A transformação da percepção dos idosos em relação à cannabis medicinal

Renovação sênior: Idosos abraçam a cannabis medicinal impulsionando busca e adesão aos tratamentos com canabinoides

Publicada em 20/01/2024

capa
Compartilhe:

Por Natália Candiago - médica com foco na endocanabinologia

Nos últimos anos, temos observado uma notável mudança na percepção dos idosos em relação à cannabis, resultando em um aumento significativo na procura e aderência a tratamentos com fitocanabinoides.

Anteriormente associada a estigmas e preconceitos, a cannabis medicinal tem emergido como uma opção terapêutica promissora para uma variedade de condições que afetam a população idosa.

Leia também: Curso para médicos em SP está com vagas abertas

Idosos, muitas vezes, enfrentam desafios específicos de saúde e podem encontrar na cannabis uma abordagem mais tolerável e personalizada para suas necessidades.

Em primeiro lugar, evidências indicam que os fitocanabinoides podem ser eficazes no alívio da dor crônica, uma preocupação comum entre os idosos. Além disso, alguns estudos sugerem que esses compostos podem ajudar no tratamento de distúrbios do sono, contribuindo para uma melhora na qualidade de vida.

Outro ponto relevante é o papel dos fitocanabinoides na redução da inflamação, o que pode ser benéfico em condições associadas ao envelhecimento, como artrite. Alguns idosos também relatam uma melhoria no humor e no bem-estar emocional com o uso controlado de canabinoides.

"À medida que mais pesquisas destacam os benefícios dos canabinoides no tratamento de condições como dor crônica (fibromialgia, artrose, neuralgias), doenças inflamatórias (artrites), insônia e até mesmo doenças neurodegenerativas (Parkinson, Alzheimer), os idosos têm buscado alternativas mais naturais, porém eficazes para melhorar sua qualidade de vida."

O emprego de canabinoides na neuroprevenção em idosos tem sido explorado como uma área promissora de pesquisa. Evidências sugerem que esses compostos podem desempenhar um papel na proteção do sistema nervoso, especialmente em condições associadas ao envelhecimento, como doenças neurodegenerativas. A capacidade potencial dos canabinoides em reduzir a inflamação e modular processos neurodegenerativos oferece uma perspectiva intrigante para a prevenção de distúrbios neurológicos em idosos.

Contudo, é crucial conduzir estudos mais aprofundados para compreender plenamente os mecanismos envolvidos, os possíveis efeitos colaterais e estabelecer protocolos seguros e eficazes. O uso de canabinoides na neuroprevenção em idosos permanece uma área de investigação dinâmica, com a necessidade contínua de evidências científicas robustas.

A procura por tratamentos baseados em canabinoides também reflete a busca por opções que possam minimizar os efeitos colaterais associados a medicamentos tradicionais. Em alguns casos de polifarmácia, após uma resposta terapêutica à introdução dos fitocanabinoides, o desmame de medicações, principalmente as hepatotoxicas (que causam danos ao fígado), pode ser possível.

Outra possibilidade benéfica é o desmame de Benzodiazepínicos (Diazepam, Clonazepam (Rivotril), Alprazolam) e também de indutores do sono (Zolpidem, Prysma..). Essa medicações podem apresentar efeitos colaterais prejudiciais em idosos, como perda do equilíbrio, quedas que podem ocasionar fraturas, confusão mental, comprometimento da memória.

No entanto, é crucial abordar a terapia com canabinoides com cautela, considerando fatores como interações medicamentosas e possíveis efeitos colaterais.

Pesquisas contínuas são necessárias para compreender completamente os benefícios e riscos associados ao uso de canabinoides em idosos, visando garantir uma abordagem segura e eficaz para essa população.

É essencial, também, garantir que esse aumento na aderência seja acompanhado por uma orientação médica adequada. Profissionais de saúde desempenham um papel crucial ao educar os idosos sobre os benefícios e possíveis riscos associados ao uso de canabinoides, garantindo assim uma abordagem segura e eficaz para o tratamento.

Em última análise, a mudança na percepção dos idosos em relação à cannabis destaca a evolução contínua na compreensão dos benefícios terapêuticos dos canabinoides. Com um enfoque equilibrado na pesquisa, orientação médica e educação pública, podemos esperar que mais idosos se beneficiem dessas opções de tratamento inovadoras e, assim, melhorem sua qualidade de vida.