Futuro promissor ?

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(Imagem: Arquivo/Sechat)

Por Tiago Zamponi

As vendas canadenses de maconha para uso adulto podem chegar a 4,8 bilhões de dólares canadenses (US$ 3,8 bilhões) este ano, o que seria 19% a mais do que o valor apreciado em 2021. Estima-se uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) do mercado de cannabis recreativo em cerca de 13,4% entre 2021 e 2030, quando as vendas podem chegar a US$ 12,3 bilhões.

Em março de 2022, as vendas de cannabis para tal fim atingiram um recorde histórico de quase 358,8 milhões de dólares canadenses (US$ 279,6 milhões), segundo dados da Statistics Canada. Esse número representa uma recuperação de 10,7% nas vendas da planta em relação a fevereiro, embora março tenha três dias a mais que fevereiro. 

O fato é que esses números trouxeram alívio ao mercado que vinha vendo queda nas vendas desde dezembro, bem como o risco de recessão por conta da pandemia (inflação). É importante ressaltar que os produtores estão se reestruturando, fazendo investimentos, para conseguir cortar custos para oferecer um preço mais competitivo, já que o mercado não quer pagar mais do que CAD$ 6 por grama de cannabis. Assim, a queda nas vendas desde dezembro de 2021 estava causando desconforto aos produtores. Vale destacar que as vendas em janeiro foram de CAD$ 346 milhões e em fevereiro, CAD$ 324 milhões.

 Em Ontário, as vendas atingiram CA$ 145 milhões, representando 40,4% do total mensal nacional em março, um aumento de 10,9% em relação a fevereiro, enquanto em Alberta foram CA$ 63,2 milhões, um aumento de 9,9% mês a mês e em British Columbia (CB), as vendas mensais aumentaram 21,3% em relação a fevereiro, para CA$ 56,2 milhões.

A título de informação, o estado de Ontário tem o maior mercado de cannabis, com quase 1520 lojas, seguido por Alberta com 758 lojas e Colúmbia Britânica com 436 lojas. De acordo com a Cannabis Benchmarks, estima que o Canadá pode sustentar mais de 5.100 varejistas de cannabis. O país está muito aquém dessa meta, com 3.162 lojas em todo o país no final de abril.

É importante notar que nos estados de Ontário e British Columbia, os varejistas competem com o governo estadual, pois o governo também possui sua própria rede de lojas.

Embora as vendas estejam crescendo, os produtores enfrentam dificuldades devido à concorrência de preços, custos operacionais, fragmentação da indústria e outros. Outro fator que está causando muitos prejuízos são as restrições de comercialização, que impedem os produtores de agregar valor às suas marcas. O governo está disposto a flexibilizar a regulamentação, assunto já abordado em outros artigos, porém esse processo ainda é muito lento.

No entanto, estamos vendo pequenas e médias empresas ganhando cada vez mais participação de mercado, em grande parte pelo foco, execução contínua e, principalmente, na minha opinião, ouvindo o que os consumidores desejam.

Ouvir a demanda do mercado tem sido um grande diferencial para médias e pequenas empresas, visto que é mais fácil adequar sua linha de produção (já que não possuem um grande portfólio) aos anseios do mercado.

Como exemplo, na categoria de flores (dried flower), o que impulsiona as vendas é a concentração de THC. No entanto, para atingir uma alta concentração de THC, é preciso ter um processo de plantio muito rigoroso, no qual é preciso controlar diversas variáveis, como água, exposição à luz, solo e nutrientes. Além do fato de que o custo operacional é imenso quando se fala em 2000 ou mais pés de cannabis. 

No entanto, há oportunidade no mercado de novas cepas, mesmo que a concentração de THC não seja alta. Hoje no Canadá existem 300 cepas, enquanto nos Estados Unidos esse número ultrapassa 1000.

O futuro será brilhante se mais produtores e o governo entenderem a cannabis como um bem de consumo embalado ou CPG (bem de consumo embalado é um item que os clientes compram e usam com frequência. Como um indivíduo usa esse tipo de produto diariamente, o usuário médio substitui ou reabastece o produto de forma consistente) focado nas necessidades dos consumidores. 

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e não correspondem, necessariamente, à posição do Sechat.

Sobre o autor:

Tiago Zamponi é advogado, mora no Canadá, trabalha com desenvolvimento de negócios e atualmente é diretor de vendas na Molecule, uma empresa canadense de bebidas de cannabis.

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