Brasil: A Nova Potência Global na Indústria da Cannabis Medicinal
Brasil avança na regulação e pode se tornar exportador global de cannabis medicinal
Publicada em 10/05/2026

O Brasil entra no radar global da cannabis medicinal com avanço regulatório da Anvisa. Entenda como a exportação pode reduzir custos e ampliar o acesso. Leia mais.
O Brasil consolida, em 2026, sua posição como um dos mercados mais estratégicos do mundo para a cannabis medicinal — e agora dá um passo decisivo rumo ao protagonismo global. O país passa a reunir, de forma cada vez mais clara, atributos que o colocam no radar de investidores e operadores internacionais: escala de demanda, base científica qualificada e um ambiente regulatório em evolução, capaz de destravar novas frentes de negócios ao longo de toda a cadeia produtiva.
Brasil entra no radar global da cannabis medicinal
Nesse cenário, o avanço conduzido pela Anvisa reforça uma virada de chave importante para o setor. Mais do que ampliar possibilidades operacionais, a sinalização regulatória aponta para um mercado mais previsível e estruturado, abrindo espaço para a consolidação de uma indústria farmoquímica nacional competitiva. O Brasil deixa de ser visto apenas como destino final de produtos importados e passa a se posicionar como potencial fornecedor de insumos e tecnologia, com capacidade de integração às cadeias globais.
Execução ganha protagonismo no setor
Para o setor, o momento é menos sobre expectativa e mais sobre execução. Como destaca Carolina Sellani, responsável pelo Grupo de Trabalho de Insumos de Cannabis da Associação Brasileira de Insumos Farmacêuticos, a abertura para exportações “muda completamente o jogo” ao permitir escala produtiva, reduzir custos ao longo da cadeia e criar um ambiente economicamente mais sustentável. Na prática, esse movimento tende a impactar diretamente o custo dos insumos farmacêuticos e ampliar o acesso dos pacientes, ao mesmo tempo em que posiciona o Brasil como um competidor relevante no mercado global.
Diretoria colegiada avança na regulação
Esse avanço regulatório ganhou um novo capítulo durante a 7ª Reunião Ordinária Pública da Diretoria Colegiada da Anvisa, no dia 06 de maio, com a manifestação do diretor Thiago Lopes Cardoso Campos. Em seu voto, o diretor propôs a abertura de processo administrativo para atualização das RDCs 1.013 e 1.015/2026, além da revisão do Anexo I da Portaria SVS/MS nº 344/1998.
Segundo Campos, a medida busca a “harmonização do arcabouço regulatório”, promovendo maior coerência entre as normas recentemente aprovadas e os instrumentos históricos de controle sanitário. “A proposta promove a harmonização do arcabouço regulatório aplicável à cannabis ativa, com foco na compatibilização entre as normas recentemente aprovadas”, afirmou.
Novo marco regulatório amplia segurança e previsibilidade
A RDC 1.015/2026, que entrou em vigor no dia 4 de maio, representa a atualização do marco regulatório da cannabis no país, ampliando o escopo de atividades permitidas e ajustando mecanismos de controle com base na experiência acumulada desde a RDC 327/2019. Já a proposta de atualização da Portaria 344 introduz mudanças relevantes, como a reorganização das listas de substâncias controladas e a revisão dos critérios de prescrição conforme o teor de THC, tornando o controle mais proporcional ao risco dos produtos.
Exportação de insumos entra no radar regulatório
Um dos pontos centrais destacados pelo diretor é a inclusão da possibilidade de exportação de insumos derivados da cannabis, sempre sob controle sanitário. “A minuta incorpora a possibilidade de exportação de insumos derivados da planta, alinhando essa atividade às demais já permitidas”, explicou.
A atualização do Anexo I da Portaria 344, aprovada durante a reunião, consolida esse avanço ao permitir a exportação de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) e produtos à base de cannabis produzidos no Brasil, além de compatibilizar a norma com as RDCs mais recentes — em especial a RDC 1.015, que substitui e amplia o modelo anterior estabelecido pela RDC 327/2019.
Campos também destacou a necessidade de alinhamento imediato entre as normas para evitar inconsistências regulatórias e garantir a continuidade do acesso dos pacientes. “A deliberação conjunta se justifica pela necessidade de alinhamento imediato à RDC 1.015, assegurando a continuidade do acesso dos pacientes no novo regime regulatório”, pontuou.
O diretor relembrou ainda que a evolução regulatória da cannabis no Brasil é progressiva desde 2015, passando pela autorização de prescrição, importação por pessoa física e, posteriormente, pela fabricação e comercialização no país — até chegar ao atual momento de consolidação normativa e abertura para exportações.
Brasil mira protagonismo global com exportações e escala produtiva
Em paralelo a esse movimento institucional, o setor produtivo já se posiciona para capturar as oportunidades abertas pelo novo cenário. Para Gustavo Palhares, cofundador e co-CEO da Ease Labs, o Brasil passa a ganhar relevância imediata no mapa global da cannabis.
“O Brasil começa a entrar na lupa global como um grande exportador. A Anvisa permite a exportação de IFA, flor e produto acabado, e isso muda a forma como o país é visto lá fora”, afirma. Segundo ele, o avanço regulatório, aliado ao desenvolvimento de estudos clínicos no país, tende a elevar o valor agregado do mercado nacional. “Com o avanço dos estudos clínicos internamente, a gente gera ainda mais valor para o nosso mercado.”
Palhares destaca que a estrutura industrial já instalada é um diferencial competitivo importante. “A Ease Labs, como provedora de insumos, produto acabado e tecnologia, se destaca por ser uma das únicas indústrias com capacidade produtiva instalada e com produto disponível para exportação”, diz.
Ele também ressalta o modelo verticalizado da companhia, que inclui operações como a EasePharma e a Semeia, responsável pela produção de insumos farmacêuticos ativos. “Temos capacidade de exportar produto acabado via pharma e também IFA e IFA-V, além da possibilidade futura de cultivo local e exportação de flor seca”, explica.
Outro ponto central, segundo o executivo, é o reconhecimento internacional da regulação sanitária brasileira. “Toda a cadeia no Brasil é certificada pela Anvisa, que é um órgão muito respeitado ao redor do mundo. Isso agrega valor aos produtos exportados e ao país. Os critérios de qualidade são bastante rigorosos, e nós cumprimos todos eles, o que fundamenta nossas certificações.”
Com trajetória que combina experiência em direito societário e fusões e aquisições com empreendedorismo, Palhares lidera a estratégia de expansão da companhia em um momento decisivo para o setor. Confirmado como palestrante no Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal 2026, no módulo Agro & Tech Cannabis, ele deve aprofundar os caminhos para a inserção do Brasil nas cadeias globais, em um cenário que deixa de ser promessa e passa, definitivamente, a ser execução.
Brasil avança na cannabis e mira liderança global

O mercado de cannabis medicinal no Brasil vive um dos ciclos de expansão mais relevantes de sua história recente. Entre 2020 e 2026, o número de pacientes avançou de forma consistente, alcançando cerca de 900 mil pessoas em tratamento, impulsionado pelo aumento da aceitação médica e pela ampliação do acesso. A projeção é que o setor movimente aproximadamente R$ 1 bilhão em 2026, segundo a Kaya Mind.
Esse crescimento também se reflete nos dados regulatórios. Em 2025, foram registradas 194.682 autorizações de importação — mais de 200 vezes acima do volume observado em 2015 — evidenciando a rápida evolução do mercado. Atualmente, mais de 500 empresas operam no país com base na RDC 660 da Anvisa, sendo cerca de 30 com maior presença comercial. Ao todo, são aproximadamente 600 produtos disponíveis, ainda majoritariamente importados.
No canal farmacêutico, o avanço também é expressivo. As vendas cresceram 20,5% no último período, considerando o MAT (Moving Annual Total) até setembro de 2025, de acordo com a Close-Up International, refletindo a entrada de grandes indústrias no segmento. O número de médicos prescritores já chega a 61 mil, sendo que 64% são novos profissionais, o que indica uma forte expansão da base médica.
Novo ciclo deve reposicionar o Brasil na cadeia global
Para Fábio Furtado, sócio e Diretor Comercial da GreenCare Pharma, o avanço regulatório recente — especialmente a autorização para exportação de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) e produtos acabados — inaugura uma nova fase para o setor no país.
“A autorização coloca o Brasil em um novo patamar regulatório e industrial. O país tem capacidade técnica, um parque farmacêutico robusto e um mercado médico ainda em amadurecimento no contexto da cannabis”, afirma.
