Anvisa libera exportação de cannabis medicinal do Brasil
Medida aprovada por unanimidade abre mercado internacional, fortalece indústria nacional e pode reduzir custos para pacientes
Publicada em 06/05/2026

Decisão histórica da Anvisa autoriza exportação de cannabis medicinal produzida no Brasil e posiciona o país no mercado global do setor
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (6), a possibilidade de exportação de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) e produtos à base de cannabis produzidos no Brasil. A decisão, anunciada durante a 7ª Reunião Pública da Diretoria Colegiada (DICOL), em Brasília, marca um avanço estratégico para o setor e posiciona o país no mercado global da cannabis medicinal.
A medida atende a uma demanda histórica da Associação Brasileira de Insumos Farmacêuticos, que há cinco anos atua junto à indústria e ao órgão regulador para estruturar a cadeia produtiva nacional. O movimento ocorre em um cenário de maturidade do mercado brasileiro, com empresas já adaptadas às exigências sanitárias e prontas para competir internacionalmente.
Segundo o Anuário da Cannabis Medicinal no Brasil da Kaya Mind, cerca de 900 mil pacientes utilizaram terapias à base da planta em 2025 — um crescimento de aproximadamente 30% em relação ao ano anterior. O avanço é impulsionado pela evolução regulatória, maior adesão médica e ampliação da distribuição em praticamente todo o território nacional.

“Ou seja, não se trata de uma medida voltada a um futuro ainda a ser construído, mas de uma realidade concreta do presente. A regulamentação proposta pela Anvisa vem, portanto, consolidar e dar segurança jurídica a um movimento que já está em curso, reconhecendo o esforço e os investimentos realizados pelas empresas nos últimos anos e permitindo que esse potencial se traduza, de forma imediata, em inserção internacional”, destaca Carolina Sellani, responsável pelo Grupo de Trabalho de Insumos de Cannabis da Abiquifi.

Para a agência reguladora, a decisão traz impactos diretos na competitividade do país. “A medida confere previsibilidade regulatória, fomenta a inovação, fortalece cadeias produtivas lícitas e amplia a competitiva do país, zelando pelo controle sanitário”, afirmou Leandro Safatle, atual diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
A avaliação é compartilhada por outros membros da diretoria. “Ficamos gratos e satisfeitos de ver as nossas indústrias avançando na exportação de produtos. É uma alegria para nós como brasileiros”, salientou Daniela Marreco, integrante da Diretoria Colegiada - DIRE 2 da Anvisa..
Escala produtiva e redução de custos
Especialistas apontam que a exportação é um fator-chave para o desenvolvimento sustentável do setor. Ao acessar mercados internacionais, empresas brasileiras podem ampliar sua escala de produção, ganhar eficiência e reduzir custos ao longo da cadeia — o que tende a impactar diretamente o preço final para os pacientes.
“O jogo muda completamente e, ao atender uma demanda antiga, a Anvisa abre um mercado gigantesco às empresas que produzem no país. A exportação de produtos à base de Cannabis é um elemento-chave para viabilizar escala produtiva, condição essencial para a redução de custos ao longo da cadeia. Ao acessarmos mercados internacionais, cria-se um ambiente mais sustentável economicamente, com ganhos de eficiência que impactam diretamente o custo do IFA e, consequentemente, o acesso dos pacientes aos produtos finais”, conclui Carolina Sellani.
Brasil avança na cadeia global da cannabis
O avanço regulatório consolida um processo iniciado em 2021, quando a Anvisa autorizou a importação de extrato bruto de cannabis para produção de canabidiol (CBD) no Brasil. Desde então, o país vem estruturando sua cadeia produtiva, reduzindo a dependência de insumos importados e fortalecendo a indústria farmoquímica nacional.
Com a possibilidade de exportação, o Brasil passa a ocupar uma nova posição no cenário internacional: além de atender à demanda interna, poderá se tornar fornecedor global de insumos farmacêuticos à base de cannabis, ampliando sua participação nas cadeias globais de valor.
A expectativa do setor é que a decisão impulsione investimentos, inovação e a consolidação do país como um dos principais players emergentes da cannabis medicinal no mundo.


