Cannabis melhora a qualidade de vida para pacientes com Esclerose Múltipla

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A Esclerose Múltipla tem maior incidência em mulheres de 20 a 40 anos. (Crédito: Pixabay - JillWellington)

Por Jacqueline Passos

Em 2006, o dia 30 de agosto foi instituído pela lei federal 11.303 para a conscientização da Esclerose Múltipla em todo o Brasil. Devido a esta data, a Associação Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME) criou a campanha Agosto Laranja com o intuito de aumentar a visibilidade para a doença. A EM (Esclerose Múltipla) é uma doença inflamatória, crônica, autoimune – ou seja, o próprio sistema imunológico ataca o sistema nervoso central, interferindo na comunicação entre o cérebro e o resto do corpo – que possui um componente desmielinizante – pois afeta a mielina, que nada mais é como uma capa que recobre os nossos nervos – e evolui para uma doença degenerativa.

Esclerose Múltipla é mais comum em mulheres

No Brasil, ABEM (Associação Brasileira de Esclerose Múltipla) estima que 40 mil pessoas são portadoras da enfermidade. No mundo, é provável que a EM já afete 2,5 milhões de habitantes. A patologia acomete principalmente pacientes jovens, em especial mulheres com idade entre 20 e 40 anos. O motivo para que o sexo feminino seja mais suscetível a doença ainda é incerto, no entanto, há a possibilidade de que os hormônios sexuais femininos influenciem a doença, segundo estudos baseados nos sintomas relatados por mulheres durante os períodos de menstruação, gravidez e menopausa. Pesquisas também apontam o fato de as mulheres terem menos vitamina D do que os homens, outro fator que poderia explicar a maior incidência no sexo feminino.

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Mas, o que causa a EM?

A causa da doença ainda levanta suposições, mas, segundo o Dr. Victor Marçal Saab, médico neurologista com especialização em doenças desmielinizantes pelo CATEM (Centro de Atendimento e Tratamento de Esclerose Múltipla), além dos fatores virais (como o vírus Epstein-Barr) e genéticos – não hereditários – também existe uma influência climática, já que a incidência é maior em países de climas temperados. De acordo com o Hospital Albert Einstein, existe também uma combinação de fatores ambientais que pode funcionar como “gatilhos”, são eles: 

– exposição ao sol e consequente níveis baixos de vitamina D prolongadamente;

– obesidade;

– exposição ao tabagismo;

– contato com solventes orgânicos.

Quanto aos sintomas

A Esclerose Múltipla tem sintomas motores, sensitivos, cognitivos, visuais e mentais, sendo, os mais comuns: espasticidade, fadiga intensa, depressão, fraqueza muscular, alteração do equilíbrio da coordenação motora, dores articulares e disfunção intestinal e da bexiga. A boa notícia é que ela não é uma doença fatal e muitos pacientes levam a vida normalmente, principalmente, se ela for do tipo remitente-recorrente, em que há a ocorrência de surtos que podem ser melhorados após tratamento. 

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A cannabis e a qualidade de vida do paciente

Antes de mais nada é importante entender que a cannabis não atua no retrocesso da doença. No entanto, ela é capaz de aumentar a qualidade de vida do paciente, pois melhora alguns dos sintomas. Por isso, é fundamental um tratamento que alie medicamentos convencionais, para controlar a atividade da doença, com fitocanabinóides. 

“Até hoje, não existe nenhum estudo científico que demonstre que a cannabis medicinal atue para controlar a doença e sim, no controle dos sintomas, principalmente: espasticidade, déficit cognitivo e fadiga.”

Dr. Victor Marçal Saab

O tratamento com a medicina canábica

O primeiro medicamento à base de cannabis autorizado no Brasil pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) foi o Mevatyl, um medicamento que possui THC e CBD em sua composição e é indicado para quem sofre de espasticidade causada pela Esclerose Múltipla, que é uma rigidez em determinadas partes do corpo. Apesar do Mevatyl estar disponível nas prateleiras das farmácias desde 2017, poucos pacientes com EM tem condições de comprá-lo, já que três frascos de 10 ml são vendidos por um valor médio de R$ 2.500.

Por isso, a fim de oferecer um tratamento mais acessível ao bolso do paciente, médicos como o Dr. Victor prescreve o óleo de cannabis, comercializado no Brasil por empresas e associações. O médico também relata que o paciente precisa ter paciência, pois o tratamento é lento e gradual, já que não existe uma dose pré-determinada e cada pessoa responde de uma forma a medicação. 

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“Na medicina canábica, o feedback do paciente é o que determina a continuidade ou a mudança da estratégia inicial para atingir o objetivo final. Eu tenho que falar com o paciente a cada 4 dias até acertar a dosagem final, porque é o tempo que dá para ver o efeito da medicação, para ver se o paciente melhorou ou não, para eu poder aumentar ou manter. É uma medicina totalmente individualizada.”

Dr. Victor Marçal Saab

Mesmo com a EM, o paciente pode ter vida normal

Cristiane Martins Timótheo, 43 anos, foi diagnosticada com Esclerose Múltipla em março de 2019 quando tinha 40 anos. Para ela, parecia que o mundo tinha desabado. No entanto, a bancária desejou enfrentar a doença e nunca se conformou com os sintomas da mesma, principalmente com o desânimo que sentia pela manhã e a fadiga que surgia nos finais de tarde. Para melhorar a qualidade de vida de Cristiane, o Dr. Victor Saab introduziu a cannabis medicinal em abril de 2021. 

“Antes da cannabis, acordava com náuseas, tontura, moleza… um desânimo total… demorava umas três horas pra começar a ficar bem e, por volta das 17 horas, sentia um cansaço profundo.. uma fadiga que não me pertencia.. (…) O que a cannabis trouxe pra minha vida? Me deu mais vontade de viver ainda. Tirou como num passe de mágica minha tontura, meu enjoo, meu mal-estar. Tirou meu cansaço extremo. Me deu muito mais energia.”

Cristiane Martins Timótheo

Hoje, além de ter mais disposição, Cristiane é uma mulher alegre, que enfrenta as piadas das pessoas em relação a sua medicação com indiferença. Se ela pudesse dar um recado para outras pessoas que enfrentam a mesma doença, seria: “Cannabis é VIDA”.

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