Burnout x cannabis: médica explica como o CBD pode ajudar no controle da exaustão emocional
A médica da família Carolina Rosa analisa estudo sobre exaustão mental e explica como o CBD pode atuar como aliado sem substituir outras formas de cuidado
Publicada em 02/04/2026

Uso de CBD no tratamento do burnout e exaustão emocional | CanvaPro
A exaustão que não passa com descanso, a sensação constante de sobrecarga e o esgotamento emocional têm se tornado cada vez mais comuns, especialmente em uma sociedade que valoriza produtividade contínua.
Nesse cenário, o uso da cannabis medicinal começa a ganhar espaço nas conversas sobre saúde mental, mas ainda cercado de dúvidas. No Portal Sechat, já publicamos inúmeros estudos referentes ao apoio que a cannabis, enquanto medicina, pode colaborar com a exaustão mental, principalmente quando se trata da síndrome de Burnout.
Para entender um pouco mais sobre o assunto, entrevistamos a colunista e médica da família Carolina Rosa, que analisou evidências recentes e trouxe reflexões sobre o uso do CBD em casos de burnout.
Cannabis não é solução rápida para burnout
Ao abordar o papel da cannabis no cuidado com o burnout, a médica destaca que o tratamento exige uma visão ampla e integrada: “O Burnout é tido hoje como um estado de exaustão tanto física como emocional, ocasionado por estresse frequente relacionado ao trabalho. Tem se tornado cada vez mais comum, ainda mais na nossa sociedade que tem exigido performance a todo tempo", explicou a médica.

Ainda de acordo com Dra. Carolina, os sintomas envolvem ansiedade, medo, desânimo, sensação de falta de energia, mesmo após o descanso. A cannabis pode agir no sistema Endocanabinóide (SEC) que é responsável pela homeostase do corpo, ou seja manter em equilíbrio, regulando funções como sono, humor e resposta ao estresse.
"O CBD em especial pode reduzir a hiperativacao do eixo hipotálamo hipnose adrenal, modulando a liberação do cortisol. Mas vale lembrar que a cannabis medicinal não é mágica e não age sozinha é necessário acompanhamento psicoterápico e planejamento estruturado para modificar o fator que está causando o desequilíbrio”, pontua.
O que diz o estudo sobre CBD e exaustão emocional
Um estudo brasileiro publicado no JAMA Network Open apontou redução na exaustão emocional em profissionais de saúde que utilizaram CBD durante a pandemia. Na prática clínica, Carolina avalia o dado com cautela. “O CBD não cura o burnout, mas ele ajuda a modular o sintoma principal associado a condição clínica, a exaustão. Ele age em receptores CB1, 5 ht1a e na nossa amígdala, essas ações podem reduzir ansiedade basal, diminuir ruminação mental, baixar tensão corporal persistente", aponta.
Sobre o estudo, Dra. Carol afirma: "essa análise reforça que o CBD pode ser considerado como adjuvante em casos selecionados, com objetivo claro (reduzir exaustão, melhorar regulação emocional e sono) e sempre associado a acompanhamento e mudanças estruturais. Por isso, no consultório, o benefício não costuma ser imediato nem isolado, mas progressivo".
Benefícios, riscos e ajuste de dose
A individualização do tratamento é um dos pontos centrais quando se fala em cannabis medicinal para saúde mental. “A pergunta não é se ajuda, é como usar sem atrapalhar aquilo que a pessoa ainda precisa sustentar (atenção, trabalho, tomada de decisão). Quando bem indicado os benefícios costuma ser claros como redução da ansiedade, menor reatividade emocional, melhora do sono, mais tolerabilidade ao estresse agudo". Ela reforça:
"Em contra partida os efeitos adversos podem ser lentificação cognitiva e sensação de embotamento, esses riscos não estão ligados aos Fitocanabinoides em si, mas a dose, o timing e a expectativa".
E complementa: "por isso, na prática usamos uma máxima: “star low, go slow”, que nada mais é do que começar com doses baixas e ir aumentando ao longo do tramento até encontramos a dose mínima eficaz, com segurança e boa tolerabilidade do paciente. Além disso o ideal é sempre fracionar as doses, para evitar picos plasmáticos”.
Burnout além da saúde: um retrato social
Embora o estudo tenha sido conduzido com profissionais de saúde, os impactos do burnout ultrapassam essa categoria: “Sim, acho que reflete muito a sociedade no geral, como disse antes: vivemos em um mundo que está super focado em performance o tempo inteiro, onde muitas vezes nos sentimos obrigados em fazer algo produtivo até nos nossos dias de folga, e muita vezes vem o sentimento de culpa se descansamos. Desta forma, acabamos também levando para o trabalho esse sentimento de “performar”, e sem os descansos adequados uma hora nosso corpo e nossa mente não aguenta", analisa a entrevistada.
Apesar do avanço regulatório e do interesse crescente, ainda existem barreiras importantes para o uso responsável da cannabis medicinal no Brasil. “A meu ver ainda falta uma longa caminhada, em todos esses pontos. Precisamos de uma formação estruturada sobre sistema Endocanabinóide, ensino na graduação e residência, aumento nas pesquisas científicas, leitura mais crítica de evidência (não só “CBD funciona / não funciona”), discussão ética: quando não prescrever também é cuidado, treinamentos para manejo de expectativa do paciente", detalha.
Sobre o acesso à cannabis a médica acredita que ainda é muito restrito e burocrático, principalmente quanto ao custo, mesmo com o avanço recente deliberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa. "Vale lembrar que o cuidado não termina na liberação do produto, ainda falta pensarmos em políticas públicas que ampliem acesso com acompanhamento adequado e com direitos à todos que dependem e optam pelo uso do medicamento como um todo, principalmente no uso da Cannabis no tratamento do Burnout", finaliza.


