Webinar de Cannabis mostra setor engajado e com certeza da necessidade do cultivo

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Paulo Teixeira, Carlos Minc e José Bacellar: webinar em tempos de Covid-19

Valéria França

Em uma temporada cheia de lives com personalidades, economistas e médicos, nesta quarta-feira, houve o primeiro webinar nacional de Cannabis com dois painéis. Organizado pela Folha de S. Paulo, mostrou que o setor não desanimou nem com a crise provocada pela pandemia global. Ao contrário, está engajado e batalhando por ter matéria-prima mais acessível que a importada.

No último painel, não houve dúvidas dos concordaram sobre a necessidade do cultivo nacional. “O medicamento precisa ser acessível a todos”, disse José Bacellar. Hoje a saúde está em pauta, por causa da pandemia. Mas deixou claro que é um setor que precisa de mais atenção. Em 2021, a saúde continua no foco dos políticos e da sociedade como um todo. A Cannabis é saúde.”

Liminar para plantio

Nos EUA, as lojas de Cannabis medicinal ficaram abertas, por considerarem que elas prestam um serviço tão essencial como supermercados e farmácias clássicas.

Na quarentena, fechada em seu apartamento- Taddeo recebeu um transplante de rim no passado e está no grupo de risco para a Covi-19–, ela vem maquinando novas estratégias. Entre elas, uma ação de pedido de cultivo. Com a ajuda do advogado Arthur Arsuffi, a CEO vai entrar na Justiça em breve.

Com a alta do dólar a Be Hemp ficou inviável. A Cannabis medicinal é importada e distribuída gratuitamente para as 600 crianças da associação. “Preciso cultivar para continuar ajudando. Não é brincadeira. Além disso, são pacientes de risco para a Covid-19. O Governo precisa nos ajudar, liberando o cultivo.”

Muitos pacientes hoje plantam Cannabis em casa para o consumo medicinal porque conseguiram autorização na Justiça. “Este é um instrumento frágil, que pode cair a qualquer momento”, disse o advogado Rodrigo Mesquita, membro da Comissão Especial de Assuntos Regulatórios da Ordem dos Advogados. “É muito importante ter uma legislação que permita o cultivo.” Mesquita lembrou que o agronegócio no Brasil está tão tecnológico que são muitas as possibilidade de garantir um produção segura, questão que sempre é pelos “terraplanistas” (como Mesquita e o setor em geral se refere aos apoiadores do ex-ministro da Cidadania, Osmar Terra).

Aumento do consumo

“O consumo dos remédios formulados com a planta aumentou, nos EUA e no Brasil”, diz a empresária Cristiana Taddeo, fundadora da Be Hemps, associação de pacientes com epilepsia, e CEO da Newcare Pharma. “No primeiro momento os pacientes ficaram assustados com a possibilidade de os medicamentos faltarem. Também se preocuparam com a possível disparada do dólar– o que de fato aconteceu.” Mas não foi só isso que fez aumentar o consumo.

Radiologista e praticante da medicina integral, Paula Dall’Stella disse que durante o mês de abril aumentou o número de pacientes com depressão e ansiedade. “A Cannabis medicinal funciona bem para estes distúrbios e não causa efeitos colaterais como os antidepressivos”, completou Stella, que vem consultando por vídeo conferência.

O jornalista argentino Javier Hasse, diretor administrativo da Cannabis Benzinga, empresa de fundos de capital, lembrou que o Brasil é visto como um mercado gigante. Esse potencial já despertou o interesse de muitas multinacionais como a Canopy, que abriu um braço científico da empresa em São Paulo em 2019.

Economia

Além de todo esse contexto, o mundo está entrando em um período de recessão. O setor das empresas americanas já se manifestou que pode ser um grande aliado do país na recuperação econômica.

No Brasil não é diferente. “O cultivo pode abrir muitas frentes de trabalho. A planta pode ser aproveitada integralmente. As folhas servem para a fabricação de tecido e tijolos, por exemplo”, disse o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), presidente da comissão que analisa o Projeto de Lei 399-15, elaborada para viabilizar a comercialização da Cannabis medicinal.

O Deputado Estadual Carlos Minc (PSB-RJ), que estava presente no segundo painel, disse que uma legislação forte para o cultivo tem o poder de enfraquecer o tráfico de drogas. “Essa é uma outra questão, aqui o assunto é a Cannabis medicinal, mas não podemos esquecer deste ponto.”

Minc aproveitou o painel para lembrar da força dos estados. “Não dependemos apenas das leis federais. O governo estadual pode legislar sobre a área da saúde.”

O deputado apresentou no mês de março a PL 174-2019, que regula o cultivo para pesquisa. Conseguiu a aprovação unânime do plenário. “Isso é indicativo de mudança de mentalidade. Os legisladores já entendem a necessidade do medicamento de Cannabis.” Eles sabem o quanto o remédio pode mudar a qualidade de vida e um paciente.

A PL de Minc foi barrada pelo governador Wilson Witzel. Mas ele disse que vai reapresentá-la com sucesso.

Próximo evento

Na quarta-feira (13), o webinar continua com mais dois painéis. Fiquem de olho, pois o Sechat fará parte da discussão sobre Novos Negócios. O portal será representado por um dos sócios Daniel Jordão e o consultor científico Pedro Pierro, neurocirurgião e um antigo prescritor de Cannabis medicinal.

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