Além da “larica”: cannabis pode influenciar perda de peso e saúde metabólica
Estudo investigou como o THC isolado e extratos integrais de cannabis atuam na obesidade induzida por dieta e na regulação metabólica
Publicada em 13/05/2026

Cientistas investigam relação entre cannabis e saúde metabólica | CanvaPro
A cannabis continua surpreendendo a ciência. Enquanto o imaginário popular ainda associa a planta ao aumento do apetite, pesquisadores agora tentam entender outro fenômeno observado há anos em estudos populacionais: usuários frequentes de cannabis costumam apresentar menores índices de obesidade e menor risco de diabetes tipo 2.
Um estudo investigou como o THC e extratos integrais de cannabis atuam na saúde metabólica de animais obesos submetidos a dietas hipercalóricas.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade da Califórnia em Riverside, nos Estados Unidos, e lança luz sobre o papel do sistema endocanabinoide no metabolismo, na glicose e no armazenamento de gordura corporal.
THC isolado e extrato integral tiveram efeitos diferentes
Segundo os pesquisadores, os animais tratados com THC isolado apresentaram perda de peso. No entanto, o grupo que recebeu extratos integrais da cannabis, contendo THC associado a outros compostos naturais da planta, demonstrou efeitos metabólicos mais amplos.
Além da redução de peso corporal, os cientistas observaram melhora na regulação da glicose, redução da inflamação metabólica e melhora da chamada “disfunção adipoinsular”, mecanismo relacionado à comunicação entre tecido adiposo e pâncreas.
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De acordo com a publicação científica, os resultados sugerem que compostos adicionais da cannabis podem exercer papel importante no metabolismo energético e no controle glicêmico.
O estudo reforça uma hipótese cada vez mais discutida na ciência da cannabis: o chamado “efeito entourage”, teoria que aponta que os compostos da planta atuam de forma sinérgica, potencializando efeitos terapêuticos.
Pesquisa amplia debate sobre cannabis e metabolismo
A publicação também chama atenção pelo espaço científico em que foi divulgada. O The Journal of Physiology é considerado um dos periódicos mais respeitados da fisiologia experimental e frequentemente reúne estudos ligados à endocrinologia, metabolismo e doenças crônicas.
Nos últimos anos, pesquisas envolvendo cannabis medicinal passaram a investigar possíveis impactos da planta em condições relacionadas à obesidade, resistência à insulina e inflamações metabólicas.
Estudos anteriores já haviam apontado que usuários frequentes de cannabis apresentam menor circunferência abdominal e melhores indicadores metabólicos, embora os mecanismos biológicos ainda não estejam completamente esclarecidos.
Agora, os autores do novo estudo indicam que a interação entre diferentes compostos da cannabis pode influenciar diretamente hormônios ligados ao metabolismo energético e ao controle da glicose.
Sistema endocanabinoide ganha espaço em pesquisas científicas
O sistema endocanabinoide é uma rede biológica presente no organismo humano responsável por regular funções como apetite, sono, dor, memória e metabolismo.
Pesquisadores acreditam que alterações nesse sistema possam estar relacionadas a doenças metabólicas e inflamatórias, o que vem ampliando o interesse científico sobre canabinoides como THC, CBD e CBG.
Embora os resultados sejam considerados promissores, os autores reforçam que a pesquisa ainda é pré-clínica e foi realizada em modelos animais. O estudo não recomenda o uso de cannabis como tratamento para obesidade ou diabetes sem acompanhamento médico e sem validação clínica em humanos.
Ainda assim, a publicação fortalece o avanço das investigações científicas sobre cannabis medicinal e amplia o debate internacional sobre novas possibilidades terapêuticas ligadas ao metabolismo e à saúde integrativa.


