Psicodélicos entram no debate sobre tratamento de traumas sexuais

Estudos, relatos e experiências terapêuticas apontam o uso de substâncias como MDMA, psilocibina, cetamina e cannabis no cuidado de pessoas com TEPT após violência sexual

Publicada em 06/02/2026

Psicodélicos entram no debate sobre tratamento de traumas sexuais

Tratamento de traumas sexuais com psicodélicos avança em pesquisas e relatos clínicos | CanvaPro

O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é uma das consequências mais frequentes entre sobreviventes de violência sexual e pode se manifestar de diversas formas, como ansiedade, depressão, insônia, crises de pânico e flashbacks. Segundo o site El Planteo, diante das limitações dos tratamentos convencionais, o uso terapêutico de psicodélicos tem sido cada vez mais discutido como uma ferramenta complementar no cuidado de pessoas que vivenciam esse tipo de trauma.


Relatos reunidos pela publicação mostram que substâncias como cannabis, MDMA, psilocibina, cetamina, ayahuasca e mescalina vêm sendo utilizadas, em contextos controlados ou acompanhados, para auxiliar no reprocessamento de memórias traumáticas e na redução de sintomas associados ao TEPT.


Substâncias e abordagens terapêuticas


A cannabis costuma ser citada como uma das primeiras substâncias utilizadas por sobreviventes, especialmente por ajudar a reduzir ansiedade, insônia e o impacto de lembranças intrusivas. Já o MDMA aparece como uma das drogas mais estudadas no contexto do trauma sexual, por permitir que memórias difíceis sejam acessadas com menor resposta de medo, congelamento ou fuga, é o que apurou o El Planteo.


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A psilocibina, presente nos chamados “cogumelos mágicos”, também é mencionada em relatos de pessoas que afirmam ter vivenciado mudanças significativas de percepção e autoconsciência após a experiência. A substância é associada a estados de introspecção profunda e a episódios de clareza emocional, que podem contribuir para decisões importantes relacionadas à própria segurança e autonomia.


No campo clínico, a cetamina tem sido utilizada em tratamentos para depressão resistente e TEPT, especialmente por via intravenosa. De acordo com o El Planteo, a substância atua na regeneração de conexões neurais afetadas pelo trauma, com relatos de alívio dos sintomas poucas horas após a infusão.


Integração e cuidados no uso


Especialistas citados pelo site ressaltam que o uso de psicodélicos para tratar traumas exige cuidados rigorosos. A chamada “integração”, processo de incorporar os aprendizados da experiência à vida cotidiana, é apontada como etapa fundamental do tratamento. Esse acompanhamento pode incluir psicoterapia, meditação, escrita terapêutica, práticas corporais e grupos de apoio.


Outro ponto destacado é a importância do contexto e do ambiente em que a substância é utilizada. O El Planteo alerta que experiências sem orientação adequada ou sem uma rede de apoio podem resultar na reativação de traumas. Por isso, profissionais recomendam que essas substâncias não sejam usadas de forma recreativa com a finalidade de tratar traumas sexuais.


Apesar de avanços regulatórios em alguns países e do crescimento de pesquisas clínicas com MDMA, psilocibina e cetamina, a maioria dos psicodélicos ainda é ilegal em grande parte do mundo, o que limita o acesso a tratamentos formais e supervisionados. Ainda assim, o tema segue ganhando espaço no debate científico e na busca por alternativas no cuidado à saúde mental de sobreviventes de violência sexual.


Com informações do El Planteo.