Segundo ele, o impacto da medida vai além do segmento de cannabis medicinal e pode impulsionar toda a indústria farmacêutica nacional. “Essa mudança abre espaço para desenvolvimento industrial, geração de propriedade intelectual, atração de investimentos e fortalecimento da indústria farmacêutica brasileira dentro dessa categoria terapêutica, que ainda está no início da sua curva global de crescimento.”
Na avaliação do executivo, o próximo ciclo do mercado tende a ser liderado por quem desenvolve ciência e estrutura produtiva — e não apenas por quem importa. “Esse mercado não será liderado só por importadores, mas principalmente por quem desenvolve ciência, dados clínicos e capacidade regulatória.”
Ele destaca ainda que a decisão da Anvisa acelera essa transformação estrutural. “Essa medida cria condições para o Brasil deixar de ser apenas um mercado consumidor e se tornar também um polo exportador de tecnologia farmacêutica em cannabis.”
Com isso, o país começa a se posicionar de forma mais estratégica em um mercado global ainda em consolidação — onde escala, inovação e regulação serão determinantes para definir os novos líderes.
Cannabis Fair reúne empresas, especialistas e inovação, consolidando o avanço do setor no Brasil e no cenário internacional.

Esse avanço, no entanto, não acontece apenas no campo regulatório ou econômico — ele ganha forma concreta nos principais palcos de articulação do setor. É nesse contexto que dois eventos se tornam símbolos diretos dessa nova fase: a Cannabis Fair 2026 e o Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal 2026.
Realizados simultaneamente entre 21 e 23 de maio, em São Paulo, os dois encontros funcionam como motores complementares de um ecossistema em plena expansão. De um lado, a Cannabis Fair se consolida como a principal vitrine de negócios da cadeia produtiva, reunindo empresas, tecnologias e soluções que vão do cultivo à indústria, conectando mais de 80 expositores e milhares de profissionais em busca de oportunidades concretas.
Do outro, o Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal se afirma como o principal fórum científico da América Latina, reunindo especialistas da saúde, pesquisadores e lideranças para discutir evidências clínicas, inovação terapêutica e os caminhos regulatórios do setor.
Juntos, feira e congresso traduzem, na prática, a maturidade do mercado brasileiro: um ambiente onde ciência, negócios e regulação deixam de caminhar separados e passam a operar de forma integrada. Mais do que eventos, eles representam a transição definitiva da cannabis no Brasil — de promessa para indústria estruturada, com potencial de protagonismo global.
O Novo Marco Regulatório: Da Indústria à Manipulação

O grande salto ocorreu com a atualização das normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência publicou uma nova RDC que redefine o marco regulatório da cannabis medicinal no Brasil, substituindo a antiga RDC 327. Esta mudança traz maior agilidade e clareza para o registro de produtos e para a operação das empresas do setor.
Entre os avanços mais celebrados pelo ecossistema está a liberação das farmácias de manipulação para atuarem no segmento. A nova regulamentação permite que o tratamento seja personalizado para as necessidades específicas de cada paciente, integrando a cannabis à tradição magistral brasileira e reduzindo custos na ponta final da cadeia.
Inovação no Cultivo e o Modelo de Sandbox
Para resolver o gargalo da matéria-prima e fomentar a pesquisa nacional, a Anvisa aprovou resoluções que visam regulamentar o cultivo de cannabis no Brasil. O destaque fica para a implementação de um sandbox regulatório voltado às associações de pacientes. Esse ambiente controlado permite:
Conformidade Legal: Segurança jurídica para o cultivo assistido.
Pesquisa Científica: Coleta de dados reais para embasar futuras políticas públicas.
Expansão do Acesso: Fortalecimento das entidades que historicamente garantiram o tratamento a famílias brasileiras.
Impacto Econômico e Terapêutico
O mercado caminha para atingir a marca de 1 milhão de pacientes ativos e movimentar um faturamento superior a R$ 1 bilhão. A transformação vai além dos números: é uma revolução na medicina contemporânea. Médicos de diversas especialidades agora contam com segurança institucional para prescrever fitocanabinoides no tratamento de dores crônicas, epilepsia, distúrbios neurológicos, ansiedade e insônia.
Com a nova estrutura, o Brasil deixa de ser apenas um mercado consumidor para se tornar um hub estratégico de negócios e tecnologia na América Latina. O país agora oferece um ambiente maduro e previsível, atraindo investidores globais interessados na sinergia entre o agronegócio brasileiro, a indústria farmacêutica e a excelência em pesquisa e desenvolvimento.


