Trump marca 1 ano de governo com guinada histórica na cannabis

Presidente avança na pauta medicinal e mira eleitorado idoso com CBD no Medicare, mas sanciona lei que ameaça mercado de cânhamo

Publicada em 20/01/2026

Trump marca 1 ano de governo com guinada histórica na cannabis

O presidente Donald Trump assina uma ordem executiva reclassificando a maconha. Imagem: Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, completou nesta terça-feira (20) o primeiro ano de seu retorno à Casa Branca. O período é marcado por uma agenda de contrastes significativos para o setor da cannabis.

Em 12 meses, a administração republicana operou a maior mudança na política de drogas do país em cinco décadas. O governo assinou uma ordem executiva para reclassificar a planta como substância de menor risco.

Simultaneamente, sancionou restrições severas via Lei Agrícola. Essas medidas podem extinguir o mercado de produtos derivados do cânhamo, como o Delta-8, criando um cenário complexo para a indústria.


A reclassificação da cannabis e o impacto farmacêutico


A decisão mais aguardada pelo setor ocorreu em dezembro de 2025. Trump assinou a Ordem Executiva 14370, instruindo o Departamento de Justiça e a DEA a agilizarem a transferência da cannabis.

A substância sairá da Lista I (drogas sem valor medicinal, como heroína) para a Lista III (com uso médico aceito). A medida abre portas para a indústria farmacêutica e alivia a carga tributária das empresas estaduais licenciadas, embora não legalize o uso recreativo federal.

"Tenho o prazer de anunciar que assinarei uma Ordem Executiva para reescalonar a maconha com usos médicos legítimos", declarou Trump no Salão Oval. "Essa ordem de reclassificação tornará muito mais fácil conduzir pesquisas médicas relacionadas à maconha e terá um impacto tremendamente positivo."


Restrições ao cânhamo e o futuro da cannabis recreativa


O mercado de uso adulto não regulado sofreu um revés decisivo. Em novembro, ao renovar a Lei Agrícola (Farm Bill), Trump sancionou dispositivos que alteram a definição legal de cânhamo, impactando o acesso à cannabis recreativa alternativa.

A nova regra fecha a chamada "brecha de 2018", que permitia a venda de produtos psicoativos derivados do cânhamo em locais comuns. Agora, a legislação impõe um limite de 0,3% de "THC total" e fixa um teto de 0,4 miligramas de THC por embalagem.

Isso efetivamente criminaliza gomas e flores vendidas livremente em estados onde a cannabis recreativa ainda é proibida. Associações do setor estimam que a medida coloca em risco um mercado avaliado em US$ 28 bilhões.

Para analistas, o cenário é claro: o governo federal abraça a planta como insumo farmacêutico regulado. Em contrapartida, declara guerra aos produtos recreativos que operavam à margem da supervisão federal.


Pesquisa com cannabis medicinal e apoio aos idosos


Além da reclassificação, a Casa Branca lançou a iniciativa "Aumentando a Pesquisa sobre Maconha Medicinal e Canabidiol". O texto prevê um programa piloto para que o Medicare avalie o reembolso de produtos à base de canabidiol (CBD).

A estratégia busca atender aos idosos, uma base eleitoral chave do republicano, ampliando o acesso terapêutico à cannabis. Em vídeo divulgado nas redes sociais, que impulsionou as ações do setor na bolsa, Trump defendeu a medida.

"É hora de educar os médicos sobre o sistema endocanabinoide, fornecer cobertura para o CBD e dar a milhões de idosos o apoio que merecem", afirmou o presidente.