Em busca do novo

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A colunista propõe que tenhamos um olhar novo, para ressignificar as perspectivas da maconha, devolvendo o seu atributo essencial: o de ser uma planta com poder de cura (Foto: Arquivo pessoal)

Coluna de Maria Ribeiro da Luz*

Alice Walker, 77 anos, é das escritoras mais relevantes do contemporâneo. Se você assistiu o filme “A Cor Púrpura”, leu de alguma maneira a romancista, poetisa e ativista norte-americana. Inspirei-me no texto de Alice para me apresentar porque essa é a minha primeira coluna aqui, e é consequência de uma transformação em pleno movimento, algo que ela descreve muito bem no trecho do livro “Living by the Word: Essays”, que compartilho a seguir:

“Alguns períodos do nosso crescimento são tão confusos que nem sequer reconhecemos que o crescimento está acontecendo…Nunca nos ocorreria, a menos que tropeçássemos num livro ou numa pessoa que nos explicasse, que estávamos de fato no processo de mudança, de nos tornarmos de fato maiores, espiritualmente, do que éramos antes. Sempre que crescemos, tendemos a senti-lo, como uma jovem semente deve sentir o peso e a inércia da terra ao procurar sair da sua casca no seu caminho para se tornar uma planta. Muitas vezes a sensação é tudo menos agradável. Mas o que é mais desagradável é não saber o que está acontecendo. Aqueles longos períodos em que algo dentro de nós parece estar à espera, prendendo a respiração, sem saber qual deve ser o próximo passo, acabam por se tornar os períodos que esperamos, pois é nesses períodos que nos damos conta de que estamos sendo preparados para a fase seguinte da nossa vida e que, muito provavelmente, um novo nível da personalidade está prestes a ser revelado.”

Ao ler esse texto, com clareza e recuo, pude identificar o processo e o que me levou para o universo da Cannabis. 

Venho há algum tempo explorando o mercado e a cultura cannábica com respeito, estudos, e assumo, um certo frio na barriga, característico de qualquer nova empreitada.

Venho há algum tempo explorando o mercado e a cultura cannábica com respeito, estudos, e assumo, um certo frio na barriga, característico de qualquer nova empreitada. Prefiro deixar claro logo ao chegar: entre Brasil e França, venho de 20 anos de experiência profissional num mercado bem diferente do canábico, o mercado da moda.

Não foi um processo automático, foi acontecendo primeiro internamente, para depois se confirmar por meio da troca com pessoas à minha volta, naturalmente divididas por 3 principais movimentos:

Pelo papo dos conservadores, que me disseram sem vacilar, que consagrar meu tempo estudando maconha não seria uma ideia muito inteligente, ainda mais com uma carreira bem traçada no mundo da moda.

Pelo interesse e curiosidade (ainda que hesitante) de pessoas que quiseram entender como a maconha, essa substância tão marginalizada quanto celebrada, “virou” remédio.

Pelo incentivo daqueles que, hoje considerados vanguardistas, vibraram com a minha nova escolha.

Este processo de diversificação profissional, e a vontade de expandir meu conhecimento, se confundem com a evolução da aceitação da planta, que vem se desenvolvendo para ocupar o espaço, que há muito tempo lhe foi podado.

Este processo de diversificação profissional, e a vontade de expandir meu conhecimento, se confundem com a evolução da aceitação da planta, que vem se desenvolvendo para ocupar o espaço, que há muito tempo lhe foi podado.

Em tempos como o de hoje, em que a ciência é lamentavelmente questionada, é de extrema importância que ela se fortaleça cada vez mais. Assim, falar, estudar e desmistificar a Cannabis, especialmente em 2021, é algo fundamental e urgente. Afinal, validar as propriedades de uma planta é uma resolução científica e não política, como tem acontecido nos últimos dois séculos.

Apesar da atmosfera de controvérsia e preconceito em que a cannabis está inserida, ela vem sendo cultivada e utilizada em suas mais diversas formas desde os primórdios das civilizações. A maconha estava listada no mais antigo livro de medicina chinesa, a farmacopeia imperador Shennong Bencao Jing, de 2800 a.C. 

Apesar da atmosfera de controvérsia e preconceito em que a cannabis está inserida, ela vem sendo cultivada e utilizada em suas mais diversas formas desde os primórdios das civilizações. A maconha estava listada no mais antigo livro de medicina chinesa, a farmacopeia imperador Shennong Bencao Jing, de 2800 a.C. 

Quando analisamos o contexto histórico e científico da cannabis, os estudos atuais validam a utilização farmacológica da planta nos primórdios, através dos diversos relatos de exploradores, historiadores e etnofarmacólogos espalhados geograficamente pelo mundo. De fibra têxtil à recurso medicinal para enfermidades intratáveis, a complexidade bioquímica da planta e seus diversos e exclusivos canabinóides possibilitaram à humanidade um leque de funcionalidades terapêuticas. 

A humanidade precisa de cura. O atributo fundamental da cannabis é a cura, a terapia, o apoio. Uma nova coexistência do ser humano com a Cannabis tem potencial de gerar transformações profundas e necessárias. 

Portanto, começo aqui nesse espaço, propondo um olhar novo, e com mais benevolência para todos esses estados de confusão que precedem um período de crescimento, de evolução.

Portanto, começo aqui nesse espaço, propondo um olhar novo, e com mais benevolência para todos esses estados de confusão que precedem um período de crescimento, de evolução.

Eu passei por esse processo. Talvez você  esteja vivenciando esse lugar agora. Certamente o mercado da Cannabis está nesse estágio no Brasil. Olhar para o novo e para a transformação sem preconceitos é necessário para a integração de uma perspectiva possivelmente reveladora de uma realidade mais humana e coerente.

Essa é uma boa hora para reavaliar, erradicar preconceitos e se colocar como agente transformador do mundo que já cansamos de criticar. Deixo esse convite para você. 

Essa é uma boa hora para reavaliar, erradicar preconceitos e se colocar como agente transformador do mundo que já cansamos de criticar. Deixo esse convite para você. 

E, aqui, me coloco no papel de porta voz da cannabis, para amplificar a mensagem e ressignificar as perspectivas da maconha, devolvendo o seu atributo essencial: o de ser uma planta com poder da cura.

*Maria Ribeiro da Luz é graduada em design de moda no Brasil e na França e colunista do Sechat

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

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