Modelos regulatórios e desafios de valor no mercado global da cannabis
O debate sobre a estrutura regulatória do mercado de cannabis medicinal atingiu um novo patamar no Brasil com a entrevista exclusiva do Jaime Ozi e Patrício Stocker
Publicada em 16/12/2025

Imagem: IA
O programa reuniu dois consultores de destaque, Jaime Ozi (ex-Canopy Growth) e Patrício Stocker (ex-CEO da PharmaCielo), para analisar como as decisões governamentais em jurisdições pioneiras definiram o sucesso e o desafios do setor.
Em um tom analítico, os especialistas detalharam os principais erros regulatórios que levaram à perda de bilhões em valor de mercado por parte das grandes corporações.
Conflito de Mindsets
Jaime Ozi, com vasta experiência no mercado canadense, apontou o conflito de mentalidades como um fator destrutivo.
“O grande erro inicial foi a confusão de mindset,” afirmou Ozi. “A indústria tentou aplicar o modelo de consumo, focado em agilidade e marca, em um ambiente regulatório farmacêutico, que é lento, burocrático e focado em compliance. Essa incompatibilidade drenou capital e inviabilizou muitas estratégias.”
O especialista sublinhou que a falta de clareza regulatória sobre se o produto seria tratado como medicamento ou bem de consumo levou a um choque de culturas que impactou diretamente a eficiência e a lucratividade das empresas, como a própria Canopy Growth.
A Regulação como Fator de Risco
Patrício Stocker, que liderou a PharmaCielo — uma das gigantes de produção de baixo custo na Colômbia —, enfatizou o papel da regulação como o principal fator de risco para o investidor.
“Vimos a regulamentação, que deveria proteger o consumidor e impulsionar o setor, atuar como um fator de destruição de valor,” declarou Stocker. “Em mercados como o canadense e o colombiano, os modelos iniciais não foram realistas com a demanda de mercado nem com a capacidade de produção. O resultado foi um desequilíbrio entre oferta e demanda regulada, levando à queda drástica do valor das ações.”
Stocker alertou que o Brasil deve usar essas experiências internacionais para evitar repetir os "erros de ouro" — regulamentações que parecem promissoras, mas que, na prática, engessam a cadeia produtiva e afastam o investimento sério.
Lições para o Brasil
A entrevista serve como um estudo de caso fundamental para o debate regulatório brasileiro, especialmente no que tange ao cultivo de cannabis e à entrada de grandes players farmacêuticos e agrícolas.
Para entender em profundidade as lições que o Brasil precisa absorver sobre a evolução da cannabis medicinal, assista à íntegra da entrevista no Sechat Oficial no YouTube:



