Festas de fim de ano podem intensificar gatilhos emocionais e uso de substância
Pesquisa mostra como o fim de ano pode intensificar gatilhos emocionais e aumentar o uso de substâncias, reforçando a importância do cuidado e da empatia nas festas
Publicada em 25/12/2025

Imagem: Canva Pro
A energia das festas de fim de ano é também um terreno emocional complexo para milhões de pessoas que enfrentam desafios com o uso de substâncias.
Um estudo recente feito pelo Freeman Recovery Center com mais de 1.000 adultos nos Estados Unidos lança luz sobre como o período de novembro e dezembro pode se tornar um tempo de resistência emocional, tentações intensas e gatilhos que muitas vezes passam despercebidos por quem não vive essa realidade.
A alegria que pesa
Para muitas famílias, as festas enchem os olhos de alegria. Mas para outras, o fim de ano pode ressoar com sentimentos difíceis.
Segundo a pesquisa:
45% das pessoas relataram que o desejo de beber ou usar substâncias aumenta durante as festas, chegando a 73% entre quem já tem histórico de uso problemático.
Metade dos entrevistados disse que bebe antes de encontros familiares como uma forma de “se preparar emocionalmente”.
Esses números não são apenas estatísticas: representam pessoas que carregam histórias, perdas, ansiedades e expectativas que se misturam com as tradições festivas de uma forma que nem sempre aparece nas fotos das ceias.
O peso das emoções escondidas
O fim de ano é também um tempo de memórias, boas e dolorosas. A pesquisa mostra que:
- 73% das pessoas sentem emoções ligadas a perdas durante a temporada festiva.
- 74% relatam sentir solidão, mesmo em meio a festas e encontros.
Perder alguém querido, passar o dia rodeado e sentir-se vazio por dentro, ou mesmo viver a alegria dos outros enquanto se enfrenta um momento de luta interna: tudo isso pode ativar gatilhos profundos.
É um lembrete de que o cuidado com a saúde emocional precisa andar lado a lado com os rituais das festas.
Estresse, expectativas e “gatilhos invisíveis”
Além do emocional, outros fatores silenciosos também aparecem:
- Estresse financeiro ligado a compras e presentes pode empurrar algumas pessoas a buscar alívio em bebidas ou outras substâncias.
- Cerca de 1 em cada 4 pessoas evita encontros familiares justamente por medo da pressão social para beber ou usar, ou por sentir que não conseguem manter o controle.
Esses gatilhos que muitas vezes podem ser financeiros, sociais, emocionais, nem sempre são mencionados nas conversas de fim de ano, mas estão ali.
Estratégias que alimentam a esperança
Para quem vive ou convive com alguém em recuperação, navegar pelas festas exige mais do que força de vontade: exige planejamento, apoio e comunicação aberta.
A pesquisa aponta que muitas pessoas encontram força ao:
- Evitar eventos onde substâncias são protagonistas;
- Criar sinais com amigos ou familiares para pedir ajuda quando necessário;
- Apoiar-se em rotinas, aliados, ou práticas que reforçam o bem-estar.
Essas atitudes simples, como reservar um momento para si, escolher com quem realmente se sente seguro ou apenas conversar com alguém de confiança, podem fazer do fim de ano um tempo de cuidado, e não apenas de sobrevivência.
No fim das contas, o que a pesquisa revela é humano: as festas não são sempre leves para todos. Há quem celebre com um sorriso iluminado e quem enfrente uma batalha interna que ninguém vê.



