No entanto, esses medicamentos diferem dos canabinoides sintéticos ilegais, pois são regulamentados e usados para fins médicos específicos. Em contraste, os canabinoides sintéticos ilegais representam um grave risco à saúde pública devido à falta de regulamentação e à imprevisibilidade de seus efeitos. Portanto, é fundamental que as pessoas entendam a diferença entre canabinoides sintéticos e naturais e evitem o uso de produtos não regulamentados.