Ford apostou no cânhamo em carro inovador nos anos 1940

Projeto experimental de Henry Ford combinava soja, cânhamo e fibras naturais para criar carroceria leve e resistente em plena escassez de metal

Publicada em 22/04/2026

Protótipo do “carro de soja” apresentado por Henry Ford em 1941 utilizava fibras naturais, incluindo cânhamo, como alternativa ao aço na indústria automotiva.

Protótipo do “carro de soja” apresentado por Henry Ford em 1941 utilizava fibras naturais, incluindo cânhamo, como alternativa ao aço na indústria automotiva. Crédito: The Henry Ford/ Reprodução

No início da década de 1940, a Ford Motor Company desenvolveu um dos projetos mais ousados da história da indústria automotiva: um carro com carroceria feita a partir de materiais agrícolas, incluindo cânhamo. Conhecido como “carro de soja”, o modelo foi apresentado em 13 de agosto de 1941 durante o festival Dearborn Days, nos Estados Unidos.

A proposta era revolucionária para a época. Em vez de aço, o veículo utilizava 14 painéis plásticos compostos por uma mistura de fibras naturais — entre elas soja, trigo, linho, rami e cânhamo — combinadas com resinas químicas. O resultado era um carro cerca de 450 kg mais leve do que os modelos tradicionais, além de potencialmente mais resistente a impactos.

O projeto foi conduzido pelo engenheiro Lowell E. Overly, com apoio do químico Robert A. Boyer, após insatisfação inicial de Ford com o design. A iniciativa fazia parte de uma visão estratégica do empresário: integrar agricultura e indústria, criando novos mercados para culturas agrícolas — incluindo o cânhamo, que já era estudado por seu potencial industrial.

Além da inovação material, havia um contexto econômico importante. A escassez de metais no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial impulsionou a busca por alternativas. No entanto, com a entrada dos Estados Unidos no conflito, a produção de automóveis foi interrompida e o projeto acabou abandonado.

Apesar de nunca ter sido produzido em escala, o “carro de soja” permanece como um marco pioneiro no uso de biomateriais e fibras como o cânhamo na indústria — um tema que volta a ganhar força atualmente.

Hoje, essa discussão ganha novos contornos no Brasil. O Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal contará com o módulo Agro & Tech Cannabis, que irá aprofundar justamente o potencial do cânhamo para a indústria, explorando aplicações que vão desde bioplásticos e construção civil até manufatura avançada e novos materiais sustentáveis.

A história iniciada por Henry Ford há mais de 80 anos reforça um ponto central: o cânhamo não é apenas uma cultura agrícola — é uma plataforma de inovação industrial que pode transformar cadeias produtivas inteiras.

Fonte: The Henry Ford