Marco regulatório da cannabis no Brasil pode atrair mais investimentos e mudar cenário do setor
Novo marco regulatório da cannabis no Brasil sinaliza maturidade institucional, fortalece evidência científica e abre caminho para investimentos no setor de cannabis medicinal
Publicada em 16/03/2026

Victoria Cristofaro, advogada do Costa Rodrigues Advogados (COSRO), analisa os impactos do novo marco regulatório da cannabis e a importância da previsibilidade jurídica para atrair investimentos ao setor no Brasil.
O debate sobre a cannabis no Brasil começa a entrar em uma nova fase. O que durante anos foi marcado por disputas judiciais e discussões ideológicas passa gradualmente a ser tratado dentro de uma lógica sanitária baseada em critérios técnicos, previsibilidade regulatória e produção de evidência científica.
A mudança é impulsionada principalmente pela atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que vem estruturando um novo marco regulatório da cannabis para o setor. A proposta desloca o centro das decisões do Judiciário para um modelo institucional de gestão de risco, alinhado às práticas internacionais de regulação de medicamentos e produtos derivados da cannabis.

A análise foi apresentada em entrevista ao canal Sechat Oficial, no qual a advogada e especialista temas regulatórios e transacionais nos setores de saúde, biotecnologia e cannabis, Victoria Cristofaro explica que o país vive uma transição institucional importante para o setor.
"A Anvisa desloca o eixo do setor de uma lógica muito judicializada para um modelo sanitário ancorado em gestão de risco, rastreabilidade, previsibilidade e produção de evidência científica."
Segundo a especialista, essa mudança representa um passo essencial para dar mais segurança jurídica ao mercado e reduzir a dependência de decisões judiciais para garantir o acesso e o desenvolvimento do setor.
Previsibilidade regulatória como ativo econômico
Na avaliação da advogada, a previsibilidade das regras é um dos fatores mais relevantes para o desenvolvimento de um mercado regulado de cannabis medicinal.
Isso porque investidores e empresas internacionais costumam avaliar a estabilidade regulatória antes de decidir entrar em um novo país.
"No plano econômico, a previsibilidade atrai investimento. O Brasil se posiciona como um ambiente regulatório muito mais previsível, e previsibilidade é um ativo altamente estratégico."
A especialista observa que países que estabeleceram regras claras para a cannabis medicinal conseguiram acelerar o desenvolvimento de pesquisas científicas, cadeias produtivas e inovação tecnológica.
Nesse contexto, o Brasil surge como um mercado com enorme potencial de crescimento caso a evolução regulatória continue avançando. O avanço da regulamentação da cannabis no Brasil é visto por especialistas como um fator determinante para consolidar o país no cenário internacional.
Superação do debate ideológico
Outro ponto destacado pela jurista é a mudança na natureza do debate sobre a cannabis no país.
Durante muitos anos, o tema esteve fortemente ligado a disputas políticas e ideológicas, o que dificultou avanços regulatórios consistentes.
Na análise da especialista, o novo marco regulatório representa justamente a superação desse estágio inicial.
"O novo marco já mostra que o país realmente está superando um estágio bastante marcado por discussões ideológicas e realmente passando a operar num modelo técnico, mais criterioso e definido."
Para a advogada, esse movimento aproxima o Brasil das práticas regulatórias adotadas em mercados mais maduros, nos quais a cannabis medicinal é tratada principalmente como um tema de saúde pública e ciência. Esse debate tem ganhado espaço também nas discussões sobre políticas públicas relacionadas à cannabis.
Associações e o modelo de sandbox regulatório
Outro ponto relevante destacado na análise é o papel das associações de pacientes dentro do novo ambiente regulatório.
A especialista explica que a tendência é que essas organizações passem a operar dentro de um modelo semelhante ao chamado sandbox regulatório — um ambiente controlado em que atividades podem ser testadas sob supervisão institucional antes da criação de normas definitivas.
Esse tipo de abordagem já é utilizado em diversos setores regulados, como tecnologia financeira e inovação farmacêutica.
No caso da cannabis, o modelo pode permitir que o regulador acompanhe o funcionamento das associações, coletando dados e evidências para futuras regulamentações específicas, ampliando o debate sobre regulação da cannabis no país.
Caminho para uma política científica nacional
Na avaliação da jurista, o avanço regulatório pode abrir caminho para que o país transforme a cannabis em uma política científica estruturada.
"Tudo isso tende a realmente levar a cannabis para a figura de uma política científica estruturada."
Isso significa integrar diferentes áreas — como pesquisa científica, desenvolvimento farmacêutico, produção e acesso terapêutico — dentro de uma estratégia nacional mais organizada.
Para especialistas do setor, essa transformação institucional pode posicionar o Brasil como um dos principais mercados emergentes da cannabis medicinal no cenário global, especialmente com o avanço das discussões sobre políticas de cannabis no Brasil.
Assista ao vídeo completo
O debate completo sobre o novo marco regulatório da cannabis e seus impactos para o Brasil está disponível no canal do Sechat.

