Após ação ‘frustrada’ da PM, Abrace ganha fôlego e passa por reestruturação

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Nova sede da Abrace. Foto: Divulgação

Por Caroline Apple

Em novembro de 2019, a Abrace (Associação Brasileira Cannabis Esperança), que, desde 2017, tem autorização judicial para plantar e fabricar medicamentos, atendendo cerca de 2 mil pacientes em todo o país, sofreu uma ação frustrada da Polícia Militar da Paraíba.

Isso porque, após receber uma denúncia anônima de que havia no local uma plantação de maconha, a PM mobilizou uma mega ação, com direito a helicóptero. Na ocasião, um dos funcionários da associação chegou a ser algemado pelos policiais, mas não foi levado preso justamente porque ele chegou a tempo de mostrar a ação judicial que autoriza o plantio.

“Todo mundo sabe, no Brasil inteiro, da existência da associação, menos os vizinhos e o coronel da PM”, ironizou Cassiano Teixeira, diretor-presidente da ONG na época do incidente.

Cinco meses após a confusão, a associação tomou fôlego diante dos acontecimento que se sucederam e está prestes a mudar de prédio para proteger suas instalações e atender melhor os pacientes que a procura.

Cassiano conta que após a repercussão do caso em programas policiais, a Abrace passou a ser alvo de roubos e furtos. Somente em janeiro, a associação foi invadida três vezes. Os ladrões levaram ferramentas, rádios, computadores. Essas ações mais a percepção de que o espaço físico já não comportava a demanda de pacientes e não oferecia a acessibilidade necessária, foi feita uma assembleia para decidir a mudança de prédio.

“Mostrei o projeto do novo prédio , as vantagens e desvantagens e consegui convencer a todos que devíamos realmente mudar. Foi graças a ação da PM que e aos percalço que passamos evoluimos. Eles só estavam cumprindo dever deles”, afirma Teixeira.

O novo prédio já foi alugado e deverá ser ocupado até o final de mês de março.

Ação contra Osmar Terra

Em dezembro do ano passado, a associação ajuizou uma interpelação judicial no STF (Supremo Tribunal Federal) contra o ex-ministro da Cidadania, Osmar Terra. O motivo foi a declaração feita pelo político, no dia 10 de dezembroo, na qual Terra afirmava que a ONG estaria fornecendo maconha para traficantes.

“Essa associação da Paraíba foi acusada de estar fornecendo a traficantes, de ter traficantes se beneficiando do plantio. É claro que eles vão fazer isso! Vamos para o mundo real: se começar a plantar maconha, em todo lugar vai ter gente interessada em vender, traficar”, alegou o ministro à Globo News.

Em entrevista exclusiva ao portal Sechat na época, o advogado da Abrace, Yvson Vasconcelos, explicou que a interpelação judicial é uma ação jurídica que antecipa um processo criminal, no caso, que poderá ser de calúnia ou difamação.

“Sempre que alguém comete delito contra a honra de uma pessoa, a gente pode pedir essa medida para cobrar explicações. Como o [agora, ex] ministro alegou que a associação estava fornecendo maconha para o tráfico, nós estamos interpelando o ministro judicialmente para que ele informe de onde ele obteve essa informação”, explicou Vasconcelos.

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