Falta e racionamento de remédio de Cannabis é um medo e não uma realidade

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Foto: flapas/DepositPhotos

Valéria França

Mais do que o confinamento dos brasileiros, o Covid-19 trouxe muita ansiedade e medo. Não é apenas o medo de ficar doente. No início, houve pânico sobre o desabastecimento de alimentos. Duas semanas depois, os supermercados estão abertos e com as prateleiras cheias. Agora a questão são os medicamentos.

Durante a semana, a equipe do Sechat recebeu uma série de telefonemas de médicos e de representantes de associações, reportando a queixa dos pacientes de que os medicamentos à base de Cannabis, importados dos EUA, estariam presos no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, cidade do interior de São Paulo.

A justificação seria a falta de funcionários da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) devido a pandemia. De fato, muitos estão trabalhando remotamente, mas nas atividades onde a presença é fundamental, os agentes continuam comparecendo.

Os pacientes que procuraram ajuda são mães de pacientes. Em uma época em que o futuro é incerto, elas estão aflitas apenas com a possibilidade de os filhos não receberem o medicamento –sendo essa possibilidade real ou não. Como todas as matérias realizadas no Sechat, as informações foram checadas com todos os órgãos competentes e com cada paciente.

Os remédios à base de Cannabis não estão atrasados, nem muito menos sendo racionados pela Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária). O que existe é o medo, o sentimento de ficar sem o recurso. Uma sensação que não pode ser abrandada em uma saída à farmácia da esquina. A importação continua sendo o caminho para conseguir a Cannabis medicinal.

A boa notícia é que apesar da pandemia, os prazos para a importação estão melhores do que nunca. Não há motivo de pânico. Para se ter uma ideia do medo, abaixo a história de uma das oito pacientes ouvidas.

Entre compra, liberação da receita e chegada da mercadoria no Brasil foram 15 dias

Separada, a paulistana Joana Almeida (nome fictício para não expor a paciente) tem um filho adolescente, 13, com 1,80 metro de altura, que é autista. Ele toma óleo de CBD da Hempflex, medicamento que o deixa de bom humor e sem crises de agressividade.

“Meu filho fica difícil quando tem crise, quebra tudo em casa, puxa meu cabelo, dá tapas, quer brigar”, conta a mãe, que estava muito aflita com a possibilidade de o filho ficar sem CBD. “Mas quando está calmo é muito carinhoso. Quando era pequeno, todo mundo me parava porque ele é muito bonito. Recebeu até proposta para fazer campanhas publicitárias. Nem parece autista.”

Separada do marido, ela mora com o pai aposentado, porque não pode deixar o filho sozinho, nem tem recursos para contratar uma cuidadora. A dona de casa comprou o três frascos de CBD na Greencare no dia 12 de março. Cinco dias depois a importação foi liberada pela Anvisa.

Os três frascos chegaram ao Brasil quinze dias depois da compra, na quinta-feira (27). Uma vez no aeroporto, levam de 5 a 7 dias para serem conferidas por agentes da agência e expedidas para os compradores. Tudo está dentro do prazo, por enquanto.

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