“Papel das associações é um grito de sobrevivência: a dignidade deve prevalecer aos interesses econômicos”

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Luli Baratz Reed é coordenadora de produção e comunicação da Apepi (foto: DuHarte)

O papel das associações de pacientes que lutam pelo acesso justo ao tratamento de cannabis (ou maconha – como você quiser chamar, dependendo do seu nível de compreensão e aceitação), nada mais é que um grito de sobrevivência e de afirmação de que a dignidade deve prevalecer antes de qualquer interesse econômico.

A poderosa indústria farmacêutica e o agronegócio não devem ter prioridade diante da vida. É disso que se trata.

A maconha é uma planta que poderia ser a rúcula, ou a alface, mas não. É maconha. E por mais que tentem isolar suas substâncias para que o senso comum abaixe a guarda com relação a seus preconceitos, a planta inteira, pungente, é o que trás o real poder benéfico de ajudar cada patologia.

É uma planta, que pode dar sua “onda” sim, quando fumada recreativamente (e a recreação não pode ser um tratamento para se ter
saúde?).

A planta foi marginalizada por ter sido trazida pelos africanos, que por oferecer alternativas de cura à saúde e também ao desenvolvimento têxtil, geográfico etc, foi perseguida, proibida e calada.

Mas não por muito tempo!

Viver e sobreviver é urgente, e a revolução da vida também. Uma planta não pode ser patenteada. Uma planta é de domínio público, e ninguém compôs essa sinfonia. Foi a mãe natureza, deus, deusas, quem você quiser chamar, que deu este poder fitoterápico à Cannabis.

O medo da prisão não fez mães deixarem de se tornar traficantes internacionais no Brasil para conseguirem importar uma solução à base de maconha para salvar seus filhos. E diante dos preços excludentes e indecentes da indústria, ninguém se cala. Aprendem a cultivar e colocam uma semente na terra para fazer germinar sua própria medicina.

Essa é a autonomia pela qual tanto lutam as associações cannábicas. Essa é a importância de dar voz às pessoas em seus trabalhos de resistência e representação dos interesses de quem realmente importa: os pacientes.

Temos o direito de plantar nosso remédio. Como o boldo, a carqueja, a hortelã, pimenta, camomila. A luta é para exercer o amor incondicional, pela saúde, pelos nossos filhos, pela liberdade, pela paz de se ter o direito da escolha e da autonomia.

Estamos falando de uma planta que oferece um potencial terapêutico desse nível, apresentando a sua imagem e semelhança um sistema endocanabinoide que existe tanto na planta como no organismo de todos os seres humanos. Não por acaso, ela é reconhecida pela vanguarda médica como a reposição hormonal do milênio! Aquela que, se estudada e usada, dará qualidade de vida na terceira idade, em uma população que vive cada vez mais tempo. E mais: com potencial de ser chamada de revolucionária para a medicina contemporânea e que para muitos anuncia uma nova era.

Para mim, é a revolução da vida a partir da doença. É a humanidade gritando por tratamentos mais justos, humanizados, democráticos. Seja por essa planta ou outra que vier.

Não tem volta, porque ninguém aguenta mais ser tratado por uma ótica que prioriza o lucro ao invés do bem estar real das pessoas. Os avanços e o tratamento com a cannabis medicinal são feitos a partir da observação empírica. As reações de cada paciente são observadas, prevalecendo esses resultados antes dos tratados científicos e protocolos.

É a escuta, a atenção, os cuidados médicos em essência sendo resgatados. O juramento de Hipócrates na sua raiz. É a prática, as mães vendo seus filhos deixarem de ter 50 convulsões por dia para uma crise por semana, passando a andar, falar, ir à escola, se desenvolver, viver com qualidade.

No entanto, nem tudo é milagre. Não é com todo mundo que o tratamento com cannabis trará os mesmos resultados. O que importa é ter o direito de escolher, e plantar. E o que me parece, de forma intangível e sensorial, como uma inteligência que está além da nossa compreensão humana limitada, é que a sábia Mãe Natureza está dando um jeito de fazer uma revolução através de nós, mexendo com estruturas rígidas de conhecimento arcaico por meio de uma planta.

Luli Baratz Reed é coordenadora de produção e comunicação da Apepi, atua como braço estratégico no planejamento, acompanhamento e execução das tarefas do dia a dia. Formada em Produção Cultural (UFF) com pós-graduação na Uni-Rio, é especializada em gestão de projetos. Foi sócia do Grupo Matriz (RJ) e já atuou na superintendência de artes da Secretaria de Cultura do Estado do RJ. É mãe da Catarina, cantora, compositora e criadora do Bloco Cru que marcou a renovação do carnaval de rua do RJ desde 2009.

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