Sandbox da cannabis expõe divergências sobre regulação e acesso no Brasil
Debate entre presidentes de entidades do setor evidencia tensão entre rigor regulatório, produção de dados e urgência no acesso à cannabis medicinal no país
Publicada em 07/04/2026

Debate sobre regulação e sandbox da cannabis ganha força entre especialistas no Brasil
O debate sobre o futuro regulatório da cannabis medicinal no Brasil ganhou novos contornos após declarações de Alexandre Machado, presidente da AbecMed, e Rodrigo Espósito, presidente da Canarinho, durante participação no Deusa Cast. Em pauta, o modelo de “sandbox regulatório” — ambiente controlado para testes e coleta de dados — e seu impacto no desenvolvimento do setor.
O tema surge em um momento decisivo para o mercado nacional, que busca equilibrar exigências técnicas, segurança sanitária e ampliação do acesso por pacientes. A proposta de submeter a cannabis a um período prolongado de avaliação tem dividido opiniões entre lideranças do ecossistema.
Críticas ao rigor regulatório
Para Alexandre Machado, presidente da AbecMed, a exigência de um sandbox específico para a cannabis evidencia um tratamento desigual em relação a outros medicamentos já consolidados no mercado.
Durante o debate, Machado foi enfático ao questionar a necessidade desse modelo:
"Se a gente está falando de ciência e a gente é muito a favor da ciência, por que só o THC e a cannabis têm que passar por um sandbox? Quantos remédios alopáticos muito mais nocivos para a saúde foram aprovados sem nenhum sandbox?"
O especialista também criticou a forma como a planta ainda é tratada no ambiente regulatório:
"Como se fosse um material radioativo"
Além disso, Machado defendeu o fortalecimento do modelo associativo brasileiro, destacando o papel das associações no acesso ao tratamento e criticando a priorização de produtos importados.
Sandbox como ferramenta de estruturação
Em contrapartida, Rodrigo Espósito, presidente da Canarinho, avalia o sandbox como uma oportunidade estratégica para organizar o setor e elevar padrões de qualidade.
Para ele, o modelo pode trazer ganhos concretos para o mercado:
"Esse novo passo que eles chamam de sandbox vai ser o que a gente precisava: a integração de forças. Vamos entender quem está fazendo a melhor extração, o melhor armazenamento e quem está resolvendo as dores da melhor forma"
Espósito também destacou o papel da coleta de dados ao longo do processo regulatório:
"Depois desse tempo, eles dirão: 'Olha, agora vocês têm essa régua aqui e terão que estar acima dela'"
Setor entre avanço e entraves
As diferentes visões refletem um dos principais desafios da cannabis medicinal no Brasil: conciliar a construção de uma regulação sólida com a necessidade de reduzir entraves burocráticos que impactam diretamente pacientes e operadores do mercado.
Enquanto parte dos especialistas defende maior agilidade e reconhecimento das evidências já existentes, outra parcela aposta na estruturação gradual como caminho para garantir segurança, padronização e legitimidade ao setor.
O desfecho desse debate tende a influenciar diretamente o futuro da cannabis no país — tanto no acesso ao tratamento quanto na consolidação de um mercado nacional mais robusto e competitivo.
Veja o corte do Deusa:


