A chave para o universo da cannabis

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Para Grecco, a entrada bem sucedida no universo da cannabis depende de uma chave: a educação (Foto: Arquivo pessoal)

Coluna de Marcelo De Vita Grecco*

O novo mercado legal da cannabis desponta globalmente e gera oportunidades nos quatro cantos do mundo. É um setor no qual trabalham muitas pessoas que já conheciam o potencial da planta, bem como aquelas que fizeram (e fazem) advocacy contínuo para assegurar a existência de um ambiente de negócios mais justo. Os horizontes estão abertos e são amplos. Porém, a entrada bem sucedida no universo da cannabis depende de uma chave. Trata-se da educação.

Para a indústria legal da cannabis esse fator é ainda mais importante devido a um cenário singular

Para a indústria legal da cannabis esse fator é ainda mais importante devido a um cenário singular. Considere uma planta indevidamente marginalizada por 80 anos, alvo de diversas campanhas de desinformação e, consequentemente, de preconceito. Esse quadro não só afastou a cannabis do protagonismo que ela poderia ter exercido desde o último século, mas esvaziou quase que completamente os investimentos em pesquisa e qualificação de mão-de-obra durante décadas.

Hoje, as amarras estão sendo desfeitas em um caminho sem volta e o mercado floresce. Contudo, o crescimento acelerado do presente vai de encontro à escassez de mão-de-obra oriunda de um passado nefasto. O fato é que não há recursos humanos para suprir a demanda na velocidade em que as oportunidades estão surgindo.

A evolução dos negócios é mais rápida que o aprendizado dos conhecimentos sobre a planta e das novas tecnologias

Essa lacuna fica ainda mais agravada pelas características dinâmicas desse mercado, fortemente atrelado à inovação. Ou seja, a evolução dos negócios é mais rápida que o aprendizado dos conhecimentos sobre a planta e das novas tecnologias. Qualificar e treinar profissionais é uma missão difícil em muitos mercados e o da cannabis não foge à regra. Vamos a uma breve análise do panorama em algumas regiões.

América do Norte

Nos Estados Unidos e Canadá, temos o desenvolvimento do ecossistema completo da cadeia produtiva da cannabis. A maior amplitude não impediu a escassez de mão-de-obra vivenciada atualmente. A área medicinal vai bem. Entretanto, o mercado se desenvolve intensamente em torno do uso adulto, que enfrenta falta de profissionais.

Há espaços do seed ao sale, ou seja, existe demanda de profissionais especializados em modificação genética de sementes, desenvolvimento e design de produtos, distribuição, armazenamento, segurança e transporte, bem como vendas, atendimento, marketing & comunicação. Além disso, oportunidades existem tanto no mercado de cannabis quanto no de cânhamo. Lembro que, nesses mercados, o canabidiol (CBD) é tratado praticamente como um suplemento alimentar.

Os norte-americanos possuem alguns dos melhores players em relação ao ensino especializado, incluindo Green Flower, Medical Marijuana 411 e Oaksterdam, entre outros. As universidades também começaram a se mexer e já oferecem cursos, sendo alguns de graduação e outros de curta duração.

O foco dos programas é bem concentrado nos mercados locais, de acordo com as regulamentações existentes. Contudo o conhecimento sobre a indústria é bastante útil. Se a pessoa quer trabalhar lá, obviamente, o primeiro passo é caprichar no inglês e no networking.

Europa e América Latina

O mercado europeu tem grande potencial econômico e força de bloco, mas o desenvolvimento está mais lento do que as expectativas. Embora conte com forte organização e alguns países bastante abertos à cannabis, a educação engatinha de forma surpreendente.

Já na América Latina, muitas iniciativas de qualificação partem diretamente das empresas. Outro ponto peculiar da região é o foco bastante forte no uso medicinal e há carência de educação tanto para a sociedade quanto para a comunidade médica. No último caso, o impacto é grande pois a prescrição é necessária para a compra de qualquer medicamento.

Mercado Educacional

Educar profissionais da saúde e o público em geral são processos completamente distintos. Em muitos casos, isso é colocado no mesmo balaio e com abordagem genérica aqui no Brasil. Entretanto, algumas iniciativas que estão surgindo trarão avanços significativos. Entre elas, uma do Centro de Excelência Canabinoide (CEC), voltada aos médicos, e outra da The Green Hub, direcionada a quem quer participar da indústria legal da cannabis, empreendendo e trabalhando.

Ainda assim, existe muito campo para que novos negócios sejam criados com foco na oferta educacional

Ainda assim, existe muito campo para que novos negócios sejam criados com foco na oferta educacional. Essa vertente pode gerar empregos, renda e oportunidades para que mais pessoas considerem um setor novo e muito promissor como opção de carreira. O meio acadêmico e empreendedores da área de educação profissionalizante são essenciais para o desenvolvimento adequado do mercado no País.

Não nos esqueçamos também que há muito conteúdo bom disponível para quem quer conhecer mais sobre a planta e seu mercado, independente da oferta de cursos.

Educação não é somente fator preparatório, pois está no cerne do desenvolvimento sustentável do mercado. Por conta disso, empresas e profissionais precisam estar sempre atentos. A busca de conhecimento é o único caminho para ser bem sucedido no mercado, não só da cannabis, mas de qualquer área.

Não tenho dúvidas de que veremos muitos investimentos em educação e treinamento nos próximos dez anos. Seja no Brasil ou internacionalmente, empreender ou trabalhar no setor de cannabis dependerá de conhecer os segmentos e saber usar os dados à disposição para identificar oportunidades e conquistar êxito no trabalho.

*Marcelo De Vita Grecco é cofundador, head de Negócios da The Green Hub e colunista do Sechat

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

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