Preço dos combustíveis nas alturas: como o Cânhamo pode nos ajudar?

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(Créditos da imagem: Sechat/Arquivo)

Por Lorenzo Rolim da Silva

O preço dos combustíveis tem aumentado muito nos últimos meses, sendo um dos itens mais culpados pelo aumento da inflação, tanto no Brasil como no mundo.

Uma safra difícil marcada pela seca extrema no sul do país diminuiu nossa produção total prevista de soja e milho, duas culturas que são utilizadas para produção de biodiesel e etanol, respectivamente. A safra total de cana-de-açúcar foi reduzida em 13% em 2021, também marcada pela seca e períodos de calor fora de época. A cana é outra cultura agrícola muito importante para a produção de etanol no país, um combustível que é adicionado a gasolina por força da Lei no Brasil.

E adivinhem qual cultura apresenta um excelente potencial para produção de biocombustíveis? Além de oferecer maior diversidade ao produtor rural para trabalhar em anos de condições climáticas adversas?

O cânhamo industrial (Cannabis sativa L.) é uma cultura versátil com uma longa história de cultivo. Possui potencial em inúmeras indústrias por sua fibra, óleo, compostos medicinais e também como matéria-prima para bioenergia e biocombustíveis. 

Os desafios para cultivo e processamento do cânhamo estão diminuindo lentamente em todo o mundo por meio de nova legislação, por exemplo, as legalizações do uso da Cannabis na Colômbia e no Uruguai entre 2015 e 2017, a legalização do cânhamo e da cannabis no Paraguai em 2019, e mais recentemente avanços em vários outros países como Equador, Argentina, Chile, Peru, e vários outros da América Latina, gerando oportunidade de investimento e desenvolvimento no setor agrícola.

O cânhamo industrial é considerado uma excelente matéria-prima para fins bioenergéticos, dada a sua alta produção de biomassa e rendimentos de energia em comparação com outras matérias-primas vegetais, como grãos de cereais. Os combustíveis líquidos criados a partir de culturas como o cânhamo industrial são geralmente criados através de processos de conversão, como transesterificação, digestão anaeróbica e pirólise. Esses biocombustíveis são frequentemente misturados com combustíveis convencionais, como diesel e gasolina, para formar misturas, como é obrigatório por Lei no Brasil com Etanol de cana-de-açúcar, exigindo conteúdo mínimo entre 25-27%, dependendo se é gasolina comum ou premium.

A tabela abaixo foi retirada do artigo “Potencial do cânhamo industrial (Cannabis sativa L.) para produção de bioenergia no Canadá: status, desafios e perspectivas”, publicado em 2021 e compara a produção de biocombustível a partir do cânhamo com outras culturas agrícolas:

CulturaProdutividade (L/ha)Teor de Enxofre (ppm)Ponto de combustão (ºC)Viscosidade a 40ºC (mm²/s)
Cânhamo7840,41625,13
Óleo de Palma871101754,43
Canola3862,4964,37
Soja2101,11383,15
Milho1701804,6
Algas0,06-0,191305,7

É possível verificar que o cânhamo é bastante produtivo para processos de produção de bicombustíveis se comparado com outras grandes culturas, isso se deve muito ao fato de produzir grandes quantidades de biomassa em curtos períodos de tempo. Podemos concluir que este é mais uma das áreas onde o cânhamo poderia estar ajudando a vida dos brasileiros, aumentando nossa produção de combustíveis e por consequência baixando os preços que o brasileiro encontra toda vez que vai abastecer seu carro.

Até quando vamos ter que esperar e apenas olharmos para outros países que já vivem com essa realidade? Até quando seremos reféns de uma regulamentação que parece nunca sair do papel?

Pense nisso quando for dar seu voto na próxima eleição.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e não correspondem, necessariamente, à posição do Sechat.

Sobre o autor:

Lorenzo Rolim da Silva é Engenheiro Agrônomo e presidente da LAIHA (Associação Latino-Americana de Cânhamo Industrial).

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