Saiba o potencial revolucionário do cânhamo, uma das plantas mais versáteis do planeta

Em muitos países, o cultivo de cânhamo é regulamentado por lei, mas sua legalização varia. No Brasil, o cultivo de cânhamo não é permitido

Publicada em 21/03/2024

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O cânhamo, membro da espécie Cannabis sativa L., destaca-se por seu baixo teor de tetra-hidrocanabinol (THC), o componente psicoativo presente na maconha. Comumente, o cânhamo contém menos de 0,3% de THC por peso seco.

Em muitos países, o cultivo de cânhamo é regulamentado por lei, mas sua legalização varia. No Brasil, o cultivo de cânhamo não é permitido.

Quando legalizado, o cânhamo industrial apresenta diversas aplicações. Suas fibras, notavelmente mais resistentes que o algodão, têm potencial para a produção de roupas sustentáveis na indústria têxtil. Além disso, o cânhamo é utilizado em diversas áreas da indústria. 

No mundo da botânica, o cânhamo, parente próximo da cannabis, ganha destaque por suas propriedades únicas e potencial industrial.

Diferenças com a Maconha: Enquanto compartilha a mesma espécie, Cannabis sativa L., o cânhamo se destaca por seu baixo teor de THC, a substância psicoativa presente na maconha. Comumente, o cânhamo não ultrapassa 0,3% de THC por peso seco.

Cultivo Regulado e Legalização Global: O cultivo de cânhamo é controlado por lei, variando sua legalização de país para país. No Brasil, ainda não é legalizado.

Versatilidade Industrial: Quando legalizado, o cânhamo industrial promete revolucionar diversas indústrias. Suas fibras, três vezes mais resistentes que o algodão, são ideais para produção de roupas sustentáveis.

Aplicações Diversificadas: Além do têxtil, o cânhamo é matéria-prima para biocombustíveis, óleo, resinas, papel e até mesmo cerveja.

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Cânhamo - Ilustração 3º Guia Sechat da Cannabis 

No Brasil, o cultivo de cânhamo permanece proibido, enquanto em outros países sua legalização é uma realidade, sujeita a regulamentações específicas. Quando permitido, o cânhamo industrial revela seu potencial como matéria-prima para diversas indústrias.

O Potencial Revolucionário de uma planta versátil

Estudos recentes têm destacado o potencial revolucionário do cânhamo em diversas indústrias, incluindo a construção civil e a têxtil. Pesquisas indicam que as fibras do cânhamo podem ser utilizadas para criar um tipo de concreto tão efetivo quanto o tradicional, sendo até mais resistente, além de oferecer propriedades como isolamento térmico, impermeabilidade e respirabilidade. Um fator crucial é o baixo consumo de água durante o cultivo, tornando-o ainda mais favorável ao meio ambiente.

Na construção civil, o cânhamo vem sendo explorado na produção de materiais de construção sustentáveis, como isolantes, embalagens biodegradáveis e até mesmo em estruturas de edifícios. Um exemplo notável foi a utilização do cânhamo na construção de uma pista de Bobsled durante as Olimpíadas de Inverno de 2022, na China.

No setor têxtil, o cânhamo está sendo considerado uma alternativa viável aos tecidos convencionais, como o algodão. Além de exigir menos água e nenhum uso de inseticidas durante o cultivo, o cânhamo tem um rendimento de fibra significativamente maior por área cultivada. Marcas globais, incluindo Nike e Levi’s, estão explorando o potencial do cânhamo em suas linhas de produtos, ao passo que marcas brasileiras como Reserva e Ginger também adotam essa fibra em suas coleções.

Embora ainda haja incertezas sobre a legislação brasileira em relação ao uso do cânhamo para diversos fins, outros países da América Latina já estão colhendo os benefícios dessa planta e seus subprodutos. Na Colômbia, por exemplo, recentemente foi aprovado um projeto de lei que separa o cânhamo industrial da cannabis medicinal, proporcionando mais liberdade na produção e processamento. No Paraguai, empresas locais estão iniciando programas de produção de cânhamo industrial com pequenos agricultores. O Uruguai também avançou nesse sentido, concedendo licenças para produção de cânhamo e cannabis medicinal com alto teor de THC, uma medida praticamente inédita a nível mundial.

Diante desse cenário promissor, Lorenzo Rolim da Silva, presidente da Associação Latino Americana de Cânhamo (LAIHA) e colunista do Portal Sechat, destaca os avanços realizados em diversos países latino-americanos, ressaltando o potencial transformador do cânhamo para as economias regionais e globais.

Potencial Econômico do Cânhamo Impulsiona Diversificação Industrial

O cânhamo, planta versátil conhecida por suas inúmeras aplicações industriais, está ganhando destaque no mercado brasileiro devido ao seu potencial econômico em diversos setores. Com o aumento da demanda por produtos sustentáveis e naturais, empresas estão explorando as oportunidades oferecidas por essa cultura milenar.

Marcas brasileiras como SouBlum já estão inovando ao comercializar produtos como calcinhas menstruais feitas com as fibras do cânhamo, enquanto a Chocohemp está utilizando terpenos da planta, entre outros compostos vegetais, para agregar sabores e aromas aos seus chocolates. Além disso, a cerveja brasileira Fumaçônica, criada em Curitiba em 2016, está conquistando seu espaço no mercado ao incorporar infusões de terpenos do cânhamo em sua produção.

O setor de higiene e beleza também está investindo nos benefícios do cânhamo, com produtos cosméticos contendo compostos derivados da planta, uma tendência que acompanha o crescente interesse dos consumidores por produtos de skincare naturais.

De acordo com estudo da Factor Kline, empresa de consultoria e inteligência de negócios, 86% das instituições comerciais independentes no setor estão direcionando seus portfólios para alternativas fitoterápicas, incluindo produtos à base de plantas como o cânhamo. Desde a aprovação, em 2015, do uso medicinal de alguns canabinoides pela Anvisa, 90% dos projetos criados foram voltados principalmente para os consumidores das gerações Y e Z, impulsionando ainda mais o mercado de beleza e cuidados pessoais com a cannabis.

Além disso, o cânhamo está se destacando também na construção civil, onde sua utilização pode contribuir significativamente para reduzir os impactos ambientais. Essa diversificação industrial reflete não apenas o potencial econômico do cânhamo, mas também a crescente conscientização sobre a importância da sustentabilidade nos mercados contemporâneos.