Japão proíbe CBN e fecha brecha regulatória no mercado de cannabis

Nova classificação do canabinol como substância controlada encerra espaço legal para produtos derivados do cânhamo e impacta consumidores e empresas no país

Publicada em 27/03/2026

Produtos derivados de cannabis com CBN em prateleira antes da proibição no Japão | CanvaPro

Produtos derivados de cannabis com CBN em prateleira antes da proibição no Japão | CanvaPro

Em mais um movimento de endurecimento regulatório, o Japão decidiu avançar sobre um dos compostos emergentes do mercado de cannabis. O canabinol (CBN), até então presente em uma zona cinzenta da legislação, passa a ser proibido quase totalmente a partir de junho, encerrando um ciclo de crescimento impulsionado por brechas legais e pela demanda por produtos voltados ao bem-estar.

O que é o CBN e como ganhou espaço no mercado

 

Menos conhecido do que o THC e o CBD, o CBN é um canabinoide associado principalmente ao relaxamento e ao sono. Em mercados com restrições mais rígidas, como o japonês, compostos considerados “não tradicionais” vinham ocupando espaço justamente por não estarem explicitamente regulamentados.

Segundo o site El Planteo, nesse cenário, produtos com CBN passaram a ser comercializados em diferentes formatos, como comestíveis, óleos, tinturas, itens para vaporização e snacks funcionais. O crescimento acompanha uma tendência global de exploração de canabinoides secundários como alternativa em ambientes regulatórios restritivos.

Governo japonês classifica CBN como substância controlada

 

A brecha legal foi encerrada com a decisão do Ministério da Saúde do Japão. Segundo o site El Planteo, com base em informações do The Japan Times, o órgão classificou o canabinol como uma substância controlada, proibindo sua fabricação, importação, venda e consumo a partir de 1º de junho, com exceções médicas bastante limitadas.

Como destacou a cobertura, “De acordo com a nova legislação, os produtos de CBN, vendidos no mercado nacional, tanto em lojas físicas quanto online, na forma de gomas, biscoitos, óleos e cigarros eletrônicos, desaparecerão efetivamente do mercado consumidor". 

A medida afeta diretamente um mercado que vinha se expandindo tanto no varejo físico quanto digital.

Impactos para consumidores e exceções médicas

 

A regulamentação também estabelece regras para quem já possui produtos com CBN. Segundo o site El Planteo, com base em dados da International CBC, “Os consumidores que atualmente possuem produtos que contenham CBN devem descartá-los antes de 1º de junho, informou o ministério”.

A única exceção prevista envolve o uso medicinal em casos bastante específicos, como doenças incuráveis sem alternativas terapêuticas disponíveis.

Da abertura médica ao fechamento da “zona cinzenta”

 

A decisão ocorre na esteira de mudanças recentes na legislação japonesa. No fim de 2023, o país passou a permitir o uso medicinal de derivados da cannabis sob critérios rigorosos, ao mesmo tempo em que endureceu penalidades para usos não autorizados.

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Segundo o site El Planteo, a legislação não contemplava todos os canabinoides, o que permitiu a circulação de compostos derivados do cânhamo. Com a inclusão do CBN como substância controlada, essa lacuna é eliminada.

Entre os pontos centrais do contexto jurídico:

  • O uso medicinal é permitido apenas em condições específicas
  • O uso não autorizado pode levar a penas de até 7 anos de prisão
  • Derivados do cânhamo tinham isenções parciais, agora reduzidas

Tendência global: regulação acompanha novos canabinoides

 

O movimento japonês reflete um padrão observado em diferentes países. Segundo o site El Planteo, à medida que o mercado da cannabis evolui, novos compostos surgem mais rapidamente do que a capacidade regulatória de acompanhá-los.

Canabinoides como CBN, CBG e variantes sintéticas têm ocupado esse espaço, muitas vezes como alternativas legais temporárias. Com o aumento da visibilidade, esses compostos passam a ser incorporados às legislações, frequentemente por meio de restrições mais rígidas.

 

Fonte: Conteúdo originalmente publicado pelo site El.Planteo