“A cannabis medicinal é remédio e ninguém pode negar remédio para as pessoas”, afirma o deputado Daniel Coelho

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Personalidades do âmbito legislativo debatem o panorama político brasileiro no Cannabis Thinking. (Créditos da imagem: Sechat/Jacqueline Passos)

Por Jacqueline Passos

A legislação brasileira foi o tema do terceiro painel do Cannabis Thinking, que aconteceu no último sábado (23). Intitulada “#verdequetransforma as leis – Desafios e ampliação de entendimento no legislativo” a mesa trouxe nomes importantes como: Bruno Pegoraro, cofundador do Instituto de Pesquisas Sociais e Econômicas da Cannabis (Ipsec), Daniel Coelho, deputado federal pelo Cidadania/PE, Janaína Lima, vereadora em São Paulo e Rodrigo Mesquita, advogado e diretor jurídico da Adwa Cannabis

Histórias pessoais

Antes de efetivamente entrarem no assunto legislação, os participantes do painel compartilharam histórias pessoais relacionadas à cannabis. O ambientalista e deputado federal Daniel Coelho, que fez parte da comissão que aprovou o PL 399/2015, dividiu a história de sua esposa, a nutricionista Rebeca Coelho, que está em tratamento contra o câncer e tem utilizado o óleo da cannabis para reduzir os efeitos colaterais da quimioterapia. Segundo ele, hoje a esposa tem vida normal, graças ao medicamento. 

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“Do segundo para o terceiro ano que minha esposa estava fazendo quimioterapia, foi quando ela teve a iniciativa de testar o óleo de cannabis e houve uma melhora imensa na qualidade de vida dela. Paciente de quimioterapia é uma bomba de remédio. À medida que você tem a possibilidade de utilizar o óleo de cannabis, você diminui a utilização dos remédios, que são muito fortes, diminui corticoides, enjoo, melhora a qualidade do sono, você tem vontade de sair da cama. No caso específico de Rebeca, ela não tem mais os efeitos do câncer, pois ele está controlado. (…) Ela tomou a iniciativa, inclusive, de começar a tomar o óleo, quando meu filho foi para escola e fez um desenho do pai trabalhando e a mãe na cama, porque era essa a lembrança que ele tinha.”

Daniel Coelho

Outra história que também emocionou os presentes no Cannabis Thinking foi o relato da vereadora Janaína Lima, diagnosticada com Epilepsia Refratária aos 4 meses de idade. Ela chegou a tomar mais de 10 comprimidos por dia para controlar as crises. Atualmente, é paciente de cannabis medicinal não só por conta da epilepsia, mas também para controlar a ansiedade. 

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“Eu cheguei no Fórum Econômico como uma das Global Shapers e conheci a Patrícia Vilela, que foi uma das pessoas que me ensinou a quebrar o preconceito que eu tinha comigo. Porque eu tinha medo de ser rejeitada, de não ter as oportunidades que a sociedade teria à disposição. Eu nunca esqueço quando ela me chamou para o lançamento do filme Ilegal e eu vi aquela mãe com a filha no colo, a Katiele, dizendo: “Se uma situação está posta, ela está posta para ser mudada”. Ali eu entendi que o meu papel, não seria como advogada, mas seria como uma legislatura. Gandhi dizia: “Se uma lei é injusta, ela tem que ser desobedecida”, e a gente tem que trazer essa frase para os tempos atuais, se uma lei é injusta, ela precisa ser alterada. Eu entrei no legislativo de São Paulo para mudar as leis que eu considero injustas.”

Janaína Lima

Já para Rodrigo Mesquita, o setor da cannabis oferece um propósito de vida, seja em um empreendimento social, empresarial, econômico ou político. 

O tratamento ainda é caro

Ao contar o relato da sua esposa, o deputado também demonstrou revolta por saber que o tratamento ainda não é acessível para toda a população brasileira, já que 70% das pessoas ganham menos do que dois salários mínimos. 

“Não dá para a gente aceitar essa proibição e a restrição. Eu sei que o meu papel aqui não é polemizar no campo político, mas não dá pra gente tapar o que está acontecendo no Brasil, a gente está negando medicamento à base de cannabis e tem um governo estimulando a Cloroquina no Brasil, isso é fato.”

Daniel Coelho

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O deputado também culpou a classe média pela situação da cannabis no Brasil. Já que se uma pessoa fuma maconha em um bar bem frequentado, nada acontece, mas “se for um negro, pobre e da periféria, vai levar porrada e vai ser preso, então, é uma comodidade da elite”, afirmou. Segundo ele, a sociedade também precisa pressionar e trazer esse debate, que é cultural, para dentro de suas casas. 

“Eu me preocupo com o enfrentamento cultural, a gente juntar essas pessoas que estão engajadas nessa luta, que entendem essa importância e chamarmos todo mundo para poder refletir também e não ficar na nossa comunidade, porque a comunidade da classe média é essa. A nossa legislação não pune por igual a todos os brasileiros, de fato, uma questão de discriminação racial e social é a que a gente tem no Brasil. Por isso que a classe média se acomoda. Então, vamos chacoalhar todo mundo para que as pessoas tenham a coragem de enfrentar esse tema por mais espinhoso e por mais preconceitos que a gente tenha que lidar quando fala de cannabis.”

Daniel Coelho

Sobre a regulamentação

Para o advogado, não falta uma regulação, falta uma regulamentação de uma previsão legal. Além disso, ele também afirma que essa é uma pauta que pode reunir diferentes pontos do espectro político, independente de partidos ou vieses ideológicos. 

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Durante o painel, ressaltou-se que eventos como o Cannabis Thinking são ótimas oportunidades, não só para a geração de negócios, como também para criação de alianças, principalmente, em prol da saúde e do bem-estar dos pacientes, que tanto lutam para obter um tratamento acessível. 

“Estou completamente engajado nessa luta por acreditar na ciência, nas liberdades individuais e também por ver, com os meus próprios olhos diversos casos em que a utilização da cannabis, não só está salvando vidas, mas também dando oportunidades, gerando negócios e esse encontro aqui também é sobre isso, sobre as oportunidades que a gente pode criar a partir do mercado da cannabis.”

Daniel Coelho

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