Anvisa alerta para riscos das “canetas emagrecedoras” e debate sobre alternativas terapêuticas cresce
Anvisa alerta para risco de pancreatite e reforça que canetas emagrecedoras exigem prescrição e acompanhamento médico.
Publicada em 11/02/2026

Imagem ilustrativa de caneta emagrecedora utilizada para controle de peso. A Anvisa reforçou que esses medicamentos devem ser usados apenas com prescrição e acompanhamento médico, após registro de notificações de pancreatite e outros eventos adversos. | C
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu novo alerta sobre o uso dos medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”. A orientação é clara: esses remédios devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações da bula, com prescrição e acompanhamento médico.
Segundo a agência, há risco de eventos adversos graves, como pancreatite aguda, condição que pode evoluir para necrose e até levar à morte. Entre 2020 e o ano passado, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados aos princípios ativos desses medicamentos e a diferentes tipos de pancreatite. Seis casos tiveram desfecho de óbito. Considerando também notificações coletadas em pesquisa clínica, o número total chega a 225 registros.
A Anvisa ressalta que as notificações são suspeitas e ainda não comprovadas. Mesmo assim, os dados mostram crescimento progressivo: de 28 casos em 2024 para 45 no resultado parcial do ano passado.
O cenário é global. A Agência Reguladora de Medicamentos do Reino Unido informou que, entre 2007 e outubro de 2025, recebeu quase 1,3 mil notificações de pancreatite associadas a medicamentos semelhantes, incluindo 19 mortes.
Além da pancreatite, a Anvisa já havia alertado, em 2024, que o uso dessas medicações associado à anestesia ou sedação profunda pode aumentar o risco de pneumonia. Também foi comunicado que a semaglutida, um desses injetáveis, pode causar, em alguns casos, perda de visão irreversível.
Desde junho, está em vigor resolução que determina a venda desses medicamentos apenas com retenção de receita médica.

Uso indiscriminado e riscos clínicos
Para a médica Paula Vinha, da Medicina Integrativa Personalizada, o principal problema não está apenas na substância em si, mas na forma como vem sendo utilizada.
Ela explica que esses medicamentos atuam diretamente nos hormônios intestinais e pancreáticos, interferindo nos mecanismos de apetite, esvaziamento gástrico e metabolismo. Por isso, exigem avaliação clínica individualizada, exames regulares e monitoramento contínuo.
Segundo a especialista, quando há prescrição adequada, acompanhamento médico estruturado e uso de produto com origem reconhecida e certificado de análise, o risco tende a ser controlado dentro do esperado para qualquer terapia farmacológica. O aumento das notificações, na visão dela, está associado principalmente ao uso sem critério, sem acompanhamento e, em alguns casos, com produtos de procedência duvidosa.
THC-V como abordagem moduladora
Dentro da medicina integrativa, Paula Vinha aponta o THC-V, um fitoterápico derivado da cannabis, como alternativa terapêutica para pacientes que buscam controle metabólico com perfil de acompanhamento personalizado.
De acordo com a médica, o THC-V pode atuar em mecanismos relacionados ao apetite e ao metabolismo, com efeito mais discreto quando comparado às canetas injetáveis. Na prática clínica, ele pode ser utilizado tanto no desmame dessas medicações quanto como estratégia inicial para pacientes que optam por não utilizá-las.
Ela destaca que a conduta não é padronizada: as doses são ajustadas conforme o perfil metabólico, emocional e o padrão de resposta individual. Frequentemente, o THC-V é associado ao CBD, especialmente para modular ansiedade e favorecer a adesão ao tratamento.
A médica reforça que, assim como ocorre com as canetas injetáveis, o uso do THC-V também exige acompanhamento profissional. “Sempre que qualquer substância é utilizada sem critério, sem orientação e com produtos de origem duvidosa, pode haver complicações. Isso vale para toda a medicina”, pontua.
Segurança e individualização no centro do debate
O crescimento das notificações e os alertas regulatórios colocam em evidência uma questão central: o emagrecimento farmacológico não é isento de riscos e exige supervisão técnica.
Mais do que discutir apenas a eficácia, o debate passa a envolver segurança, rastreabilidade dos produtos e responsabilidade na prescrição. Nesse contexto, abordagens moduladoras, como o uso de fitoterápicos dentro de protocolos individualizados, ganham espaço como parte de uma estratégia terapêutica personalizada — sempre sob acompanhamento médico.
Para a médica Paula Vinha, a orientação é objetiva: qualquer estratégia para emagrecimento precisa ser conduzida com responsabilidade clínica, avaliação individual e monitoramento contínuo. Seja com medicamentos injetáveis ou com fitoterápicos como o THC-V, a decisão terapêutica deve ser personalizada, baseada em critérios técnicos e acompanhada por profissional habilitado, evitando o uso indiscriminado e os riscos associados à automedicação.



