Paraguai se destaca como maior produtor de cânhamo na América Latina

300 famílias de índios guaranis que cultivam a planta dentro do programa de certificação do governo denominado Hemp Guarani

Publicada em 26/06/2023

Paraguai se destaca como maior produtor de cânhamo na América Latina

Por redação Sechat com informações do Globo Rural
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O Paraguai se consolida como o líder na produção de cânhamo na América Latina, impulsionando seu setor agrícola e abrindo novas oportunidades econômicas. Com aproximadamente 5.000 hectares de lavouras cultivadas a céu aberto, o país está colhendo os frutos de sua aposta na legalização do plantio do cânhamo desde 2018. O sucesso dessa iniciativa vai além dos grandes produtores, envolvendo também mais de 300 famílias de índios guaranis que cultivam a planta dentro do programa de certificação do governo denominado Hemp Guarani.

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Segundo a Prohibition Partner, uma empresa inglesa de análise de mercado da cannabis, os agricultores paraguaios foram atraídos para o plantio legal de cânhamo por não precisarem mais se arriscar em plantações ilegais nas montanhas durante seis meses do ano. Além disso, de acordo com dados oficiais do governo paraguaio, os produtores legais têm ganhos oito vezes maiores, devido à possibilidade de comercializar todas as partes da planta, incluindo as flores, folhas, caules e sementes.

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Essa expansão bem-sucedida do setor de cânhamo no Paraguai é resultado de uma parceria entre o governo e entidades privadas, que fornecem as sementes e garantem a compra de toda a produção. Desde o início desse empreendimento, em 2019, foram cultivados 600 hectares de cânhamo, e a área cultivada tem aumentado constantemente desde então.

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De acordo com o agrônomo Lorenzo Rolim, presidente da Associação Latino-Americana de Cânhamo Industrial (Laiha), o governo paraguaio buscou com essa iniciativa tirar as famílias envolvidas no tráfico de drogas e apostar no cultivo do cânhamo para a produção de alimentos por empresas locais. As empresas, ao receberem licenças governamentais, terceirizam o plantio. O processo envolve burocracia para garantir o uso correto das sementes, mas é uma cultura de campo sem barreiras, semelhante ao cultivo de soja.

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Os principais plantios de cânhamo no país estão localizados nos Departamentos de São Pedro, Canindeyu e Caaguazu, impulsionando o desenvolvimento econômico e agrícola dessas regiões. Além das exportações para os Estados Unidos, Canadá, Austrália, Holanda, Reino Unido e Costa Rica, o Paraguai também criou um mercado interno para os produtos do cânhamo.

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Atualmente, é possível encontrar nas prateleiras dos supermercados farinhas, azeites, grãos in natura e sementes misturadas com outros alimentos, como pasta de amendoim, todos derivados do cânhamo. Há também uma crescente demanda por rações para animais de estimação com sementes de cânhamo, bem como a venda de cigarros de cânhamo com CBD.

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O sucesso do cânhamo no Paraguai não se limita apenas ao consumo interno e às áreas alimentícias. De acordo com o agrônomo Rolim, as partes da planta sem o composto psicoativo THC têm sido utilizadas em vários países para a produção de vestuário, calçados, papel, painéis automotivos, construção civil e diversos outros produtos. Essa ampla gama de aplicações potenciais cria novas oportunidades de negócios e fortalece ainda mais a indústria do cânhamo no país.

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Rolim destaca que o modelo paraguaio, focado na produção de cânhamo em vez de cannabis medicinal, deveria servir de exemplo para o Brasil e outros países da região. Em contraste, ele menciona a experiência da Colômbia, onde o cultivo da cannabis cresceu rapidamente, mas a demanda não acompanhou, resultando em uma quebra de mercado em 2017. A regulamentação colombiana também não permitia o consumo interno, limitando a produção ao mercado de exportação.

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Com a visão de longo prazo e uma abordagem bem-sucedida, o Paraguai demonstra o potencial econômico e agrícola do cânhamo na América Latina. À medida que mais países consideram a legalização e o cultivo dessa planta versátil, o exemplo paraguaio pode servir de inspiração, estimulando o desenvolvimento de novos setores e impulsionando a economia regional.