Testes de DNA que mapeiam o sistema endocanabinoide chegam ao Brasil

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Por Caroline Apple

Está chegando no mercado brasileiro dois testes de DNA capazes de mapear os genes do sistema endocanabinoide e auxiliar médicos e pacientes a encontrarem a melhor forma de tratamento com produtos à base de Cannabis. Com o resultado, é possível aumentar os índices de assertividade da dosagem, identificar a melhor cepa e até mesmo observar os possíveis riscos de dependência diante do uso crônico.

O primeiro teste que será vendido é o Strain Genie, que estará disponível para a compra no Brasil na próxima semana pelo site da Kannamed.

O CVO da empresa, Rodolfo Rosato, afirma que o teste é pioneiro nos EUA e que no resultado, todo em português, além do mapeamento de 90 genes, está incluso uma espécie de guia, que indica a melhor cepa, os canabinoides e terpenos e também o melhor produto para atender a “demanda genética”.

“Fizemos um levantamento dos produtos disponíveis aos pacientes brasileiros, tanto vendidos na Kannamed como nos concorrentes, e, juntamente com o mapeamento genético, vem as informações sobre o produto recomendado que ele pode encontrar em empresas nacionais de importação”, explica Rosato.

O CVO acredita que esse nível de informação sobre o paciente e o que é recomendando a ele diante dos resultados possa ajudar não só médicos, mas também associações e as pessoas que cultivam. “Eles saberão qual a melhor cepa. Isso pode eliminar boa parte da fase de testes e conseguir chegar a resultados positivos mais rápido”, afirma.

O valor do Strain Genies será de R$ 1.440 e poderá ser parcelado em até 12 vezes.

De olho no metabolismo

A outra opção é o teste MyCannabis Code, da Iproprium, que deverá chegar ao mercado em julho deste ano. A empresa é portuguesa, mas também atua nos EUA e agora no Brasil. Em seu corpo de cientistas está o brasileiro Fabrício Pamplona, idealizador do teste e CSO (Chief Scientific Officer) da empresa.

Pamplona afirma que o teste ajuda o médico a entender melhor a biologia do paciente para o qual ele está prescrevendo Cannabis e colabora na identificação dos pacientes que precisam de THC, principalmente em casos de dores crônicas, que é uma parcela significativa da população.

“São testes que utilizam de genotipagem, a identificação de traços genéticos, dos perfis genéticos, que auxiliam o médico a prescrever Cannabis. Com o teste é possível mapear os genes associados ao metabolismo de THC e CBD, permitindo que o médico realize o ajuste de doses. É uma forma de identificar o tipo de metabolismo, impactando numa possível economia no medicamento, no caso de quem tem o metabolismo mais lento, ou aumentando a dose daqueles que apresentam um metabolismo mais alto”, explica o CSO.

O MyCannabis Code mapeia 59 variantes de 22 genes, com marcadores do sistema endocanabinoide. O resultado é português. Ainda não há preço definido.

“Acredito que essa ferramenta se tornará essencial ou até mesmo indispensável na relação médico-paciente, com a vantagem que você faz uma vez só. Assim, você conhece o perfil [do paciente] seja para prescrição direta ou para quem já usa, melhorando a qualidade da orientação de uso. Isso vale para médicos mais experientes e para os que estão começando a prescrever agora”, afirma Pamplona.

Os dois testes são feitos com a coleta de saliva do paciente e enviados pelos Correios para os laboratórios, que ficam fora do Brasil.

Tratamento personalizado

Com o mapeamento genético em mãos, médicos e pacientes saem dos atendimentos “no escuro” e terão a chance de buscar o tratamento mais efetivos logo no primeiro momento ou aperfeiçoar o uso daqueles pacientes que já se medicam com a Cannabis.

De acordo com Pedro Pierro, neurocirurgião e consultor científico do Sechat, é a chance de deixar o tratamento mais assertivo e “vigiado” de perto.

” É um auxilio na tomada de decisão de qual óleo seria mais indicado para paciente e avaliar a necessidade de doses suplementares. Deixa o tratamento mais personalizado, diminuindo as chances de um efeito adverso e otimizando os resultados”, afirma Pierro.

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