Hempcare é acusada de fraude na compra de respiradores no combate ao Covid-19

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A Hempcare é acusada de fraudar a compra de 300 respiradores que seriam distribuídos entre estados nordestinos para o atendimento de pacientes com Covid-19. A compra foi realizada pelo Consórcio Nordeste, que pagou antecipadamente quase R$ 48 milhões para que a empresa importasse os equipamentos da China. Sem receber os equipamentos ou a devolução do dinheiro, o Consórcio pediu a abertura de uma investigação diante da suspeita de fraude.

A investigação da Polícia Civil do Estado da Bahia, chamada de Operação Ragnarok, levou na manhã desta segunda-feira (1º), a uma diligência em Salvador (BA), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF) e Araraquara (SP). Durante a operação foram cumpridos 15 mandatos de busca e apreensão, bloqueio de 150 contas veiculadas à empresa e a prisão temporária de três pessoas, entre elas a CEO da Hempcare, Cristiana Taddeo. Além disso, foi feita a quebra do sigilo bancário, telefônico, fiscal e de dados de contas da empresa e dos envolvidos no caso.

Durante uma coletiva de imprensa realizada virtualmente no YouTube do Governo do Estado da Bahia, o secretário de segurança, Mauricio Telles Barbosa, deu mais detalhes sobre o caso.

De acordo com Barbosa, o Consórcio Nordeste procurou a Polícia Civil após suspeitar que as ações da Hempcare não se enquadravam apenas na quebra de contrato. O consórcio alegava que a empresa descumpriu prazos, usava diversas justificativas para o atraso e se recusava a devolver o dinheiro, alegando que o valor havia sido destino à compra de respiradores nacionais.

Porém, o Consórcio não teria autorizado a compra de equipamentos nacionais e, posteriormente, descobriram que os respiradores nacionais oferecidos em troca dos chineses não tinham certificação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e nem do Ministério da Saúde.

O secretário afirmou que uma questão em específico colaborou ainda mais para que o esquema fosse visto como fraudulento. Os respiradores nacionais oferecidos pela empresa em troca dos chineses seriam fabricados pela empresa Biogeoenergy (também alvo da investigação), que é parceira da Hempcare.

Em maio deste ano, a Hempcare e a Biogeoenergy anunciaram o projeto de uma fábrica de respiradores em Camaçari (BA), com a proposta de abrir vagas de trabalho na região e produzir equipamentos nacionais para abastecimento do mercado interno. A Hempcare seria a responsável pela distribuição e pela venda dos respiradores.

Segundo o secretário de segurança, foi constatado que a Hempcare já havia entrado em contato com o Governo Federal e governadores de outros estados para vender os respiradores sem as devidas licenças. O que, para Barbosa, poderia aumentar o esquema de fraude.

Os suspeitos irão cumprir prisão temporária de cinco dias, que poderá ser prorrogada por mais cinco. Caso o Ministério Público e a Justiça entendam de que se trata de uma fraude, a prisão preventiva poderá ser pedida.

Biogeoenergy nega oferta de equipamento; Hempcare não se pronuncia

O Sechat entrou em contato com a Hempcare pelo telefone, provavelmente, apreendido de Cristiana, e pelo número de celular disponível no site da empresa, mas sem sucesso. O mesmo aconteceu com a Biogeoenergy. O telefone disponibilizado no site não atendeu a reportagem.

Em nota enviada ao G1, o advogado da Biogeoenergy, Delorges Mano, afirmou que a empresa de Araraquara ainda não começou a produção dos respiradores e que aguarda a certificação da Anvisa para dar início à produção e destaca que não tem contrato de venda assinado com governos.

A nota ainda diz que “também é fundamental esclarecer que nenhuma empresa ou representante comercial pode oferecer, vender ou firmar contrato com governo, estados ou prefeituras uma vez que a Biogeoenergy não tem intermediadores nas negociações relativas ao respirador pulmonar que será fabricado nas unidades de Araraquara e Camaçari, na Bahia…Ninguém está autorizado a falar em nome da empresa para prometer nossos produtos.”

Também de acordo com o G1, o advogado da Hempcare afirmou que “no momento, está levantando informações sobre a medida cautelar, que segue sob sigilo, para depois se posicionar sobre o caso.”

CEO teria se surpreendida com pedidos judiciais

O jornalista Dinarte Assunção, do Rio Grande do Norte, publicou em sua página, Blog do Dina, uma conversa que teve, na quinta-feira (28) com a CEO da Hempcare, Cristiana Taddeo, a respeito dos respiradores.

De acordo com o jornalista, foi por meio de seu contato telefônico que Taddeo ficou sabendo que a empresa era alvo de pedidos judiciais dos estados do Nordeste, motivo que teria motivado o pedido de esclarecimento sobre o que seria feito no caso dos respiradores.

“Eles não conseguirão manchar minha história. Sou uma mulher que perdeu a mãe nessas circunstâncias. Já passei por transplantes e sei o que significa a dificuldade do acesso à saúde. O Brasil não ficará sem respiradores”, disse ela ao jornalista.

Durante a conversa, Cristiana afirmou que teria pego os R$ 48,7 milhões dos estados do Nordeste e investido na compra de mais de 400 respiradores na indústria nacional e que, agora, dependia da venda desses equipamentos para devolver o dinheiro aos Consórcio.

“Meu advogado até alertou sobre isso, que poderia dar bronca, mas eu fiz na boa-fé. Mas os governadores não quiseram esses respiradores, então já negociei com outros estados. Quando eles pagarem, eu pago o Nordeste”, explicou.

Porém, Cristiana se referia aos equipamentos sem certificação. “A Anvisa está no circuito dessa estratégia com a equipe do presidente”, afirmou a CEO ao blog.

O jornalista afirma que voltou a conversar com Cristiana na sexta-feira (29) para conseguir atualização do caso e teve a seguinte resposta: “Estou indo para Brasília agora me reunir com a equipe do presidente dentro de uma estratégia para conseguirmos respiradores para o Brasil, na indústria nacional. Te darei informações à noite. Peço que guarde essa informação e não a publique.”

Cristiana foi presa na manhã da segunda-feira (1º) em Brasília.

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