Fevereiro Roxo e Laranja alerta para Alzheimer, Lúpus, Fibromialgia e Leucemia; veja os avanços no cuidado com cannabis medicinal

Campanha reforça a importância do diagnóstico precoce e aponta a cannabis medicinal como aliada no controle de sintomas e na qualidade de vida de pacientes

Publicada em 02/02/2026

Fevereiro Roxo e Laranja alerta para Alzheimer, Lúpus, Fibromialgia e Leucemia e destaca avanços no cuidado com cannabis medicinal

Imagem: Canva Pro

Fevereiro vai além do Carnaval e se consolida como um mês estratégico de conscientização sobre doenças crônicas e graves, simbolizadas pelas cores roxa e laranja. A campanha chama atenção para o Alzheimer, Lúpus, Fibromialgia e Leucemia, condições que impactam milhões de pessoas e que, quando identificadas precocemente, permitem tratamentos mais eficazes, melhor controle dos sintomas e mais qualidade de vida.

Instituições de referência, como o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, promovem ao longo do mês ações educativas voltadas a pacientes, acompanhantes e profissionais da saúde, reforçando a importância da informação, do acompanhamento médico contínuo e da adesão ao tratamento.

Paralelamente aos protocolos tradicionais, cresce o debate científico sobre o uso da cannabis medicinal como terapia complementar, especialmente no manejo da dor crônica, inflamação, distúrbios do sono, ansiedade e sintomas neurológicos, comuns a essas doenças.

 

Alzheimer: neurodegeneração progressiva e novos caminhos terapêuticos

 

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva marcada pelo declínio cognitivo, perda de memória, desorientação espacial e dificuldades de linguagem. Atualmente, a condição integra um cenário alarmante de saúde pública global: a cada três segundos, uma pessoa no mundo desenvolve algum tipo de demência. Em 2020, mais de 55 milhões de pessoas viviam com demência, número que deve chegar a 78 milhões até 2030 e atingir 139 milhões em 2050, impulsionado principalmente pelo envelhecimento populacional em países de baixa e média renda.

Além de afetar diretamente o paciente, o Alzheimer impõe impactos profundos a familiares e cuidadores, exigindo acompanhamento contínuo, suporte multidisciplinar e estratégias que vão além do tratamento farmacológico tradicional.

Nesse contexto, pesquisas científicas vêm investigando o papel dos canabinoides, especialmente o CBD, como terapia complementar. Estudos apontam potencial atuação no controle da agitação, ansiedade, distúrbios do sono e sintomas comportamentais, além de efeitos neuroprotetores que podem contribuir para retardar a progressão de alguns sintomas. Embora não exista cura para a doença, a cannabis medicinal desponta como uma ferramenta adicional para promover conforto, bem-estar e qualidade de vida, sempre com acompanhamento médico especializado.

 

Lúpus: doença autoimune, inflamação sistêmica e qualidade de vida

 

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica em que o organismo produz anticorpos em excesso, passando a atacar tecidos e órgãos saudáveis. Pele, articulações, rins, pulmões e sistema nervoso estão entre os principais alvos da inflamação.

Segundo o Ministério da Saúde, o LES representa cerca de 70% dos casos de lúpus, afetando majoritariamente mulheres em idade fértil. O diagnóstico envolve avaliação clínica detalhada e exames laboratoriais, como a identificação do fator antinúcleo (FAN).

Especialistas do HC da Unicamp destacam avanços importantes no tratamento, com o uso de hidroxicloroquina, corticosteroides e imunobiológicos, conforme a gravidade do quadro. Nesse cenário, a cannabis medicinal, por suas propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras, pode auxiliar no controle da dor, fadiga e inflamações persistentes. O tema é aprofundado na reportagem Lúpus, cavidade oral e a cannabis medicinal.

 

Fibromialgia: dor crônica e impacto funcional

 

A Fibromialgia é uma síndrome crônica caracterizada por dor difusa pelo corpo, especialmente em músculos e tendões, além de fadiga intensa, sono não reparador, ansiedade e depressão. No Brasil, a condição afeta cerca de 3% da população, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, com maior prevalência entre mulheres.

De acordo com especialistas do HC da Unicamp, a fibromialgia é considerada um distúrbio da modulação da dor, relacionado a alterações no sistema nervoso central e na regulação de neurotransmissores como serotonina e noradrenalina. O diagnóstico é clínico e feito por exclusão.

A cannabis medicinal vem ganhando espaço como opção complementar no tratamento, principalmente no alívio da dor crônica, na melhora do sono e na redução da ansiedade, fatores diretamente ligados à qualidade de vida dos pacientes.

 

Leucemia: tratamento oncológico e cuidado integrativo

 

A Leucemia é um tipo de câncer que afeta os glóbulos brancos, levando à multiplicação desordenada de células anormais na medula óssea. Os sintomas incluem anemia, fadiga, febre, manchas na pele e dores ósseas.

Durante o tratamento, pacientes frequentemente enfrentam efeitos colaterais como náuseas, perda de apetite, dor, insônia e ansiedade. Nesse contexto, a cannabis medicinal tem sido utilizada como terapia adjuvante, auxiliando no controle dos sintomas, no estímulo do apetite e na melhora do conforto durante o tratamento oncológico, sempre sob prescrição médica.