Novas leis no Brasil e na Argentina podem sinalizar 'mudança radical' nos mercados globais

Lorenzo Rolim da Silva, presidente da Associação Latino-Americana de Cânhamo Industrial, disse que se as novas leis sobre a cannabis forem promulgadas, elas permitirão que os dois países realizem todo o seu potencial nos mercados internacionais

Publicada em 23/11/2021

capa

Curadoria e dição Sechat com informações de Hemp Today

As propostas de leis em vias de aprovação no Brasil e na Argentina podem levar a “uma mudança radical na dinâmica global da produção de cânhamo industrial e cannabis medicinal”, de acordo com o principal grupo da indústria de cânhamo da América Latina.

Lorenzo Rolim da Silva, presidente da Associação Latino-Americana de Cânhamo Industrial, disse que se as novas leis sobre a maconha forem promulgadas, elas permitirão que os dois países realizem todo o seu potencial nos mercados internacionais.

“Ambos os projetos são bastante robustos e modernos e colocariam os dois países em linha com os regulamentos atuais da União Europeia e da América do Norte”, disse Rolim.

No Brasil, uma votação esperada antes do final de 2021 significa que os regulamentos podem entrar em vigor no próximo ano. O projeto de lei da Argentina, já aprovado pelas comissões legislativas de agricultura, finanças e segurança nacional, aguarda a última etapa de aprovação pelo Senado do país, com chance de entrar em vigor também em 2022.

Mainstreaming de cânhamo

Ambos os países tratariam o cânhamo industrial da mesma forma que culturas comuns, como soja e milho, com supervisão apenas dos ministérios da agricultura da Argentina e do Brasil, e sem envolvimento de agências de drogas.

Com a agricultura desempenhando um papel crítico na economia de cada nação, as novas leis permitiriam que o cânhamo se tornasse a cultura predominante em duas das principais nações agrícolas do mundo, ambas com localização vantajosa para o cultivo de cânhamo.

As leis também facilitariam o acesso a medicamentos à base de canabinoides em grandes mercados de consumo doméstico de rápido crescimento, atualmente atendidos por produtos importados. A produção local poderia suplantar essas importações com produtos mais baratos e de melhor qualidade, sugeriu Lula.

Potencial do brasil

O Brasil é o quarto maior país agrícola do mundo, atrás da China, Índia e Estados Unidos, com potencial para cultivar cânhamo em grande escala, abrindo oportunidades para a produção de grãos e fibras.

Embora o cânhamo seja relativamente desconhecido como alimento entre os 212 milhões de consumidores do país, o marketing pode mudar isso com o tempo, enquanto o cânhamo pode se juntar imediatamente a outras commodities atualmente exportadas pelos agricultores brasileiros.

O Brasil também é líder na indústria global de celulose e papel, principalmente um mercado de exportação, mas no qual se espera que os insumos de cânhamo se expandam à medida que a demanda por matérias-primas sustentáveis ​​aumenta.

Observadores dizem que o potencial da maconha medicinal no Brasil - que ocupa o quarto lugar entre os mercados farmacêuticos globais - pode aumentar com a aprovação da nova legislação, com estimativas de que o setor poderá atingir um faturamento de US $ 4,7 bilhões nos próximos três anos.

Abordagem de planta inteira da Argentina

As indústrias de cânhamo e maconha medicinal na Argentina podem gerar 10.000 novos empregos, US $ 500 milhões em vendas domésticas e US $ 50 milhões em exportações anuais, de acordo com estimativas do governo.

O  projeto de lei na Argentina defende uma abordagem de planta inteira para o cânhamo, enquanto visa explorar a cultura para seus benefícios ambientais e de saúde, além de seu potencial para o desenvolvimento econômico. O cânhamo pode servir como um substituto para um setor de tabaco em declínio e levar à inovação em tecnologia e desenvolvimento de produtos, sugeriu o governo.

Novas cadeias de valor, investimento

A posição da Argentina como líder global na produção agrícola, sua experiência em pesquisa científica, estrutura de laboratórios e ampla rede de fornecedores tornam o país uma potência potencial da cannabis medicinal.

O governo disse que a lei proposta proporcionaria aos consumidores argentinos maior acesso à maconha medicinal e impulsionaria o desenvolvimento econômico ao estabelecer novas cadeias de valor nas províncias do país.

A aprovação da nova lei do país certamente desencadeará uma onda de investimentos nos setores de cannabis no mercado argentino de 45 milhões de consumidores, disseram as partes interessadas.

Novas leis no Brasil e na Argentina podem sinalizar 'mu...