A fonte verde de valor agregado para a indústria

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"Trata-se de um mercado estimado em US$ 18 bilhões para 2025, segundo dados da Associação Latino-Americana de Cânhamo Industrial (LAIHA, na sigla em inglês)" Diz Grecco. (Foto: Arquivo)

Coluna de Marcelo De Vita Grecco*

O cânhamo (Cannabis ruderalis), conhecido internacionalmente como hemp, é uma das espécies da cannabis e matéria-prima para milhares de utilizações industriais. Trata-se de uma riqueza que o País ainda não se permite usufruir, apesar de empreendedores lutarem diariamente para construir um ecossistema em torno da cadeia produtiva da cannabis no Brasil. A espera da definição do arcabouço jurídico se faz presente como uma sombra silenciosa, impedindo um ambiente minimamente seguro para que empresas dos mais diversos segmentos possam avançar em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos a partir da planta.

O cânhamo se desenvolve bem in natura, tipicamente cultivado ao ar livre, onde plantas machos e fêmeas são semeadas lado a lado para encorajar sua polinização pelo vento. A planta cresce vigorosamente, chegando a uma altura de 2 a 4 metros (Foto: Reprodução)

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Com a lentidão regulatória, o Brasil não só perde receitas, mas fica na contramão do mundo e atrás, até mesmo, de países menos avançados em termos tecnológico, tanto na produção agroindustrial quanto na capacidade de desenvolvimento de produtos de maior valor agregado à base de cânhamo.

O Brasil vive um momento econômico em que não pode nem deve descartar nenhuma fonte de receita. Sobretudo, quando para isso lhe sobram terra, água, clima, tecnologia e mão de obra disponível. E, ainda mais, na medida em que essas oportunidades não têm sido desperdiçadas, ao longo dos últimos anos, por grandes economias mundiais. Globalmente, cerca de 50 países têm alguma forma de extração e de gerar divisas com o cânhamo industrial.

A China e os Estados Unidos, maiores produtores mundiais de cânhamo, não perderam tempo em regulamentar e organizar a produção e o mercado em suas respectivas economias.

Ao contrário do Brasil, o governo chinês é um exemplo de como separar muito bem o joio do trigo, superando o estigma da planta, erroneamente associada à espécie de cannabis que possui o elemento psicoativo. A segunda economia do mundo, um regime politicamente fechado, é rígida e pune severamente, até com a morte, quem descumpre leis antidrogas. Mas, em contrapartida, é totalmente liberal e reconhece o cânhamo como riqueza natural capaz de gerar milhões de empregos e renda.

Nossos vizinhos mais próximos e parceiros no Mercosul, Uruguai e Paraguai, com economias menos desenvolvidas do que a de nosso País, enxergam nessa matéria-prima valor agregado para garantir receitas futuras que, certamente, irão robustecer suas respectivas economias. Outros países na América Latina, como Colômbia e México, também estão mais avançados em termos de marco regulatório do que nós, brasileiros. Conseguem vislumbrar a oportunidade de abocanhar uma boa parte da riqueza que essa fonte verde de valor agregado para a indústria irá proporcionar em poucos anos. Porém, somente para quem ousar sair na frente.

E o Brasil tem todo o ferramental para nadar de braçada nesse mar de oportunidades e conquistar o protagonismo que pode exercer neste setor. Haja vista toda a tecnologia que alçou o agronegócio brasileiro à posição de referência mundial em produtividade. Com certeza, esses predicativos contribuiriam em muito para uma produção de cânhamo nacional, de qualidade e eficiente do ponto de vista sustentável.

Esse movimento fortaleceria ainda mais as empresas do campo e garantiria matéria-prima para impulsionar uma indústria local de produtos à base de cânhamo. Isso sem contar que um novo item na balança comercial brasileira seria muito bem-vindo, gerando receitas externas adicionais ao nosso País por meio das exportações, reforçando a economia verde que há muito tempo sustenta boa parte do nosso Produto Interno Bruno.

A viabilidade econômica da cultura e a aplicação industrial de todas as partes do cânhamo estão mais do que evidenciadas em estudos mercadológicos e científicos. Trata-se de um mercado estimado em US$ 18 bilhões para 2025, segundo dados da Associação Latino-Americana de Cânhamo Industrial (LAIHA, na sigla em inglês). O giro de bilhões com produtos derivados do cânhamo na América Latina nos próximos anos se mostra cada vez mais tangível no horizonte. A fonte verde de valor agregado para a indústria mostra enorme potencial em uma gama crescente de produtos sendo desenvolvidos e comercializados em vários cantos do mundo.

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A matéria-prima oriunda do cânhamo ganha terreno gradativamente em diversas aplicações. No setor têxtil, por exemplo, já está na estratégia econômica e de sustentabilidade de empresas globais como Adidas, Nike e Levi’s.

A Levi Strauss & Co, fabricante mundial de jeans, desenvolveu, nos Estados Unidos, um composto de algodão e cânhamo que garante robustez ao produto final sem comprometer a maciez das peças de vestuário. Os jeans da marca são fabricados com uma proporção de 69% de fibras de algodão e 31% de fibras de cânhamo. Mas o percentual de cânhamo na confecção deve ganhar muito mais relevância na produção da empresa.

Em cerca de seis anos, a meta da Levi’s é aplicar esse blend de algodão e cânhamo em 100% das peças de vestuários fabricados pela empresa, segundo declarou ao Business Insider Paul Dillinger, vice-presidente e head global de Inovação de Produtos da Levi Strauss & Co. Ele afirma que as pesquisas da companhia buscam aumentar gradativamente essa proporção de cânhamo na mistura com algodão até se aproximar de 50% para a maioria das roupas. A ideia é chegar a linhas 100% de cânhamo como se fossem 100% algodão.

O executivo garante que o uso do cânhamo não ficará restrito apenas a um pequeno nicho de mercado. Ele declara que a companhia quer que produtos resultantes da aplicação desse blend estejam em todo o portfólio de produtos da marca. Isso demonstra, lamentavelmente, o quanto ainda estamos distantes da realidade da aplicação do cânhamo industrial em outros países.

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Lá na frente, com certeza, calcularemos o custo a ser pago por ainda não estarmos hoje participando plenamente desse mercado em ascensão. O Brasil não pode ficar apartado e ainda tão distante dessa realidade cada vez mais presente no cotidiano global.

*Marcelo De Vita Grecco é cofundador, head de Negócios da The Green Hub e colunista do Sechat

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

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