"Especialização médica crescerá significativamente", avalia diretor da Canopy Growth, para a Cannabis

Para Dr. Wellington Briques, com a regulamentação, profissionais irão se qualificar sobre níveis e doses ideais de CBD e THC, tempo de tratamento, efeitos colaterais e redução dos opioides

Publicada em 04/12/2019

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A regulamentação da venda de medicamentos à base de Cannabis no Brasil, pela Anvisa, gerou uma série dúvidas com relação aos procedimentos daqui para frente com relação à acesso, prescrição e tratamento com derivados da planta.

O portal Sechat ouviu o representante da maior empresa de Cannabis do mundo, a canadense Canopy Growth, que tem feito um trabalho de educação para médicos no Brasil, desde que chegou ao país em junho deste ano. Em setembro, a empresa levou cinco médicos brasileiros para conhecer os laboratórios da empresa em Ottawa.

De acordo com o Dr. Wellington Briques, diretor e Medical Affairs Latam e Caribe da corporação, a disponibilidade do produto nas farmácias e o fim da necessidade do processo de importação devem ser comemoradas. Mas o principal avanço com essa aprovação é justamente o fato que a especialização dos médicos deverá mudar de patamar.

"Além de preenchimentos de receituários específicos, a demanda por especialização no segmento deve aumentar significativamente, pois o que era destinado para uma minoria, digamos, bem informada, agora gerará dúvidas num número muito maior de pacientes e, claro, os médicos precisam estar prontos para responder", avalia o executivo.

"Por exemplo, qual o nível ideal de CBD ou THC para as diferentes enfermidades? Qual a dose? Qual o tempo de tratamento. Quais são os efeitos colaterais que devemos esperar para cada grupo de paciente? Como se dá o processo de redução dos medicamentos (opióides) para a cannabis. Tudo isso os médicos precisarão saber responder e gerenciar", conclui.

A Sepctrum Therapeutic, que é o braço medicinal da Canopy Growth, realizou, em setembro, um curso na Faculdade de Medicina da USP. Segundo a empresa, o programa deve ser agora adaptado para a nova regulamentação e, com isso, ficar atender às futuras demandas de profissionais de saúde que buscam informações sobre sobre como lidar com pacientes que fazem uso de Cannabis medicinal.

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