Vereador de Goiânia propõe Centro de Cannabis Medicinal e projeto é aprovado

Proposta amplia acesso gratuito, prevê cuidado multidisciplinar e integra associações e universidades na capital goiana

Publicada em 23/03/2026

Lucas Kitão, advogados e mães de pacientes na OAB Goiás durante criação de comissão sobre cannabis medicinal | Foto: Assessoria

Lucas Kitão, advogados e mães de pacientes na OAB Goiás durante criação de comissão sobre cannabis medicinal | Foto: Assessoria

Atravessar a cidade em busca de cuidado pode ser um caminho longo, especialmente para quem depende de tratamentos ainda cercados por barreiras. Em Goiânia, esse trajeto começa a ganhar um novo desenho. A capital aprovou a criação do Centro Municipal de Tratamento com Cannabis Medicinal (CMTCM), iniciativa que nasce com a proposta do vereador Lucas Kitão, tem como objetivo reunir acolhimento, acompanhamento e acesso em um só lugar.

A medida foi aprovada pela Câmara Municipal na última quarta (18) e integra uma série de políticas públicas voltadas ao uso terapêutico da cannabis na cidade. A proposta é ampliar o acesso ao tratamento, especialmente para pacientes que enfrentam dificuldades dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), como aponta a reportagem da Tribuna do Planalto e informações do próprio gabinete do vereador.

Procurado pela equipe do Portal Sechat, o vereador Lucas Kitão respondeu prontamente e detalhou os caminhos que levaram à construção do projeto. “A ideia do centro é justamente porque a gente viu que não bastava só conseguir o remédio. Precisava de um acompanhamento completo, com todas as especialidades, até para que a família seja amparada e o paciente tenha um retorno mais eficaz no tratamento”, explica.

Um passo além do acesso ao medicamento

Antes mesmo da criação do centro, Goiânia já havia avançado ao garantir, por lei, o fornecimento gratuito de medicamentos à base de cannabis pela rede municipal, um movimento que posicionou a capital entre as primeiras do país a regulamentar esse tipo de acesso.

Agora, o novo projeto amplia esse horizonte. A proposta do CMTCM é oferecer um cuidado contínuo e integrado, reunindo diferentes especialidades em um mesmo espaço.

Segundo Kitão, o centro foi pensado para atender às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Saúde, com estrutura capaz de receber recursos do SUS e também apoio por meio de emendas parlamentares. “É um espaço compacto, mas que vai conseguir obedecer a todas as exigências. E o melhor: vamos poder receber recursos do SUS para esses tratamentos”, afirma.

A construção de uma política pública

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Vereador Lucas Kitão propõe centro municipal de cannabis medicinal em Goiânia | Foto: Assessoria

A criação do centro não surge de forma isolada. Ela faz parte de uma trajetória construída a partir do diálogo com famílias, associações e pacientes que convivem com condições como epilepsia e síndromes raras. “Nossa história com a cannabis surgiu através das associações, do contato com mães de crianças com epilepsia. São comunidades que lutam por um tratamento que ainda é inacessível para muita gente no Brasil”, relata o vereador.

Ao longo dos últimos anos, Goiânia estruturou uma série de iniciativas relacionadas ao tema, incluindo:

O avanço, segundo ele, também acompanha uma mudança de percepção dentro do próprio poder público. “No começo, havia resistência. Com o tempo, os vereadores foram conhecendo casos de sucesso, alguém da família precisou… e as coisas foram caminhando. Esse último projeto foi aprovado por unanimidade”, destaca.

Atendimento multidisciplinar e formação de profissionais

Um dos pilares do novo centro é o atendimento multidisciplinar. A proposta inclui acompanhamento psicológico, psiquiátrico, nutricional e atividades físicas, além do suporte clínico.

A iniciativa também abre espaço para a participação de associações e universidades, tanto no atendimento quanto na formação de profissionais de saúde. “A gente quis integrar as associações e as universidades. Elas já fazem esse trabalho de apoio às famílias e podem contribuir muito, inclusive na formação de profissionais”, explica Kitão.

Atualmente, um dos desafios é justamente a falta de especialistas na rede pública capacitados para prescrever cannabis medicinal, cenário que o projeto pretende ajudar a transformar. “Hoje, nenhum médico da rede municipal se dispôs voluntariamente. A gente acredita que, com mais divulgação e estrutura, vamos conseguir formar esses profissionais”, afirma.

Um modelo em construção

Experiências semelhantes em cidades brasileiras serviram de referência para a proposta goianiense, que agora entra na fase de organização administrativa para sair do papel.

A expectativa é que, com o início das atividades, o próprio impacto do tratamento contribua para ampliar o alcance da política pública. “A gente precisa dar esse primeiro passo. O tratamento com cannabis fala por si só, os resultados vão aparecendo com o tempo”, conclui o vereador.