Autistas alvinegros: projeto de inclusão e conscientização no universo do futebol

O diagnóstico tardio e a paixão pelo futebol fizeram nascer vozes fortes na conscientização do autismo

Publicada em 25/08/2023

capa
Compartilhe:

Por Tylla Lima

Em uma emocionante iniciativa que une paixão pelo futebol e a conscientização sobre o autismo, nasceu o projeto Autistas Alvinegros. Fundada no dia 2 de abril de 2022, data que marca o Dia Mundial do Autismo, a torcida inclusiva tem como principal objetivo disseminar informações sobre o transtorno e promover a inclusão de pessoas autistas na sociedade, em especial no contexto do esporte mais popular do Brasil.

Idealizada por Juliana Prado e seu amigo Rafael Lopes, ambos diagnosticados tardiamente com o espectro autista, a ideia de criar uma torcida inclusiva surgiu de uma conversa informal sobre suas experiências e a vontade de amplificar a conscientização em relação ao autismo. "Tivemos a ideia de criar inicialmente uma faixa, para levar na arena e chamar atenção. Pra trazer mais visibilidade para a nossa comunidade", destaca Juliana.

A torcida conta com uma diretoria composta por sete membros, dos quais quatro são autistas e os demais têm familiares atípicos. A diversidade reflete o comprometimento do projeto em abraçar a inclusão em todos os níveis e trazer perspectivas diversas para a causa.

"Ao levar conscientização e informação sobre o autismo, nossa intenção é sensibilizar a sociedade para a diversidade que compõe nosso mundo. Queremos mostrar que pessoas autistas podem estar presentes em todos os lugares, inclusive nas arquibancadas de um estádio de futebol", ressalta Juliana.

Os Autistas Alvinegros têm se dedicado a uma série de ações. Além de produzir faixas e materiais visuais que destacam a causa, a torcida tem promovido encontros e eventos temáticos relacionados ao autismo, disseminando informações valiosas e quebrando estigmas.

"Ao levar conscientização e informação sobre o autismo, nossa intenção é sensibilizar a sociedade para a diversidade que compõe nosso mundo. Queremos mostrar que pessoas autistas podem estar presentes em todos os lugares, inclusive nas arquibancadas de um estádio de futebol."

Juliana Prado, idealizada do projeto

O projeto não apenas une a paixão pelo futebol, mas também une corações em prol da inclusão e da conscientização. Com sua abordagem inovadora, reforça a ideia de que o autismo não é um obstáculo, mas uma característica que enriquece a diversidade humana e enriquece nossa experiência coletiva.

O autista pode utilizar cannabis medicinal?

A planta auxilia no tratamento para o quadro de autismo com eficácia comprovada pelos médicos.

Juliana conhece os benefícios do canabidiol para o Transtorno do Espectro Autista (TEA), que se refere a uma série de condições caracterizadas por algum grau de comprometimento no comportamento social, na comunicação e na linguagem, e por uma gama estreita de interesses e atividades que são únicas para o indivíduo e realizadas de forma repetitiva.

Segundo a pediatria e psiquiatra infantil, Amanda Medeiros, a planta auxilia no tratamento para o quadro de autismo e já existem muitas evidências dos benefícios proporcionados pelos canabinoides.

“A cannabis é boa para começar em qualquer idade após diagnóstico médico. Tem efeito ansiolítico importante melhorando os comportamentos ansiosos, ativando áreas do cérebro que antes estavam inativadas, principalmente, a área da fala. E, eu gosto mais da cannabis porque não tem efeito colateral”,  reforça Medeiros.

Você também gostaria de ler:

“A cannabis foi revolucionária em nossas vidas e no tratamento da minha filha”, diz mãe de criança autista