Ibogaína: estudo revela como a substância modula transportadores de serotonina no cérebro

Estudo detalha como a ibogaína e seu metabólito noribogaína modulam múltiplos transportadores nas sinapses serotoninérgicas, ampliando a compreensão sobre seus mecanismos de ação no cérebro

Publicada em 24/02/2026

Ibogaína: estudo revela como a substância modula transportadores de serotonina no cérebro

Nova pesquisa decifra a farmacologia da ibogaína nas vias da serotonina | CanvaPro

A ibogaína, substância psicoativa extraída da planta africana Tabernanthe iboga, voltou ao centro do debate científico após a publicação de um novo estudo. A pesquisa investiga, em nível molecular, como a substância atua no cérebro, especialmente nas sinapses ligadas à serotonina, e ajuda a explicar por que seus efeitos farmacológicos são considerados complexos.


Ibogaína e a modulação de transportadores de serotonina

 


De acordo com o estudo, a ibogaína e seu principal metabólito, a noribogaína, atuam simultaneamente sobre diferentes transportadores de monoaminas, proteínas responsáveis por regular neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina.


Os pesquisadores identificaram que ambas inibem o transportador vesicular de monoaminas 2 (VMAT2), envolvido no armazenamento desses neurotransmissores dentro das vesículas neuronais. Além disso, observaram ação sobre o transportador de serotonina (SERT), responsável pela recaptação do neurotransmissor após sua liberação na fenda sináptica.


A noribogaína também demonstrou capacidade de promover liberação parcial de serotonina, ampliando ainda mais o espectro de efeitos neuroquímicos.


Os autores descrevem esse conjunto de ações como um modelo de “matrix pharmacology” ou farmacologia matricial, para caracterizar a atuação simultânea da ibogaína em múltiplos alvos moleculares.


Segundo o artigo, esse padrão multifacetado ajuda a explicar por que a substância apresenta efeitos distintos dos observados em fármacos tradicionais que atuam de forma mais seletiva em apenas um transportador.


Ibogaína e as implicações para novas pesquisas

 


Embora o estudo tenha foco laboratorial, os achados contribuem para compreender melhor o potencial terapêutico da ibogaína, que vem sendo investigada em diferentes contextos clínicos, especialmente em transtornos relacionados ao uso de substâncias.


Ao mapear com maior precisão seus mecanismos de ação nas sinapses serotoninérgicas, a pesquisa amplia a base científica necessária para o desenvolvimento de novas moléculas inspiradas na estrutura da ibogaína, com perfis farmacológicos mais específicos.


O estudo reforça que a substância possui uma atuação neuroquímica complexa, que ainda está em fase de investigação detalhada pela comunidade científica.
 

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