Mercado de hempcrete nos EUA deve atingir US$ 10,6 bilhões até 2033
Impulsionado por demandas sustentáveis, o mercado de hempcrete projeta crescimento anual de 3,86% na próxima década, apesar de desafios regulatórios
Publicada em 12/01/2026

De acordo com levantamento, o setor deve apresentar uma Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR) de 3,86% no período. Imagem: Canva Pro
O mercado de hempcrete (concreto de cânhamo) nos Estados Unidos projeta uma expansão financeira significativa para a próxima década. Estimativas indicam um salto de US$ 7,83 bilhões em 2025 para US$ 10,60 bilhões até 2033.
Esses dados integram o relatório "Mercado de Hempcrete nos Estados Unidos: Análise por Aplicação, Uso Final, Estados e Empresas". O estudo atribui esse crescimento à pressão do setor de construção civil por materiais capazes de reduzir a pegada de carbono. Além disso, há uma busca crescente pelo aumento da eficiência energética das edificações.
De acordo com o levantamento, o setor deve apresentar uma Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR) de 3,86% no período. O principal motor dessa tendência é a mudança de comportamento de consumidores e construtores. Ambos buscam, cada vez mais, alternativas aos materiais convencionais.
O hempcrete, composto de fibras de cânhamo, cal e água, ganha relevância por sua capacidade de sequestrar carbono durante o cultivo da planta. Essa característica oferece um impacto ambiental reduzido em comparação ao concreto tradicional ou aos isolamentos de fibra de vidro.
Impacto regulatório na expansão do mercado de hempcrete

A consolidação desse mercado está diretamente ligada à Lei Agrícola dos EUA (Farm Bill) de 2018. Ao remover o cânhamo da lista de substâncias controladas e legalizar seu cultivo industrial, a legislação permitiu a expansão da oferta doméstica de matéria-prima.
Estados como Colorado, Califórnia e Kentucky desenvolveram estruturas para integrar a produção agrícola à construção civil. Essa integração facilitou o acesso aos derivados da planta e reduziu os custos iniciais de produção do hempcrete.
Além da disponibilidade de material, o produto tem sido aplicado em projetos residenciais e de retrofit (modernização de edifícios antigos). A preferência se deve às suas propriedades térmicas e de controle de umidade.
Em maio de 2024, o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos EUA (HUD) concedeu US$ 750.000 para projetos em Quincy, Massachusetts. O investimento, feito através do Programa de Retrofit Verde e Resiliente, sinaliza o interesse governamental em tecnologias que promovam resiliência climática.
Desafios de normalização e custos para o hempcrete
Apesar das projeções otimistas, o relatório destaca barreiras para a adoção em massa do material no mercado de hempcrete. O principal obstáculo é a falta de padronização nos códigos de construção estaduais e locais.
A ausência de normas técnicas unificadas torna os processos de aprovação mais complexos. Consequentemente, o licenciamento torna-se mais lento para engenheiros e arquitetos que desejam utilizar o material.
Entidades como a ASTM International e a US Hemp Building Association trabalham atualmente na criação de normas de desempenho estrutural e térmico. No entanto, o custo de construção com hempcrete permanece superior ao dos materiais convencionais.
Isso ocorre devido à menor escala de produção e à necessidade de importação de insumos específicos. A escassez de mão de obra especializada e o tempo de cura do material também são fatores limitantes.
No curto prazo, essas questões restringem o uso do produto a projetos de nicho, enquanto a cadeia de suprimentos busca consolidação.


