Cannabis controla crises e internações de criança de 3 anos

Mãe conta que óleo de cannabis ajudou a melhorar a qualidade vida da pequena Maria Luiza e da família logo no primeiro mês

Publicada em 31/01/2024

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Desde o nascimento, Maria Luiza Rodrigues Fernandes foi diagnosticada com paralisia cerebral grave, epilepsia de difícil controle e hidrocefalia. As crises epiléticas faziam parte da rotina da pequena Maria, que chegava a passar períodos de 12 a 15 dias internada em hospitais para tratar as intercorrências geradas pelas convulsões.

 

Na rotina do trabalho, Rosimari Rodrigues, conhecida por Rosi, ficou sabendo que a cannabis poderia ajudar a filha. Ela ouviu pessoas relatando casos de melhora do quadro clínico de alguns pacientes e, principalmente, nos casos de epilepsia. 

 

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Mãe e filha | Foto: arquivo pessoal

 

Entusiasmada pela novidade começou a pesquisar sobre o tratamento e encontrou a associação Divina Flor, que atende na região de Campo Grande, MS.

 

“Não tive medo de tentar, a Maria já fazia uso de muitas medicações em doses altas, mas nada controlava as crises de epilepsia. Então, quando ouvi sobre a cannabis eu fui atrás de respostas sem medo, receio ou preconceito. Era a última alternativa que eu tinha, já que do modo convencional não estava resolvendo. Eu cheguei a perder a conta de quantas vezes ela convulsionava por mês e das noites em hospital.”, recorda a mãe. 

 

Logo na primeira semana de tratamento as mudanças na saúde da Maria Luiza começaram a se evidenciar. As crises passaram a ficar mais espaçadas. Nos primeiros 30 dias já houve uma melhora significativa, que foi constatada também pela pediatra que acompanhava a menina.

 

“Quando eu decidi que minha filha iria fazer o tratamento com a cannabis a neurologista dela foi contra, alegando que não tinha estudos e nem comprovações. Eu optei por ir contra a médica, pois eu estava segura da minha escolha e só comuniquei que a Maria iria ser tratada com cannabis. Já a pediatra dela me apoiou desde o início e assim como eu, ficou impressionada com a melhora de vida que minha menina teve”, destaca Rosi.

 

Mas não foi só a Maria Luiza que ganhou qualidade de vida, toda a família se beneficiou. Há um ano, Maria e seus pais não precisam mais passar as noites em claro nos hospitais para controlar as crises, já que as crises, praticamente, cessaram. 

 

“Nós começamos o tratamento quando Maria tinha um ano e um mês. Hoje com três anos comemoramos que não precisamos passar uma única noite no hospital, as mãozinhas dela que só viviam fechadas agora se abrem, ela movimenta o bracinho e espreguiça, reconhece nossa voz. São grandes vitórias para uma criança que só mexia os olhos e nada mais, por isso, o caso dela sempre foi considerado muito grave”, comemora a mãe.

 

O tratamento 

 

Ainda que o tratamento com cannabis seja regulamentado no Brasil, o acesso, principalmente ao remédio, torna essa possibilidade inviável para muitas famílias, já que os valores são altos. 

 

Rosi é um exemplo de mãe que não conseguiria fazer o tratamento importando o remédio, como a maioria das pessoas fazem, que é meio autorizado oficialmente pela Anvisa através da RDC 660.

 

Foi através da Associação Divina Flor que Maria teve acesso às consultas e ao remédio, sendo todo o processo amparado por uma assistente social responsável por orientar a mãe sobre os procedimentos.

 

“Eu fui muito bem acolhida desde o primeiro contato com a Divina Flor. Primeiro pela Fátima e depois pela Daiane, que é a assistente social da associação. Conhecer a Divina Flor foi uma virada de chave. Me ensinaram sobre a planta, sobre como funciona no corpo, tive muita informação. Hoje eu sei que a cannabis pode ajudar muita gente e em diversas doenças. É uma pena que as pessoas, inclusive médicos, ainda tenham tanto preconceito. Se eu fosse ouvir a neurologista não estaria vendo a melhora de vida que minha filha ganhou. Eu sou a favor da legalização e do acesso ao tratamento para todas pessoas que precisam”, defende Rosi. 

 

 

 

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