Cannabis medicinal: Brasil como referência global
Avanços regulatórios e potencial científico colocam o país no radar de investidores internacionais e consolidam setor veterinário
Publicada em 02/02/2026

Durante a última edição do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal (CBCM), Steve Molloy, executivo norte-americano, destacou o potencial nacional da cannabis. Imagem: Canva Pro
O mercado brasileiro de cannabis medicinal desperta a atenção de players internacionais devido ao seu volume populacional. Além disso, o avanço de pesquisas em áreas ainda pouco exploradas na Europa, como a medicina veterinária, atrai olhares estrangeiros.
Durante a última edição do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal (CBCM), Steve Molloy, executivo norte-americano, destacou o potencial nacional. Baseado em Amsterdã e representante de uma produção na Macedônia do Norte, ele vê um diferencial competitivo no engajamento dos profissionais locais.
O relato ocorre em um momento de alta expectativa para a 5ª edição do evento. O encontro será realizado em maio de 2026, em São Paulo, prometendo reunir as principais autoridades do setor.

Produção internacional e interesse na cannabis medicinal
Molloy atua em uma operação que produz anualmente duas toneladas de flores secas e extratos medicinais. Com certificação EUGMP, a empresa exporta para mercados consolidados como Alemanha, Inglaterra e Suíça, mas prioriza a entrada no Brasil.

O especialista, que acompanha a abertura de fronteiras em diversos países, observa que o Brasil vive um período de maturação. "Eu acho que vai mudar muito rápido aqui quando eles abrirem. Todo mundo está já cansado porque estava esperando tanto tempo e eles não podem ver que está chegando", avaliou.
No fim de janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou resoluções históricas para o setor. A autarquia definiu as regras para o cultivo nacional, dividindo-o em três frentes: associativa, científica e industrial.
O modelo industrial exige autorização especial para variedades com até 0,3% de THC, focando na produção de insumos farmacêuticos. Já as associações de pacientes entram em um "Sandbox Regulatório", permitindo o cultivo sem fins lucrativos sob supervisão sanitária.
Outra mudança crucial foi a atualização da RDC 327, que liberou a atuação das farmácias de manipulação. A norma permite que o setor magistral produza derivados de cannabis medicinal, ampliando o acesso e a personalização dos tratamentos no país.
Pesquisa veterinária como diferencial competitivo
Um dos pontos que mais impressionou o executivo no cenário local foi o desenvolvimento da cannabis medicinal na medicina veterinária. O setor terá um módulo exclusivo, o VetCannabis, na edição de 2026 do CBCM.
Molloy destacou que essa aplicação é rara até mesmo em mercados desenvolvidos da Europa. "Nunca vi algo igual em outro país. Na Alemanha, que é o mercado maior na Europa, talvez tem, mas eu nunca vi falar", comparou.
Para ele, a possibilidade de conduzir pesquisas clínicas com animais pode acelerar a comprovação da eficácia dos tratamentos. "Isso é muito importante para fazer a pesquisa, para ver que está funcionando bem", afirmou o executivo.
Perspectivas para o 5º CBCM
O depoimento de Molloy reforça o papel do CBCM como hub de networking e atualização científica sobre cannabis medicinal. O executivo ressaltou que a "paixão" dos participantes brasileiros é essencial para a sustentabilidade da indústria.
A 5ª edição do congresso ocorrerá entre os dias 21 e 23 de maio de 2026, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. O evento contará com módulos especializados em áreas como MedCan, OdontoCannabis e Agro & Tech.
O encontro ocorrerá simultaneamente à Cannabis Fair, reunindo marcas e especialistas. A expectativa é debater os novos rumos da regulamentação e as oportunidades de negócios no país.
Serviço
Evento: 5º Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal (CBCM)
Data: 21 a 23 de maio de 2026
Local: Transamerica Expo Center – São Paulo, SP
Garanta seu ingresso aqui: Cannabis Fair | CBCM



