Cannabis medicinal melhora qualidade de vida de pacientes, aponta pesquisa britânica
Levantamento com mais de 1.600 pacientes de cannabis medicinal revela impacto na qualidade de vida e reacende discussões sobre o uso terapêutico da planta no Reino Unido
Publicada em 18/03/2026

Pesquisa britânica com pacientes que utilizam cannabis medicinal aponta impactos positivos na qualidade de vida e reforça discussões científicas sobre o papel da terapia no tratamento de sintomas complexos, incluindo os associados ao câncer | CanvaPro
Uma pesquisa recente com pacientes que utilizam cannabis prescrita no Reino Unido voltou a colocar a terapia no centro das discussões sobre saúde e qualidade de vida. Divulgado pelo portal Cañamo, o levantamento reúne relatos de 1.669 pacientes com prescrição médica de cannabis, considerado o maior estudo já realizado no país com usuários desse tipo de tratamento.
O estudo analisa a experiência real de pessoas que utilizam a terapia para tratar diferentes condições de saúde e revela uma percepção amplamente positiva entre os participantes, ao mesmo tempo em que evidencia desafios relacionados ao acesso e ao estigma.
A divulgação reacende debates científicos e médicos sobre o papel da cannabis medicinal no manejo de sintomas de doenças complexas, entre elas o câncer, especialmente no contexto de sistemas de saúde que ainda enfrentam barreiras regulatórias e clínicas para ampliar o acesso ao tratamento.
Pesquisa com pacientes aponta melhora na qualidade de vida
De acordo com os resultados do levantamento, 97% dos pacientes afirmaram que sua qualidade de vida melhorou após iniciar o tratamento com cannabis medicinal, sendo que 65,8% classificaram a melhora como significativa e 31% como moderada.
O estudo também indica impactos no cotidiano dos participantes. Cerca de 85% relataram melhora na capacidade de realizar atividades diárias, enquanto 67% disseram perceber efeitos positivos na vida profissional ou acadêmica.
Outro dado apontado pela pesquisa mostra que 88% dos participantes não relataram efeitos colaterais associados ao tratamento.
Segundo os autores do levantamento, os resultados refletem uma população de pacientes que relata benefícios relevantes associados ao uso terapêutico da cannabis.
Condições tratadas incluem dor crônica e sintomas complexos
Entre os participantes da pesquisa, a principal indicação médica para o uso de cannabis foi dor crônica, responsável por aproximadamente 47,5% das prescrições relatadas no estudo.
Outras condições também aparecem entre os motivos para prescrição, incluindo transtornos de saúde mental, distúrbios neurológicos e problemas relacionados ao sono.
O levantamento aponta ainda que 72% dos pacientes utilizam cannabis medicinal para tratar mais de uma condição ao mesmo tempo, o que reforça o caráter multifatorial das terapias com canabinoides.
Nesse contexto, especialistas também investigam o potencial da cannabis para o manejo de sintomas associados ao câncer, como dor, náusea, ansiedade e perda de apetite — efeitos frequentemente relacionados tanto à doença quanto aos tratamentos oncológicos.
Debate sobre cannabis medicinal continua em evolução
Apesar da legalização da cannabis medicinal no Reino Unido em 2018, o acesso à terapia ainda apresenta desafios. A prescrição costuma ocorrer principalmente em clínicas privadas, e especialistas apontam que o sistema público de saúde ainda possui limitações para incorporar amplamente esse tipo de tratamento.
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Ao reunir relatos de pacientes em larga escala, o levantamento divulgado pelo portal Cañamo contribui para ampliar a base de dados sobre a experiência de pessoas que utilizam cannabis prescrita, trazendo novos elementos para o debate científico e médico sobre seu uso terapêutico.
Fonte: Com informações baseadas nas publicações de Cañamo. Net. e UK Medical Cannabis Patiente.

