Jonas Duclos, da CBD420, defende a auto regulação do mercado de cannabis

Em entrevista ao portal Sechat, suíço falou sobre a baixa qualidade da maconha na Europa, os problemas de legislação e sugeriu uma lei única que regule todos os aspectos da planta

Publicada em 18/11/2019

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Marcus Bruno

O suíço Jonas Duclos, um dos três fundadores da JKB Research e da sua famosa marca de produtos com canabidiol CBD420 ®, tem uma relação muito particular com a planta. Ele é portador de uma doença rara e incurável, a pitiríase rubra pilar, ou "doença de Devergie", uma patologia caracterizada por placas avermelhadas e descamação de pele, que provoca dores insuportáveis. Sem tratamento paliativo e após vários anos de tratamento ineficaz, Jonas descobriu que a maconha diminuía o seu sofrimento e começou a se tratar com a planta.

"Eu tenho essa dor permanente, é como se minha pele estivesse queimando. E a maconha me salvou, fumar me faz conseguir trabalhar. Sou muito sensível sobre isso porque, não só eu, mas muitas pessoas também foram salvas pela maconha. Obviamente, minha aproximação com essa indústria tem a ver com isso", afirmou, em entrevista ao portal Sechat, o empresário que deixou um emprego num banco suíço para se dedicar à cannabis tão logo ela foi legalizada no país.

"Eu quero salvar pessoas. Tenho funcionários e pacientes usando nossos produtos e tenho muito orgulho de ajudá-los. Mas, ao mesmo tempo, temos essa situação que é essa área nebulosa, regras não claras e produtos perigosos nas ruas", destacou Jonas, nesta que é uma de suas principais preocupações no setor.

A JKB Research é uma empresa sediada em Genebra e que busca mudar a mentalidade do público sobre a cannabis. Ela busca fornecer produtos legais da mais alta qualidade, missão que exigiu a criação da marca comercial CBD420 ®.

Duclos explicou que a Suíça tem uma enorme vantagem legal com relação ao resto da Europa: a permissão de uma maior concentração de THC nas plantas de cânhamo, que podem produzir melhores medicamentos.

"Antes eles permitiam até 0,3% de THC para os agricultores, e na Suíça o solo é de boa qualidade, a água e o ar são bons, e o sol também está ficando melhor com mudanças climáticas. Por isso, em 2011 o governo suíço aumentou a tolerância para 1% de THC. Isso não mudou em nada para os agricultores, que fabricam para a indústria têxtil. Mas vendo hoje, este é o momento em que estamos entendendo que, de fato existem mais moléculas na planta do que THC e CBD, e elas vêm dando muitos resultados positivos na medicação".

Sócios de Jonas Duclos, Kevin Goetelen e Bruno Studer

"Governos não sabem lidar com a cannabis"

Para Jonas Duclos, esse aumento na concentração de THC, apesar de ter sido positivo, mostra como o governo não tem conhecimento técnico sobre a questão e faz políticas no achismo: "os governos não sabem o que é CBD, nem como lidar com isso, não tem controle de qualidade", critica.

Por isso, o empresário tem defendido publicamente a auto-regulação do mercado de cannabis. Para Jonas Duclos, cada vez mais empresas, marcas e produtos de cannabis surgem no mercado, sem qualquer controle de qualidade ou regulação. No raciocínio dele, o governo ainda está em busca de respostas, ao passo que as empresas querem regras claras para que elas próprias possam segui-las.

"A grande questão é que tipo de controle precisamos e é nisso que os governos estão com dificuldades. Quando digo que a indústria deve ser auto-regulada, é porque as pessoas nesta indústria são mais instruídas e realmente entendem as questões internas e são quem deveriam aconselhar os governos. Infelizmente, a situação atual é que apenas as multinacionais e grandes farmacêuticas aconselham os governos."

CBD420 também produz balas com canabidiol

Uma única legislação para a maconha

Para Duclos, a integração da maconha nas legislações nacionais é algo difícil de se implementar, pois possuímos leis específicas para cada produto e cada atividade, e a maconha permeia variados tipos de formas e atividades. Por isso, o empresário sustenta também uma legislação única para a cannabis.

"Ela pode ser medicinal, recreativa, nutricional, uma bebida, um produto para fumar, comer, e nossa sociedade é tão regrada que temos leis alimentares e leis sobre bebidas, leis de medicamentos e cannabis circula em todos esse lugares. Como lidar com isso? A única resposta relevante é termos uma regulamentação sobre a maconha que cubra todos os aspectos da planta".

Duclos sugere dois impostos diferentes, um alto para o uso recreativo, e um baixo ou nulo para o medicinal, assim, o governo ganharia recursos importantes e teríamos um produto mais barato.

"Meu objetivo é sempre tentar encontrar um equilíbrio político que permita que a maconha seja acessível a todos, porque no final tudo é sobre o custo. No momento, a indústria farmacêutica trabalha com médicos e os planos de saúde, e, claro, essas pessoas não querem a maconha, porque ela pode ser potencialmente barata, e isso não interessa às grandes empresas, interessadas apenas em lucro".

Jonas Duclos no escritório