Ministério da Cultura destinará R$ 461 mil para documentário sobre cannabis medicinal
Obra "Tempo Bom" une ciência e cultura popular nordestina; projeto captará recursos para abordar o uso da cannabis medicinal no Brasil
Publicada em 23/01/2026

"Tempo Bom" é um documentário que aborda o cenário e o uso da cannabis medicinal no Brasil. Imagem: Canva Pro
O Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria do Audiovisual, autorizou nesta sexta-feira (23) a captação de R$ 461 mil para a produção do documentário “Tempo Bom”, que vai retratar o uso da cannabis medicinal no Brasil, abordando o cenário regulatório, científico e social da terapia no país.
A homologação foi publicada no Diário Oficial da União através da Portaria SAV/MINC nº 3. O projeto foi proposto pela Associação Civil Dragões do Mar, sediada em Fortaleza (CE).
A iniciativa tem permissão para captar R$ 461.352,38 via Lei de Incentivo à Cultura até o final deste ano. O foco é investigar o potencial terapêutico da planta e seus impactos na sociedade.

Narrativa e cultura na obra sobre cannabis medicinal
A produção audiovisual é descrita como um média-metragem focado na investigação do setor. A narrativa central baseia-se em histórias reais, reunindo relatos de pacientes, familiares, profissionais de saúde e pesquisadores que atuam com a cannabis medicinal.
Segundo o resumo do projeto aprovado pela pasta, o filme busca unir "ciência, arte e cultura popular nordestina em uma narrativa poética e educativa". A estrutura prevê a utilização de elementos regionais, como a literatura de cordel e o grafite, além de trilha sonora original.
A portaria estabelece que a obra deve garantir acessibilidade completa. Isso inclui recursos como Libras, audiodescrição, legendas e braile para democratizar o acesso ao tema da cannabis medicinal.
A "onda verde" da cannabis medicinal no cinema nacional
A aprovação de "Tempo Bom" ocorre em um momento de efervescência para o audiovisual brasileiro, que iniciou 2026 sob holofotes globais após a histórica premiação no Globo de Ouro, com o Filme "Agente Secreto".
O movimento reflete uma mudança de paradigma iniciada na década passada com o documentário "Ilegal", que abriu as portas para o debate público sobre o uso terapêutico. Desde então, a cannabis medicinal deixou de ser um tabu restrito para ocupar as telas com diversas abordagens.
Projetos recentes demonstram a pluralidade de narrativas que o setor vem explorando. Para especialistas dos setores cultural e de saúde, essa "onda verde" nas telas é fundamental para a normalização da cannabis medicinal.
Distribuição do documentário sobre cannabis medicinal
O plano de distribuição do documentário apoiado pelo MinC contempla a exibição em diversos formatos e locais. Estão previstos lançamentos em festivais de cinema, canais de televisão, cineclubes e plataformas de streaming.
A portaria publicada hoje também homologou a captação de recursos para outras iniciativas audiovisuais, além do projeto sobre cannabis medicinal. O MinC aprovou a série "Reciclando 360º", em São Paulo, e o projeto itinerante "Cinema de Calçada - Festival Nordestino", em Alagoas.



