“Precisamos entender a cannabis como uma molécula”, diz o Dr. Ricardo Tardini

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(Foto: Reprodução)

Por João R. Negromonte

Formado em Engenharia Química pela Escola de Engenharia de Mauá e Médico Ortopedista e Traumatologista pela Faculdade de Medicina da Fundação do ABC, Tardini revela que seu primeiro contato com a cannabis foi há aproximadamente 5 anos atrás, quando em um projeto pessoal de migração familiar, entre Portugal e Brasil, conheceu uma pessoa que o questionou sobre o mercado brasileiro da cannabis medicinal, o que foi uma surpresa para ele, pois a dúvida não vinha de um paciente, mas sim de uma demanda de conhecimento da indústria.

Neste momento, o médico começou a pesquisar e se aprofundar no mercado canábico. Foi quando conheceu algumas pessoas da aceleradora de startups The Green Hub, que o convidou para a primeira edição do Cannabis Thinking, onde aperfeiçoou sua visão de como essa terapia poderia ser aplicada em pacientes.

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“Por mais que na faculdade já existisse projetos do professor Rubens Wajnsztejn, a respeito do tema, naquela época prescrever cannabis medicinal ainda era um tabu”, diz o médico.

Conforme a ideia foi ganhando maturidade e a informação se tornou cada vez mais acessível, Tardini se aproximou do Centro de Excelência Canabinóide, onde trabalha como médico especialista em dor, principalmente musculoesqueléticas e, prescritor de cannabis medicinal.

“Entendo que a medicina canabinóide hoje enfrenta uma nova barreira, ou melhor, é uma fronteira, que precisa ser atravessada e, qual é essa fronteira? A pesquisa clínica. Porque? Bem, falando de ensino e de pesquisa, temos bastante coisa no mercado, mas no meu ponto de vista ficou um pouco monótono, pois estamos sempre falando praticamente a mesmas coisas, e isso, parece que nos impede de darmos o próximo passo, ou seja, não estamos conseguindo atravessar essa fronteira”, diz o ortopedista, que completa:

Todo mundo fala do sistema endocanabinóide, dos receptores CB1 e CB2, da proteína G, transcrição da anandamida, do CBD e por aí vai. Claro que existem alguns marcos que merecem ser lembrados como a liberação do canabidiol nas olimpíadas de Tóquio, os tratamentos de algumas patologias com direcionamento e possibilidade de usar essa terapia, mas nunca foi a primeira indicação, isto é, a pessoa já tentou de tudo e, depois de nada dar certo, ela recorre a cannabis medicinal. Então, para trazer essa alternativa que está lá no último lugar da fila, para a primeiro lugar, é necessário um aprofundamento maior nos estudos clínicos e na pesquisa, a fim de gerar mais conhecimento, não somente esse que já temos, mas um entendimento além do que já possuímos.

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Para Ricardo, o mundo está avançando com o desenvolvimento de pesquisa pré clínica, fase 1, fase 2 e fase 3, mas apesar de termos excelentes resultados, quando avaliamos os estudos de maior relevância, assim dizendo, para aqueles que viram práticas clínicas, ainda não existem “guidelines”, o que limita o uso entre os profissionais de saúde, reforçando que apenas 2% dos médicos no Brasil são prescritores.

Segundo uma pesquisa publicada no Journal of Cannabis Research, da Universidade do Colorado, que avaliaram aproximadamente 750 estudos sobre a percepção dos médicos em relação ao conhecimento deles sobre a cannabis medicinal, revela que 33% dos entrevistados sentem-se com conhecimento e preparados em relação a planta. Entretanto, quando questionados se julgam necessário adquirir mais conhecimento, 85% revelam que sim.

“Como médico, sempre gasto cerca de 15 a 20 minutos em uma consulta, tentando convencer meus pacientes que essa terapia realmente é eficaz e não tem nada a ver com ativismo. Não que eu seja contra o ativismo, mas de certa maneira, os extremismos que também existem nesse cenário acabam atrapalhando a prática médica e prejudicando os pacientes, que são quem mais precisam do tratamento. Aqueles que ainda não conseguem enxergar isso como uma molécula, é porque ficam reverberando a história da maconha ser a mesma coisa que cannabis medicinal”.

Como médico, Tardini reforça que no momento em que as pessoas desvincularem as duas coisas (maconha e cannabis medicinal) e houver estudos mais robustos e bem desenhados, separando a infinidade de substâncias que são fumadas, daquela que é o medicamento, talvez os médicos passem a acreditar mais nessa opção terapêutica.

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“É o mesmo caso do medicamento para hipertensão arterial que vem do veneno da cobra. Quando se questiona um médico se ele tomaria esse remédio, mesmo sabendo que ele foi desenvolvido a partir do veneno de um réptil peçonhento, a primeira reação normalmente é uma recusa. Porém, quando se mostra todos os estudos e pesquisas que comprovam a eficácia do produto, as pessoas se sentem mais tranquilas em consumir o medicamento. Um grande exemplo disso foi o desenvolvimento dos opioides em décadas passadas, onde entre os motivos que eles ‘venceram’ os derivados de cannabis, é por serem mais solúveis em água, o que facilitou o manuseio e pesquisas clínicas”, conclui Ricardo.

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