Consumo de cannabis segue estável na Europa, mas cidades mostram tendências opostas
Análise de águas residuais revela que 8,4% dos adultos europeus consumiram cannabis em 2025, com variações regionais relevantes
Publicada em 19/03/2026

Relatório europeu aponta estabilidade no consumo de cannabis com variações entre cidades
A cannabis segue como a droga ilícita mais consumida na Europa em 2025, segundo relatório recente da Agência Europeia de Drogas (EUDA). A análise aponta que cerca de 24 milhões de adultos — o equivalente a 8,4% da população entre 15 e 64 anos — relataram uso no último ano, mantendo estabilidade em relação aos períodos anteriores.
O estudo utilizou a metodologia de epidemiologia baseada em águas residuais, prática adotada desde 2011 e coordenada pelo grupo SCORE (Sewage Analysis Core Europe). Ao todo, foram analisadas amostras de esgoto de 115 cidades em 25 países entre março e maio de 2025, permitindo mapear padrões de consumo em larga escala.
Apesar da estabilidade geral nos níveis do metabólito THC-COOH — principal indicador do uso de cannabis — os dados revelam uma realidade mais complexa no nível local. Entre 63 cidades com dados comparáveis a 2024, 33% registraram aumento no consumo, enquanto 44% apresentaram queda e 22% permaneceram estáveis.
Essa divergência indica que fatores como políticas públicas sobre cannabis, acesso ao mercado, preços e comportamento do consumidor têm impactado de forma desigual diferentes regiões do continente.
Geograficamente, o consumo permanece mais concentrado na Europa Ocidental e Central, com destaque para cidades da Alemanha, Holanda e Eslovênia. Já a Europa Oriental apresenta níveis significativamente menores — padrão que se mantém consistente ao longo dos anos.
Outro ponto relevante é o perfil de consumo: ao contrário de substâncias como cocaína e MDMA, associadas a picos de uso nos fins de semana, a cannabis apresenta um padrão mais constante ao longo da semana, sugerindo um uso mais habitual e disseminado entre a população.
Esse comportamento está alinhado com estudos recentes sobre uso medicinal e terapêutico da cannabis, que indicam uma base de usuários mais regular e contínua.
Embora eficaz para identificar tendências, a análise de águas residuais possui limitações. A metodologia não permite determinar o número exato de usuários, frequência de consumo ou potência dos produtos utilizados, sendo considerada uma ferramenta complementar às pesquisas tradicionais.
O cenário europeu também dialoga com o avanço do mercado global de cannabis, especialmente em regiões que vêm adotando modelos regulatórios mais flexíveis.
À medida que países como Alemanha e Holanda avançam em modelos regulatórios, especialistas apontam que as diferenças entre cidades devem se intensificar, tornando-se indicadores estratégicos para políticas públicas e oportunidades de mercado.
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Fonte: Prohibition Partners | Business of Cannabis

