A cannabis medicinal não existe?

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Graduada em Farmácia e Bioquímica pela Universidade de São Paulo (1976), Mestrado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (1981) e doutorado em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (1996). Atualmente é Pesquisadora Científica do CEBRID (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas) do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) (Foto: Arquivo)

Coluna de Solange Aparecida Nappo*

Frases sem fundamento científico assegurando a inexistência da cannabis medicinal reconhecendo apenas o canabidiol como componente ativo medicinal, ou ainda, afirmando, equivocadamente, que o cultivo da cannabis medicinal seria uma manobra para a liberação da maconha, são invocadas quando se quer lançar dúvida sobre as propriedades medicinais da cannabis. Uma composição de falas descoladas da realidade que só tumultuam a discussão séria das propriedades medicinais da planta e dificulta o avanço do tema no país.

Os trabalhos pioneiros, na década de 70, do Prof Elisaldo Carlini e seu time, os quais demonstraram a ação anticonvulsivante da cannabis e a descoberta do sistema endocanabinóide na década de 90, não foram suficientes para o Brasil se engajar numa discussão mais profunda sobre as propriedades medicinais da cannabis, fato que somente recentemente vem acontecendo apesar de toda resistência de parte da sociedade e de afirmações duvidosas que acabam comprometendo o mérito da discussão.

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Foto: Canva

Mas fica difícil ignorar o tema, quando consultada a plataforma Medline (com cerca de 5000 revistas científicas), encontram-se mais de 7500 artigos sobre cannabis medicinal; a criação da FACT (Federação das Associações de Cannabis Terapêutica) que em pouco tempo já congrega mais de 30 associações; a fundação da SBEC (Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis sativa) que já conta com cerca de 300 profissionais prescritores de cannabis associados; a análise das importações de medicamentos à base de derivados de cannabis revela que elas vem aumentando significativamente e só em 2020 a Anvisa recebeu cerca de 16 mil pedidos de importação desses medicamentos, o que representa um aumento de mais de 1700% em relação a 2015.

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Enquanto se coloca dúvida sobre a existência da cannabis medicinal, atrasando a sua disponibilidade no pais, a sociedade vai se organizando de diferentes formas para ter acesso ao uso medicinal da planta, tão necessário à centenas de pacientes que só tem a cannabis como alternativa terapêutica para suas patologias.

Os jornalistas da BBC News, Leandro Machado e Felipe Souza, tão bem definiram essa movimentação de organização da sociedade em torno do tema como legalização silenciosa da cannabis medicinal no Brasil.

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*Solange Aparecida Nappo é professora universitária, Pesquisadora Científica do CEBRID (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas) e colunista do Sechat.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

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