Potencial agrícola do cânhamo no Brasil enfrenta barreiras

Especialistas alertam para a necessidade urgente de investimentos em processamento e beneficiamento da fibra

Publicada em 05/01/2026

Potencial agrícola do cânhamo no Brasil enfrenta barreiras

A consultora em inovação Juliana Tranjan alertou que o Brasil ainda não possui o maquinário necessário para processar essa riqueza em larga escala. Imagem: Canva Pro

A discrepância entre o potencial agrícola do cânhamo e a capacidade industrial instalada no país foi o tema central dos debates no Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal. Enquanto estudos recentes reforçam o papel da planta como uma cultura de cobertura superior, capaz de regenerar solos e sequestrar carbono, o setor enfrenta desafios estruturais.

 

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A consultora em inovação Juliana Tranjan alertou que o Brasil ainda não possui o maquinário necessário para processar essa riqueza em larga escala. Durante o painel do módulo Business Cannabis, Tranjan foi enfática ao diagnosticar o gargalo nacional para o desenvolvimento do cânhamo.

Segundo ela, apesar dos avanços regulatórios no campo medicinal, o aproveitamento industrial da planta enfrenta barreiras tecnológicas. 

"O cânhamo pode ser usado da raiz até a folha, a flor. Estamos vendo passos significativos sendo dados no setor brasileiro, mas a situação ainda é muito restritiva. Temos maior avanço no campo medicinal", afirmou a consultora.

 

Desafios no processamento da fibra de cânhamo

 

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Juliana Tranjan durante o Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal. Imagem: Arquivo Sechat

 

Para que o cânhamo deixe de ser apenas uma promessa agrícola e se torne um produto de mercado consolidado, é preciso investimento em beneficiamento. Diferente da colheita manual ou simplificada, a fibra da planta exige processos industriais específicos.

É necessária a decorticação para separar as fibras longas das curtas (hurds). “Quanto ao cânhamo, o grande desafio do Brasil é o processamento, como trabalhar com a fibra e como beneficiar esse subproduto. Não é só o que podemos fazer, mas sim o recurso para fazer", explicou Tranjan.

Ela complementou destacando a escassez de infraestrutura: "No Brasil, a verdade é que não temos. Precisamos de investimento para produzir em larga escala, para produzir nacionalmente e, no futuro, exportar”.

 

Potencial agronômico do cânhamo desperdiçado

 

A urgência pelo investimento defendido por Tranjan se justifica pelos dados técnicos apresentados pelo setor. Segundo levantamento do portal Sechat, o cânhamo se destaca como uma excelente opção para a entressafra, oferecendo benefícios que superam culturas tradicionais.

Em termos de biomassa, a planta pode produzir até 25 toneladas de matéria seca por hectare. Esse volume é mais que o dobro do milho, cuja produção gira em torno de 10 a 12 toneladas.

Além disso, seu sistema radicular profundo ajuda a descompactar o solo e a reter água. A cobertura densa da folhagem do cânhamo também inibe o crescimento de ervas daninhas, reduzindo significativamente a necessidade de herbicidas.

 

Mercado, regulação e o futuro do cânhamo

 

Outro ponto de destaque é o controle biológico natural. O cultivo do cânhamo pode quebrar o ciclo de pragas comuns na agricultura brasileira, como o percevejo, reduzindo a pressão de insetos para a safra seguinte. Sem o processamento industrial adequado, contudo, essa biomassa rica em fibras acaba subutilizada.

O painel também trouxe perspectivas complementares sobre o cenário regulatório. O advogado Erik Torquato ressaltou a importância da judicialização e dos Habeas Corpus para o cultivo caseiro, classificando-os como uma resposta da sociedade civil e dos profissionais de saúde à inércia estatal.

Para Juliana Tranjan, a união dessas pontas é vital. “O Congresso é um local de muita informação e ideias diferentes. Hoje o mercado precisa disso: conexões e trocas. Com certeza esse espaço vai abrir muitas portas”, concluiu.

 

5ª Edição confirmada para 2026

 

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 4ª edição do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal (CBCM). Imagem: Sechat

 

Consolidado como o principal encontro científico e profissional do setor na América Latina, a organização do evento confirmou a realização da 5ª edição do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal (CBCM). O evento ocorrerá entre os dias 21 e 23 de maio de 2026, no Transamerica Expo Center, em São Paulo.

A programação será elaborada por um Comitê Científico composto por referências nacionais e internacionais. O objetivo é garantir o rigor técnico para um público formado por médicos, pesquisadores, profissionais do agronegócio do cânhamo e representantes do setor público. As vendas para a edição de 2026 já estão abertas através do site oficial.