Da cadeira de rodas à prancha de surf! Veja como a Cannabis mudou a vida do pequeno Victor

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Por Caroline Apple

Com apenas 10 meses de idade, o pequeno Victor Gabriel Martins passava pela primeira grande transformação de sua vida: a adoção. O pequeno Victor caiu nos braços de sua nova mãe, a agente de viagem Neide Mendes Martins, na época com 45 anos. A maternidade “tardia” era sinônimo de muita vontade e consciência de maternar. Madura, Neide encarou a adoção de duas crianças, irmãs, e manteve a família minimamente unida, ampliando a rede de amor e acolhimento.

Porém, Neide não imaginava que os desafios da maternidade bateriam tão rápido e com tanta intensidade em sua porta. Quando Victor completou um aninho, todas as vezes que pegava no sono, acordava cerca de 15 minutos depois com um espasmo sutil que projetava sua cabeça para frente. Na terceira noite que o espasmo deu as caras, a família correu para um neurologista. Então, após quatro meses de ter se tornado um Martins, Victor foi diagnosticado com epilepsia refratária. E era só o começo.

O remédio receitado pelo médico que era para melhorar os espasmos ainda sutis da epilepsia deixaram o pequeno extremamente acelerado. Desde o primeiro comprimido, ele corria pela casa toda, suava, gritava. Então, começou a peregrinação em busca de um médico que desse um jeito na saúde de Victor.

Só que nada que era receitado pelos novos médicos que a família pingava surtiam efeito, pelo contrário. O medicamento parecia piorar as crises. Os espasmos estavam cada vez mais intensos. Diante das características do filho, Neide desconfiava que Victor pudesse ter algum grau de autismo. Mas os médicos descartavam a possibilidade.

20 marcas de remédios alopáticos

Mas coração de mãe, seja ela biológica ou adotiva, não se engana. A essa altura do campeonato, Neide já havia largado o trabalho como agente de viagem. Sua dedicação ao Victor era integral. E foi assim, de pertinho, que essa mãe começou a ver o filho regredir.

Tudo que ele um dia havia conquistado nos últimos três anos, como fala e raciocínio, foi indo embora. Victor teve que usar um capacete especial de tanto hematoma, pontos e galos na cabeça devido as crises que o faziam despencar. O pequeno logo estava a uma cadeira de rodas por conta da dificuldade de se manter em pé por muito tempo.

Foram mais de 20 marcas de remédios alopáticos que Victor experimentou sem sucesso. Então, em 2013, Neide conheceu o canabidiol, porém, não conseguia arrumar um médico ou uma médica que prescrevesse a medicação à base de Cannabis.

A essa altura, Victor acumulava os diagnósticos de Síndrome de Lennox-Gastaut, Síndrome de West e epilepsia refratária. Mas o que restava era o tratamento convencional.

Da cadeira de rodas para a prancha

Victor antes do óleo de Cannabis e depois do tratamento com os canabinoides

A família já contabilizava cinco anos de crises de convulsão e dos mais diversos tipos, como ausências, e outras que o levavam a bater a cabeça com frequência em qualquer lugar, como no prato cheio de comida na mesa. Neide conta que Victor chegou a ter 80 crises em um dia.

Com o tratamento indicado pela última médica não surtiu efeito e se mostrou somente um gasto de tempo e dinheiro para a família, mesmo com as contas no vermelho, Neide resolveu dar a última tacada: pagar por uma consulta com um profissional que receitasse o óleo de canabidiol.

Em 2016, o médico receitou um óleo de CBD, mas a marca que compraram tinha pouca concentração. Logo veio a chance de experimentar um óleo com CBD isolado. Assim, as melhoras começaram a surgir. Victor já não caia mais no chão e as crises cessaram. Mas não durou muito tempo os efeitos positivos. Em meados de 2019, as crises voltaram. Não dava mais para aceitar que seu filho começasse a regredir e recomeçasse um processo de “desaparecimento” novamente. Então, Neide foi atrás de outro médico.

Mesmo acreditando no controle das crises e com a esperança de uma vida com mais qualidade para o seu filho, o companheiro de Neide e pai de Victor, Zeka Martins, estava cansado de ir a tantos médicos e só conseguia ver mais um suposto gasto que não os levariam para lugar algum diante do orçamento apertado que a família encarava naquelo momento. Porém, o amor e o cuidado falaram mais alto e em pouco tempo todos estavam frente a frente com mais um profissional da saúde.

Foi quando a família foi parar no consultório do neurocirurgião Pedro Pierro. Logo de cara, o médico percebeu que boa parte dos problemas que Victor ainda enfrentava estava ligada a uma questão comportamental. Foi então que o pequeno, já diagnosticado com autismo e hiperatividade, teve um olhar mais abrangente sobre seu caso.

O óleo, antes só de CBD, ganhou uma gradação de THC. Victor parou novamente de ter crises, seu comportamento mudou a ponto de conseguir ir para terapia e desenvolver atividades que antes eram impensáveis diante de uma criança extremamente vulnerável a quedas, sentada numa cadeira de rodas e extremamente agitada. Agora, a família aguarda para sentir como será o efeito do óleo com THC em longo prazo.

Hoje, Victor canta, dança, faz terapia com cavalos e integra a turma de surfistas da primeira escola de surf adaptado do mundo, na cidade de Santos, litoral de SP. Foi então que a família viu seu filho do coração, por meio do óleo de Cannabis, sair de uma cadeira de rodas direto para a uma prancha de surf, onde o Victor agora começa a aprender a “dropar” ondas, assim como “dropou” as big waves chamadas crises com a ajuda da maconha, mas, agora, esse drop é pura alegria e diversão.

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